Refugiados centro africanos encontram segurança e solidariedade na RDC

Em visita à República Democrática do Congo, o Chefe da ONU para Refugiados parabenizou os esforços para apoiar os refugiados da República Centro-Africana

Fidel, 35 anos, sua esposa Brigitte, 28, e seus filhos se preparam para se mudar para seu abrigo em Modale, no norte da República Democrática do Congo. © ACNUR /Hélène Caux

Pela segunda vez em cinco anos, Fidel, 35, teve que fugir da República Centro-Africana, atravessando o Rio Ubangi rumo à República Democrática do Congo (RDC). A última travessia foi a mais dura.

“Desta vez eu perdi o meu filho de cinco anos. Ele se afogou no rio”, afirmou.

A última vez que atravessou o Rio Ubangi foi em janeiro. Na ocasião, ele fugia de sua casa em Bema para Yakoma, na RDC. Sua pequena canoa não permitia que seus seis filhos e a mulher atravessassem o rio de uma vez, então ele teve que fazer várias viagens de ida e volta. Em uma dessas travessias, ele deixou seu filho Eric na margem do rio na República Centro-Africana.

Quando ele retornou à margem, não conseguiu encontrar Eric. Em pânico, ele perguntou aos pescadores que estavam por perto sobre o paradeiro de seu filho e eles confirmaram a dura notícia. O corpo de seu filho pequeno tinha sido encontrado.

“Eu fiquei completamente chocado”, recorda.

Assim como outros refugiados centro africanos, Fidel e sua família fugiram da violência e insegurança que assolou o país após as últimas eleições, em dezembro. Até agora, estima-se que 117 mil pessoas atravessaram as fronteiras para países vizinhos como Camarões, Chade e a República do Congo, sendo que a maioria encontrou segurança na República Democrática do Congo. Cerca de 164 mil pessoas continuam deslocadas dentro da República Centro-Africana.

“Eu perdi o meu filho de cinco anos. Ele se afogou no rio”

Uma vez que chegaram em Yakoma, na província de Ubangi do Norte na República Democrática do Congo, Fidel, sua esposa Brigitte e seus seis filhos foram recebidos por uma família congolesa que os acolheu em sua casa modesta.

A maioria dos refugiados centro africanos foram recebidos generosamente por comunidades locais que se esforçam para dividir os poucos recursos que possuem.

Semana passada o ACNUR, Agência da ONU para Refugiados, e outros parceiros começaram a realocar refugiados para dentro do país, longe da zona fronteiriça de Yakoma, em direção a um espaço seguro no vilarejo de Modale. O local pode acomodar até 10 mil refugiados.

A família de Fidel está entre o primeiro grupo de 335 refugiados que chegaram ao local esta semana. Lá, eles começaram o processo de se estabelecer junto às comunidades congolesas locais, que generosamente ofereceram suas terras para famílias refugiadas e acolheram suas crianças nas escolas da região.

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O Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, se encontra com Micheline (esquerda), um refugiado da República Centro-Africana que vive na República Democrática do Congo © ACNUR/Hélène Caux

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Refugiados centro africanos chegam em Modale, após viajarem em caminhões por várias horas desde Yakoma, na fronteira CAR-DRC © ACNUR/Hélène Caux

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Refugiada da República Centro-Africana segura seu filho doente enquanto ele é atendido em um centro de saúde em Modale, República Democrática do Congo © ACNUR/Hélène Caux

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Pessoas caminham em Modale, no norte da República Democrática do Congo, onde o ACNUR está realojando refugiados da República Centro-Africana © ACNUR/Hélène Caux

O ACNUR está estabelecendo instalações de água e saneamento e expandindo os serviços de saúde e educação, ao mesmo tempo que reforça a infraestrutura existente de modo a reduzir a pressão sobre os serviços resultantes do influxo.

Em visita à Modale, o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, parabenizou estes esforços que ajudarão os refugiados a começar a reconstruir suas vidas.

“É realmente um esforço inclusivo. Os refugiados podem cultivar suas culturas ao lado da comunidade anfitriã, tornar-se autossuficientes, usar os serviços de saúde e ir à escola”, disse. Ele também pediu que a comunidade internacional apoie urgentemente estes esforços.

“Precisamos demonstrar mais compromisso com este país e suas comunidades que continuam a abrir seus braços e abrigar refugiados com os poucos meios de que dispõem”, acrescentou.

Grandi também conheceu Fidel e Brigitte, que compartilharam sua experiência trágica com ele. “Os refugiados que eu conheci querem voltar, mas apenas se existir paz e segurança. Eles estão assustados depois de terem sido forçados a fugir repetidamente”, completou.

Ele lembrou sua última visita à República Centro-Africana em dezembro de 2019, quando havia sinais esperançosos de paz e expressou seu desejo de que fosse encontrada uma solução para todos os refugiados espalhados por esta região tão inacessível. Ele também pediu que a comunidade internacional ajude o país a sair da “espiral de violência e agitação” que tem caracterizado sua história recente.

“Isso é especialmente importante para seu povo, para que ele não tenha que fugir”, disse. “Enquanto eles se sentem mais seguros aqui na RDC, mais recursos são necessários. Esta é uma situação muito subfinanciada, que requer mais atenção da comunidade internacional”.

O ACNUR recebeu apenas 16% dos US$ 204,8 milhões necessários para as operações na RDC. Ao lado da Comissão Nacional para Refugiados do Governo Congolês (CNR), o ACNUR registrou quase 53.000 recém-chegados da República Centro-Africana nas províncias de Bas Huele, Ubangi do Norte e Ubangi do Sul, segundo dados de 22 de abril. O registro ainda está em andamento – as autoridades da RDC estimam que 92.000 refugiados chegaram da RCA desde dezembro de 2020.


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