Seis anos de conflito no Iêmen deixa 80% da população abaixo da linha da pobreza

País enfrenta a maior crise humanitária do mundo: 66% da população precisa de assistência para sobreviver e 16 milhões de pessoas sofrem com a fome

Lubna, mãe iemenita deslocada interna, não sabe se seu filho terá comida amanhã © ACNUR/Marie-Joëlle Jean-Charles

Após seis anos de conflito, a crise humanitária no Iêmen continua a ser considerada a maior do mundo. O conflito armado já matou e feriu aproximadamente 20.000 civis e causou um imenso sofrimento. Mais de 20 milhões de pessoas (66% da população) ao redor do país precisa de assistência humanitária.


Milhões de iemenitas sofrem com a fome diariamente Para mães como Lubna, todos os dias é uma nova dificuldade – é sempre mais um dia de preocupação sobre como alimentar seus filhos e como mantê-los seguros diante da crescente violência.

“Nós vivemos um dia de cada vez, nunca sabendo como vamos nos alimentar. Muitas vezes, vou às lojas e peço comida para que meus filhos façam pelo menos uma boa refeição” – Lubna, mãe iemenita deslocada interna

Uma das tarefas mais urgentes que temos no Iêmen hoje em dia é evitar a fome generalizada – corremos o risco de enfrentá-la em uma escala que não vemos há 40 anos. Mais de 16 milhões de iemenitas sofrem com a fome. Dezenas de milhares já estão vivendo em situações análogas e cinco milhões estão apenas um passo da fome. Iemenitas não estão “passando fome”, eles estão famintos.

Pessoas deslocadas internamente possuem quatro vezes mais chance de sofrerem com a fome do que outros iemenitas. Cerca de 4 milhões de iemenitas foram forçados a abandonar suas casas por causa do conflito e 79% deles são mulheres e crianças. E, apesar do conflito em andamento, o Iêmen continua abrigando cerca de 137.000 refugiados e solicitantes de asilo, sendo a maioria oriundos da Somália – e que são totalmente dependentes do apoio do ACNUR.

O trabalho do ACNUR salva vidas todos os dias. Mas isso não é suficiente. Sem a sua ajuda urgente, o ACNUR não poderá fornecer assistência para salvar as vidas dos deslocados à força no Iêmen. Basicamente, nós precisamos de mais fundos para salvar vidas. Estamos correndo contra o tempo.

Em algumas partes do país, uma entre quatro criança está desnutrida atualmente. A cada dez minutos, pelo menos uma criança morre devido a doenças evitáveis no Iêmen. Sem uma ação urgente, cólera e outras doenças transmissíveis irão aumentar. Além disso, a escalada da violência está forçando mais famílias a fugirem. Os serviços básicos estão colapsando, com apenas metade das instalações de saúde funcionando completamente.

Um terço das escolas estão fechadas. Mais de metade da população não possuí água o suficiente para suprir suas necessidades básicas e a COVID-19 está tornando as coisas ainda mais difíceis. Afinal, com o sistema imunológico das pessoas extremamente debilitado após anos de guerra e privação, o vírus se torna uma ameaça severa. A COVID-19 também exacerbou a queda da economia e da moeda local, que já estava em declínio após os anos de conflito. Agora, estima-se que 80% dos iemenitas vive abaixo da linha da pobreza.

Desafios do Iêmen :

  • Conflito em andamento. Seis anos de conflito causaram um imenso sofrimento às famílias iemenitas. Em 2020, o número de linhas de frente aumentou de 33 para 49. Desde o início de 2021, o conflito sofreu uma brusca reviravolta.
  • Fome e deslocamento. Cerca de 20 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária. 16 milhões estão sofrendo com a fome. Cerca de quatro milhões de iemenitas foram forçados a deixar suas casas. Eles correm quatro vezes mais em risco de enfrentar a fome.
  • Economia em colapso. Após anos de conflitos, a economia do Iêmen colapsou e a COVID-19 piorou a situação. Cerca de 80% dos iemenitas vivem abaixo da linha da pobreza.

O ACNUR precisa de US$ 271 milhões em 2021 para suprir as necessidades humanitárias e salvar vidas no Iêmen. No dia 2 de março deste ano, apenas US$16,1 milhões haviam sido arrecadados – apenas 6% do valor total. Sem outros fundos, corremos o risco de deixar mais de 670.00 deslocados vulneráveis sem abrigo adequado e cerca de 330.000 sem serviços críticos de proteção. Cerca de um milhão de iemenitas deslocados que ajudamos através de apoio financeiro estão à beira da fome. A falta de fundos deixará refugiados sem acesso ao sistema de saúde e sem dinheiro para comprar comida.

 

Com doações feitas por pessoas como você, o ACNUR está…

  • Provendo itens essenciais como cobertores, kits de cozinha e baldes para famílias iemenitas deslocadas;
  • Garantindo que famílias deslocadas tenham um abrigo seguro para dormir;
  • Fornecendo assistência financeira para que pessoas mais vulneráveis possam comprar comida, medicamentos, roupas e outros itens essenciais;
  • Garantindo que pessoas deslocadas tenham acesso a serviços de proteção como apoio psicossocial, resposta à violência de gênero e proteção de crianças;
  • Ajudando famílias refugiadas a terem comida, documentação, ajuda jurídica, assistência financeira, educação e plano de saúde.

A assistência financeira é a maneira mais efetiva de proteger famílias deslocadas no Iêmen de sofrerem com a fome. Com o auxílio, elas podem comprar comida, pagar o aluguel e o plano de saúde. Monitoramentos do ACNUR mostram que cerca de 97% das famílias internamente deslocadas que são atendidas pela assistência monetária afirmam que usam parte do dinheiro para comprar comida, seguido de pagar o aluguel (73%) e ter acesso a um plano de saúde (71%). A assistência em dinheiro também evita que elas recorram a práticas prejudiciais como casamento ou trabalho infantil, pedir esmolas ou que os pais deixem de comer para dar comida aos filhos.

Em 2021, nosso objetivo é ajudar mais de um milhão de deslocados internos e 44.500 refugiados através de nossa assistência multiuso em dinheiro. Para isso, precisamos de sua ajuda.


Famílias iemenitas dependem da sua ajuda. Elas não podem esperar mais um dia. Por favor, doe hoje para salvar vidas.

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