Relembre os principais momentos dos 10 anos de crise na Síria

Após uma década, os sírios vivem as consequências da maior crise de deslocamento forçado do mundo

Uma menina caminha entre os prédios destruídos de Aleppo © ACNUR/Bassam Diab

Para muitos sírios, 2021 marca 10 anos de exílio. O que começou como uma guerra civil tomou proporções inimagináveis e, hoje, afeta a vida de mais de 13,3 milhões de pessoas.


Relembre os principais acontecimentos na última década e os esforços do ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, para salvar vidas, assegurar direitos e construir futuros melhores para todos que foram forçados a deixar tudo para trás.

Primeiros momentos

Em março de 2011, cerca de 5.000 sírios cruzaram a fronteira rumo ao Líbano, marcando o começo da maior crise humanitária e de deslocamento forçado que o século XXI até hoje testemunha. Ainda neste período, outros países região iniciaram as primeiras ações para acolher os refugiados sírios. A Turquia, por exemplo, abriu seu primeiro campo de refugiados em maio – e, hoje em dia, é o país que mais acolhe sírios no mundo. Em resposta à eminente crise, o ACNUR na Síria expandiu o escopo de suas operações para responder ao aumento das necessidades humanitárias.

Outros países seguiram o exemplo da Turquia. Em julho de 2012, a Jordânia abriu o campo de Za’aatari, que hoje em dia acolhe mais de 120 mil moradores e é considerado um centro urbano do país. O ACNUR e seus parceiros atuaram para entregar ajuda humanitária, abrigo, água e assistência de saúde e financeira no Líbano, Iraque, Jordânia e Turquia tanto para refugiados em campos quanto para refugiados vivendo em centros urbanos.

Ao final de 2012, os países vizinhos da Síria abrigavam cerca de meio milhão de refugiados sírios. E o número não dava indícios de queda – pelo contrário. No segundo semestre do ano seguinte, já existiam 2 milhões de refugiados sírios no mundo, sendo que a maioria morava em países vizinhos. Crianças eram a metade.

Só em agosto de 2013 o ACNUR registrou 1 milhão de refugiados sírios menores de idade e, com o intuito de evitar a apatridia (quando alguém não é considerado nacional de nenhum país), atuamos para que bebês nascidos no exílio tivessem direito a uma certidão de nascimento.

Mohammad, de 11 anos, senta em sua mesa em uma escola na Jordânia © ACNUR/Hannah Maule-ffinch

Maior crise de deslocamento forçado no mundo 

2014 marca o ano em que a Síria se tornou a maior crise e deslocamento forçado no mundo. Cerca de 9 milhões de sírios tiveram que fugir de sua casa, procurando segurança tanto no exterior quanto dentro do país. Para o último grupo, o ACNUR e seus parceiros providenciaram itens essenciais, e cerca de 900.000 deslocados internos dentro da Síria foram auxiliados. 

Conforme os anos se passavam, os países vizinhos começaram a ficar sobrecarregados. O Líbano, país acolhia cerca de 1 milhão de refugiados sírios na época, exigiu uma resposta precisa das agências humanitárias. Em abril de 2014, o ACNUR no Líbano registrou mais de 2.500 refugiados todos os dias – menos de uma pessoa por minuto. 

Em julho, existiam cerca de 4 milhões de refugiados sírios ao redor do mundo e 7,6 milhões de pessoas deslocadas dentro da Síria. Para atender essa população, o ACNUR prestou ajuda a 3,2 milhões de pessoas vulneráveis na Síria e entregou mais de 9 milhões de itens essenciais.

Os outros países da região começaram a espelhar as condições socioeconômicas escassas que assolavam a Síria e, como consequência, cerca de 500.000 refugiados sírios embarcaram em trajetórias marítimas rumo à Europa. Diante disso, o ACNUR lançou uma resposta de emergência para apoiar e complementar os esforços europeus, implantando mais de 600 equipes de emergência e recursos para 20 localizações diferentes.

Ruqaeia, 72, fotografada com seu neto de dois meses, Mohammed, em um abrigo coletivo em um prédio inacabado em Sahnaya, na zona rural de Damasco © ACNUR/Andrew McConnell

Cinco anos de crise

Em 2016, após cinco anos, a Síria continuava sendo a maior crise humanitária e de refugiados no mundo. Estima-se que, naquele ano, mais de 2 milhões de pessoas deslocadas internas e membros de comunidades afetadas buscaram serviços de proteção dentro da Síria.

Em 2017, 1 milhão de refugiados sírios foram matriculados em programas de educação formal graças à ajuda do ACNUR e de seus parceiros. Metade desse número foi matriculado apenas na Turquia, que registrou 518.00 crianças refugiadas na educação primária, um esforço que seria impossível sem o apoio de parcerias com autoridades nacionais.

Em abril de 2018, existiam 5 milhões de refugiados sírios no mundo. No final do mesmo ano, cerca de um milhão de bebês, filhos de pais refugiados sírios, nasceram no exílio. Durante os meses mais frios de 2018, a Jordânia providenciou um suporte de inverno para refugiados em situação de vulnerabilidade. Estima-se que mais de 89.000 refugiados receberam assistência financeira.

Mesmo com os constantes esforços do ACNUR, organizações parceiras e governos, as necessidades humanitárias na Síria continuaram aumentando. Em 2019, cerca de 11,7 milhões de pessoas precisaram de suporte humanitário. No mesmo ano, o ACNUR ajudou 1,8 milhão de pessoas com itens essenciais dentro da Síria.

Uma menina e seu pai andam de bicicleta pelas ruas no meio do acampamento Zaatari, na Jordânia © ACNUR/Shawkat Alharfosh

Futuro incerto 

Porém, a situação se tornaria ainda mais precária. Em março 2020, a OMS declarou a pandemia de COVID-19. A vida dos sírios deslocados foi profundamente afetada e muitos acabaram na pobreza. 

No combate à COVID-19 e para aliviar o impacto socioeconômico na região, o ACNUR apoiou cerca de 800.000 refugiados sírios adicionais com assistência emergencial em dinheiro além dos mais de 2 milhões de refugiados que já recebem assistência monetária multiuso em toda a região. 

Para muitos refugiados, 2021 marca 10 anos de exílio. O ACNUR continua a atuando para entregar apoio vital e proteção aos sírios em situação de vulnerabilidade, tanto na Síria, quanto nos países anfitriões da região e em outros lugares. Apesar de uma década ter se passado, a ajuda humanitária nunca foi tão necessária e as condições de vida na região se deterioram cada vez mais, sobretudo pelos impactos da COVID-19.


Mais do nunca, famílias sírias precisam do seu apoio. Doe agora mesmo para que elas possam reconstruir suas vidas e seus sonhos.

DOAR AGORA