Refugiados empreendedores

Nesta página você acompanhará a história de pessoas refugiadas empreendedoras que estão empenhadas em superar mais um desafio, enfrentando a pandemia atual com o que todos têm em comum: a capacidade de persistir e de se reinventar, olhando com otimismo para o futuro que constroem a cada dia.

Refugiados são #GenteDaGente! Apoie e divulgue essa iniciativa do ACNUR.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    Salsabil, 34 anos, natural da Síria, chef em São Paulo

 

Salsabil teve que deixar a cidade de Douma, na Síria, devido à guerra que persiste no país há mais de nove anos. Sua formação profissional em Farmácia e anos de trabalho permitiram que ela pudesse ter a sua própria drogaria, vivendo bem ao lado de seu marido e filhos. No Brasil desde 2014, Salsabil teve o seu diploma de Farmácia revalidado pela Compassiva, organização parceira do ACNUR, mas trilhou seu caminho por outros rumos.

“Desde que cheguei no Brasil fui atrás do que queria. Revalidei meu diploma, fiz cursos de capacitação profissional com a Migraflix, Empoderando Refugiadas e Mulheres do Brasil. Com todos esses saberes, optei por abrir o meu próprio negócio, o serviço de catering que tem meu próprio nome: Cozinha de Salsabil”, disse com orgulho a empreendedora.

Foi durante a época da graduação na Jordânia que ela começou a produzir e vender pratos típicos aos demais estudantes para reforçar a renda familiar. Todo o talento foi aprimorado no Brasil, onde o serviço de catering prosperava, até a chegada da pandemia.

“Eu conseguia fornecer pratos da cozinha árabe para muitos eventos corporativos em São Paulo. Até já cozinhei ao lado da Paola Carosella, mostrando os segredos de como fazer os deliciosos quibes sírios, mas agora dependo dos pedidos das redes sociais para manter a casa de pé, onde passei a ofertar marmita e comidas congeladas para encomendas familiares”, afirma a incansável chef, que segue acumulando aprendizados.

Conheça: Facebook | Instagram

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    Aronny, 35 anos, natural da Venezuela, produtora de queijos em Boa Vista

 

Aronny é venezuelana, formada em direito na Colômbia e em administração no Brasil. Deixou seu país de origem ainda em 2012 para trabalhar com seu pai na pecuária do norte do país. Com o conhecimento que adquiriam na prática e fazendo cursos para empreendedores em Roraima, criaram com muito esforço a marca Sr. Micho.

“Meu pai me fornece o leite e eu produzo os queijos, de duas variedades, geralmente para abastecer os mercados locais. Mas também soubemos diversificar a nossa clientela para atender diretamente ao público que nos procura, fazendo assim que o queijo saia da fazenda diretamente para mesa do consumidor, fresquinho”, ressalta a produtora.

Com a pandemia, a família passou a trabalhar de forma mais integrada, reduzindo as despesas para poder prover aos consumidores um preço justo, que zele pelo bem-estar da cadeia de produção. Como resultado, novos pedidos chegaram e mesmo em número maior, provando que a estratégia tem dado certo.

“As pessoas que começaram a consumir nossos queijos faziam o pedido de uma peça de cada queijo, mas agora já pedem quilos. É um sinal de que estão gostando e isso é uma questão de orgulho para nós porque fazemos mesmo com muito carinho pelos consumidores e pelos animais”, destaca Aronny.

Conheça: Instagram

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lavi, 27 anos, natural da RDCongo, artista e designer em São Paulo

 

O mundo das artes em muitos casos reflete as dinâmicas sociais através do olhar do artista. Este diálogo entre a estética e a realidade é evidente na arte de Lavi, artista plástico que desenvolve uma série de projetos gráficos. O artista teve que deixar o seu país de origem, a República Democrática do Congo, antes mesmo de se formar em Artes Plásticas, em 2015, mas aqui no Brasil seu talento é notável nas redes sociais.

“Minha arte reflete as minhas raízes, é uma representação da cultura africana. Aproveito das minhas lembranças e do contexto diverso e de muitas cores da África para retratar através do meu olhar o cotidiano do povo africano, os desafios que enfrentamos, mas também nossas conquistas e valores”, diz o artista.

Lavi já expôs parte de seu trabalho em diversos espaços culturais e centros de arte em São Paulo. Porém, devido ao contexto de pandemia, estes espaços estão fechados e as redes sociais se tornaram o espaço preferido do artista para a divulgação de seus novos trabalhos. Aliás, as telas recém produzidas refletem justamente as imagens globalizadas de rostos com algo em comum: as máscaras de proteção.

“A chegada da epidemia impediu o contato mais direto do público com o ambiente das obras, mas meu atelier segue em contínua produção e adaptação pelo momento em que estamos passando. A grande dificuldade com este cenário é fazer as obras circularem e dialogarem com as diferentes pessoas que tenham interesse, mas as redes sociais podem amenizar essa distância”, afirma o artista que segue ativo, postando suas obras.

Conheça: Facebook | Instagram

 

 

 

 

 

 

Mouhammad, 32 anos, empresário em São Paulo

 

Empreender não é uma tarefa fácil, ainda mais quando a proposta é ter um espaço físico. O já tradicional restaurante e espaço cultural Majaz, localizado no bairro de Santa Cecília, em São Paulo, já havia se tornado uma referência de gastronomia palestina pelo cardápio de ingredientes árabes tradicionais com receitas familiares.

“Nosso ambiente é todo diferenciado, em suas diversas linguagens. O cheiro advindo dos pratos que servimos, a equipe de refugiados palestinos, sírios e senegaleses que trabalham conosco, o espaço cultural ‘Ghasan Kanafani’ que temos para exposições e debates, as decorações das paredes com os nomes dos campos de refugiados palestinos… Nosso espaço está fechado, mas nosso atencioso serviço serve aberto”, diz Mouhammad, proprietário do restaurante que existe há mais de dois anos.

Mouhammad chegou ao Brasil em 2014 e devido à epidemia, tem enfrentado o momento mais delicado do seu negócio. Desde a sua abertura, o restaurante inovou na variedade de ofertas dos pratos e temperos árabes, ampliando com o tempo as opções de comidas vegetarianas e veganas, inclusive nas sobremesas. Com as portas fechadas, o jeito foi se adaptar à realidade:

“A situação de quarentena em São Paulo nos levou a montar um sistema de delivery para sobreviver, assim como para manter nossa equipe durante o necessário isolamento social. Ampliamos os canais de contato, provemos o serviço de entrega, ofertamos um prato diferente a cada dia e continuamos com o mesmo gosto pelo negócio”, afirma Mouhammad, esperançoso de que novos clientes se tornem assíduos como os que já provaram (e aprovaram) o cardápio.

Conheça: Facebook | Instagram |Site

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hernan, 35 anos, natural da Colômbia, chef em São Paulo

 

Hernan teve que deixar a Colômbia, seu país de origem, devido às ameaças e violência que afetavam não somente seus negócios, mas também impactavam diretamente a vida de sua família. Logo ao chegar em São Paulo e com duas formações técnicas, em engenharia civil e gastronomia, Hernan optou por aquela que toca o seu coração para recomeçar a sua vida no país.

“Eu sempre gostei da gastronomia e tive a oportunidade de trabalhar neste segmento por onde passei: na Colômbia, no Equador e agora no Brasil. Aprendi na teoria e na prática como servir com qualidade nossos clientes, mantendo a tradição de quem somos e por onde passamos”, disse o chef.

O empreendimento Empanadas Cumarito repensou seu modelo de negócio, ampliando o cardápio de entrega que conta com massas pré-assadas ou prontas para o consumo, de muitas variedades, como a famosa combinação de queijo com goiabada na massa de empanada.

“Nossa adaptação para este momento foi utilizar mais as redes sociais como ferramenta e fazer diferentes preparos para quem já quiser consumir ou para assar mais tarde. Quem sabe já almoça alguns sabores e no jantar prova os demais, né?”, sugere Hernan ao lado de Lizeth, sua esposa que é responsável por atender aos pedidos das redes sociais e ajudar no preparo dos alimentos.

Conheça: Facebook | Instagram

 

Disclaimer: O ACNUR não tem o papel de avaliar os serviços prestados pelas pessoas aqui listadas, mas sim apenas de divulgar e valorizar os serviços prestados à sociedade pelas pessoas refugiadas.