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Relatório do ACNUR revela que condições climáticas extremas causam deslocamentos repetidos entre comunidades afetadas por conflitos

Comunicados à imprensa

Relatório do ACNUR revela que condições climáticas extremas causam deslocamentos repetidos entre comunidades afetadas por conflitos

Lançamento de relatório será nesta segunda-feira, 10, na COP30 em Belém (PA)
10 Novembro 2025
Beneficiárias de cooperativas agrícolas perto do campo de refugiados de Kobe, na Etiópia, onde o solo está rachado pela seca

Beneficiárias de cooperativas agrícolas perto do campo de refugiados de Kobe, na Etiópia

Milhões de pessoas refugiadas e forçadas a fugir, assim como seus países de acolhida, estão presos em um ciclo cada vez mais vicioso de conflitos e eventos climáticos extremos, de acordo com um novo relatório divulgado hoje pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). O relatório Sem Escapatória II: o caminho a seguir (disponível em inglês em No Escape II: The Way Forward) alerta que os choques climáticos estão minando as chances de recuperação, aumentando as necessidades humanitárias e amplificando os riscos de deslocamentos repetidos.

Em meados de 2025, 117 milhões de pessoas haviam sido deslocadas por guerras, violência e perseguição. Três em cada quatro delas vivem em países que enfrentam exposição alta a extrema a riscos relacionados ao clima. Nos últimos 10 anos, desastres relacionados ao clima causaram cerca de 250 milhões de deslocamentos internos – o equivalente a cerca de 70.000 deslocamentos por dia. Sejam inundações que assolam o Sudão do Sul e o Brasil, calor recorde no Quênia e no Paquistão ou escassez de água no Chade e na Etiópia, o clima extremo está levando comunidades já frágeis ao limite.

“Em todo o mundo, eventos climáticos extremas estão colocando a segurança das pessoas em maior risco. Estão limitando o acesso a serviços essenciais, destruindo casas e meios de subsistência e obrigando famílias — muitas das quais já fugiram da violência — a fugir mais uma vez”, afirmou Filippo Grandi, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. “Essas pessoas já sofreram perdas imensas e agora enfrentam novamente as mesmas dificuldades e devastação. Elas estão entre as mais afetadas por secas severas, inundações e ondas de calor recordes, com os recursos mais escassos para se recuperar.”

Em muitos lugares, os sistemas básicos de sobrevivência estão sob pressão. Em partes do Chade afetadas pelas inundações, os refugiados recém-chegados do Sudão, devastado pela guerra, acessam menos de 10 litros de água por dia – muito abaixo dos padrões de emergência. Até 2050, os campos de refugiados em locais mais quentes poderão enfrentar quase 200 dias de calor extremo e perigoso por ano, com sérios riscos para a saúde e a sobrevivência. Muitos desses locais provavelmente se tornarão inabitáveis devido à combinação mortal de calor extremo e umidade.

A degradação ambiental está agravando os desafios enfrentados pelas comunidades. Novos dados do relatório revelam que três quartos das terras africanas estão se deteriorando e mais da metade dos assentamentos para refugiados e pessoas deslocadas internamente no continente estão localizados em áreas sob grave estresse ecológico. Isso está reduzindo o acesso a alimentos, água e renda. Em partes do Sahel, as comunidades relatam que as perdas de meios de subsistência relacionadas ao clima estão levando ao recrutamento para grupos armados, mostrando como o estresse ambiental pode alimentar ciclos de conflito e deslocamento.

Ao mesmo tempo, a falta de financiamento e um sistema de financiamento climático profundamente desigual estão deixando milhões de pessoas desprotegidas. Os países frágeis e afetados por conflitos que acolhem refugiados recebem apenas um quarto do financiamento climático de que precisam, enquanto a maioria do financiamento climático global nunca chega às comunidades deslocadas ou aos seus anfitriões.

“Os cortes no financiamento estão limitando severamente nossa capacidade de proteger refugiados e famílias deslocadas dos efeitos do clima extremo. Se queremos estabilidade, devemos investir onde as pessoas estão em maior risco. Para evitar novos deslocamentos, o financiamento climático precisa chegar às comunidades que já vivem em situação precária”, acrescenta Grandi. “Elas não podem ser abandonadas. Esta COP deve produzir ações concretas, não promessas vazias.”

Apesar dos desafios, o ACNUR salienta que há soluções possíveis. As comunidades deslocadas e de acolhimento podem ser poderosos agentes de resiliência, mas apenas se forem incluídas nos planos nacionais para o clima, forem apoiadas por meio de investimentos específicos e tiverem voz nas decisões que afetam o seu futuro. No entanto, a maioria dos planos nacionais para o clima continua a ignorar os refugiados e outras pessoas deslocadas, bem como as comunidades que os acolhem.

À medida que o mundo se reúne para a COP30, o ACNUR clama os governos, as instituições financeiras e a comunidade internacional para que tomem medidas decisivas. Incluindo as pessoas deslocadas e suas comunidades de acolhimento no planejamento e na tomada de decisões sobre o clima, investindo na adaptação e no fortalecimento da resiliência e garantindo que o financiamento climático chegue àqueles que estão na linha de frente.

Destaques do relatório:

  • Três em cada quatro refugiados ou pessoas deslocadas por conflitos vivem atualmente em países que enfrentam exposição de alta a extrema aos riscos relacionados ao clima.
  • 250 milhões de deslocamentos internos causados por desastres relacionados ao clima na última década – cerca de 70.000 por dia (2 deslocamentos a cada 3 segundos).
  • 1,2 milhão de refugiados retornaram para casa no início de 2025, metade deles para áreas vulneráveis ao clima.
  • 75% das terras na África estão se deteriorando, com mais da metade dos assentamentos de refugiados em áreas de alto estresse.
  • Quase todos os assentamentos de refugiados atuais enfrentarão um aumento sem precedentes do calor perigoso. Até 2050, os quinze campos de refugiados mais quentes do mundo – localizados na Gâmbia, Eritreia, Etiópia, Senegal e Mali – deverão enfrentar quase 200 dias ou mais de estresse térmico perigoso por ano.
  • Até 2040, o número de países que enfrentam riscos climáticos extremos poderá aumentar de 3 para 65.
  • Desde abril de 2023, quase 1,3 milhão de pessoas que fugiram do conflito no Sudão buscaram refúgio no Sudão do Sul e no Chade, dois países entre os menos equipados para lidar com a crescente emergência climática.

Informações para a imprensa:

Para emissoras, agências de notícias e outros profissionais da mídia: fotos e vídeos b-roll de divulgação.

O novo relatório, No Escape II: The Way Forward (Sem Escapatória II: O Caminho a Seguir), baseia-se na análise do ano passado com novos dados e insights preditivos sobre as soluções necessárias para preencher as lacunas desproporcionais enfrentadas pelas comunidades da linha de frente, incluindo refugiados e pessoas forçadas a fugir. Ele se concentra em soluções práticas e nas ações urgentes necessárias para fortalecer a resiliência onde ela é mais necessária. Para produzir este relatório, o ACNUR fez parceria com 27 organizações especializadas, instituições de pesquisa, atores do setor privado e organizações lideradas por refugiados.

O relatório será lançado oficialmente durante a COP30, em uma coletiva de imprensa com o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, em 10 de novembro de 2020, às 14h30 (horário local). Local: Zona Azul, Sala de Coletivas de Imprensa 1 – Área D.

O ACNUR terá uma equipe sênior na COP30 para garantir que a situação dos deslocados e sua necessidade urgente de proteção, financiamento e apoio sejam incluídas nas discussões e decisões ao longo da cúpula.

Atendimento à imprensa:

Em Genebra: Eujin Byun, [email protected], +41 79 747 8719
Em Belém: Miguel Pachioni, [email protected], +55 61 99914 4049 e Joelle Eid, [email protected], +34 605 98 13 21