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Jovem refugiado de etnia Rohingya de Mianmar supera preconceitos e se destaca na Malásia

Histórias

Jovem refugiado de etnia Rohingya de Mianmar supera preconceitos e se destaca na Malásia

Jovem refugiado de etnia Rohingya de Mianmar supera preconceitos e se destaca na MalásiaApesar de um começo turbulento no centro de ensino, Ishak se dedicou com determinação para se tornar um grande jogador de futebol, um aluno exemplar e o primeiro membro de sua família a concluir os estudos.
21 Outubro 2016

KUALA LUMPUR, Malásia, 24 de outubro de 2016 (ACNUR) – Com apenas 15 anos, Ishak já carrega o peso das expectativas de sua família. Além de superar a discriminação racial e os desafios adicionais trazidos pelo status de refugiado, ele acabou se tornando um dos jogadores de futebol do time de sua escola, um aluno exemplar e, possivelmente, a primeira pessoa de toda a sua família a completar os estudos.

“Lá no meu país, as crianças da pré-escola costumavam zombar de mim por causa da cor da minha pele”, relembra o refugiado rohingya, cujo os pais nasceram no Estado Rakhine, em Mianmar. “Eles me chamavam de escuro e me perguntavam o que eu estava fazendo lá. Mas os professores sempre me apoiaram e explicaram que aquilo era errado”.

Quando ele chegou na Malásia, há oito anos, surgiram outras questões. Lá, refugiados não têm acesso ao sistema de educação. Assim, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), algumas ONGs parceiras e as próprias comunidades de refugiados apoiam e estruturam um sistema educacional paralelo.

Hoje, existem mais de 120 centros de aprendizagem comunitários para refugiados e solicitantes de refúgio por toda a Malásia, sendo que muitos deles enfrentam problemas como salas de aula lotadas e recursos limitados. Outros desafios estão relacionados à alta rotatividade de professores, estudantes que abandonam os estudos por razões financeiras ou culturais e oportunidades limitadas no ensino superior.

“É muito caro ir para escola, temos que pagar taxas, transporte e outras despesas”, reconhece Ishak, que estuda em um centro em Kuala Lumpur. Ele observa que seu irmão mais velho teve que abandonar os estudos para dar apoio à família.

A mãe de Ishak está convicta de que o filho deve continuar os estudos: “Ela acredita que a educação pode tornar a vida melhor, mas nunca me pediu para ser médico ou algo assim. Ela apenas disse ‘seja uma pessoa bem-sucedida, com um título que te destaque perante a sociedade e que te garanta uma identidade própria’”.

Ishak aproveitou o máximo a oportunidade que frequentemente é restrita aos refugiados em idade escolar. Um relatório publicado pelo ACNUR no último mês destacou a crise na educação de refugiados, revelando que mais da metade dos 6 milhões de crianças em idade escolar sob o seu mandato não têm escola para ir.

“Lá no meu país, as crianças da pré-escola costumavam zombar de mim por causa da cor da minha pele”.

Quando os recursos da família estavam escassos, o centro de ensino primeiramente ofereceu um desconto sobre a mensalidade, e em seguida conseguiu um patrocinador para Ishak. O centro é administrado pela Dignity for Children Foundation, que conduz um dos programas educacionais mais abrangentes para os habitantes mais pobres da Malásia, da pré-escola ao ensino médio e também treinamento vocacional.

Para Ishak, o centro de ensino é seu segundo lar. Além de ter aulas de suas matérias favoritas como matemática, física e contabilidade, ele gosta de dividir a classe com colegas do mundo inteiro, com consciência de que o momento é transitório.