Refugiados ressignificam sua vida no Brasil através da moda

Conheça a história de três refugiados no Brasil que, ao criarem roupas e acessórios, mantêm vivo o contato com seu país de origem

© Arquivo Pessoal

A arte imita a vida, mas também a ressignifica. Para refugiados, a expressão artística é um elemento essencial para matar a saudades de sua terra natal e manter vivo o contato com sua herança cultural. Para alguns, este contato tem que ser físico, palpável e, para isso, o que pode ser melhor do que literalmente vestir trajes e acessórios que remetam diretamente à suas origens?

O ACNUR selecionou três histórias de refugiados que encontraram, através da moda, uma forma de estar sempre perto de seu país e abrir caminhos para se encontrar no Brasil.

 

Franck, natural da Costa do Marfim, estilista em Brasília

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​No Brasil há quase quatro anos, Franck, natural da Costa do Marfim, sempre encontrou seu sustento na moda. Assim que chegou ele trabalhou em um ateliê que produzia uniformes para a Marinha. Já mais habituado ao novo país Franck resolveu abrir sua própria loja, em uma galeria da capital federal.

Suas peças misturam influências africanas com as cores vibrantes e as estampas expressivas com elementos que agradam o consumidor brasileiro. “Meu trabalho é mais focado nos tecidos africanos, mas também vejo e necessidade de me integrar no mercado brasileiro e misturar as culturas”, explica ele, que estudou costura em seu país natal e que, antes de chegar ao Brasil, viveu por um tempo no Senegal, de onde saiu por conta de violações aos Direitos Humanos.

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Leydi, natural da Venezuela, costureira em Manaus

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Desde a época em que vivia na Venezuela, Leydi encontrava na costura o seu sustento. Ela conta que no ano de 2015 abandonou uma carreira sólida no setor bancário porque, devido à crise que atingiu o país, seu salário era insuficiente para dar conta das despesas do mês.

Em 2019 a família passou a viver em Manaus, e foi por meio do apoio de organizações da cidade, como a Hermanitos, que a empresária conseguiu formalizar o empreendimento e ampliar suas atividades. Leydi costura, entre outros itens, kits para bebês recém-nascidos, compostos por touca, luvas e sapatinhos. Talentosa e criativa, ela também produz pijamas e roupas para todos os tamanhos e gêneros.

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Lucie, natural da República Democrática do Congo, estilista em Brasília

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No Brasil desde 2016, a congolesa Lucie já trabalhava com moda em seu país de origem, costurando para fora e dando aulas de corte e costura. A instabilidade política na República Democrática do Congo e o medo de ser perseguida politicamente, fez com que ela buscasse refúgio e segurança no Brasil.

Ao chegar em Brasília, ela trabalhou em um restaurante, mas depois resolveu voltar para o ramo da moda, e prestou serviço para algumas lojas. Desde 2019, Lucie faz parte do projeto Égalité, uma loja-escola idealizada pelo grupo Mulheres do Brasil.

A proposta da Égalité – que significa igualdade, em francês – é oferecer, mais do que um local para que refugiados e imigrantes possa vender seus produtos, um espaço de aprendizagem. O empreendimento, que funciona no Shopping Venâncio, está aberto para refugiados e migrantes de qualquer nacionalidade que vendam roupas, assessórios ou outros itens de artesanato e de uso pessoal e queiram expor produtos no local. Atualmente, ela concilia o trabalho como estilista com a graduação de Design na UnB, e sonha em se especializar em Design de Moda.

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Soda, 60 anos, natural do Senegal, estilista em São Paulo

Foto: Folhappress/Giovanni Bello

A senegalesa Soda, mais conhecida como “Mama” por toda sua trajetória de comércio no centro de São Paulo, chegou ao Brasil há 13 anos. O longo trajeto ao Brasil não foi fácil, considerando que ela estava à frente para garantir a segurança de sua família.

Mama batalhou muito em São Paulo para que conseguisse ter sua loja própria. Participava de feiras e desfiles de moda para complementar sua renda. Sua principal receita provem da venda na loja física, atualmente fechada, de tecidos, roupas, turbantes, faixas, colares, entre outros produtos das notórias estampas africanas. “Busco trabalhar de forma sustentável, aproveitando ao máximo todo o tecido na confecção de peças que tenham como marca o corte e o colorido africano. Tudo é feito sob medida, de acordo com o gosto do cliente”, afirma.

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Dar visibilidade aos negócios liderados por empresários refugiados no Brasil é o objetivo da plataforma Refugiados Empreendedores, desenvolvida pela Rede Brasil do Pacto Global da ONU e o ACNUR (Agência da ONU para Refugiados).

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