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Inclusão de refugiados impulsiona economia e fortalece desenvolvimento local, mostra estudo

Comunicados à imprensa

Inclusão de refugiados impulsiona economia e fortalece desenvolvimento local, mostra estudo

Pesquisa do CEDEPLAR/UFMG e do ACNUR, com apoio do Pacto Global e IFC, mostra que acesso ao mercado de trabalho amplia arrecadação, aumenta produtividade e gera impacto reduzido sobre os serviços públicos
15 Julho 2026
Trabalhadora do ACNUR atende refugiados

São Paulo, 15 de julho de 2026 – Garantir acesso ao mercado formal de trabalho para pessoas refugiadas produz benefícios que vão além da proteção humanitária. Pesquisa inédita conduzida pelo CEDEPLAR/UFMG (Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais) e ACNUR com apoio do Pacto Global da ONU – Rede Brasil e IFC (Corporação Financeira Internacional do Banco Mundial), demonstra que a inclusão econômica dessa população contribui para o crescimento econômico, amplia a arrecadação tributária e fortalece o desenvolvimento dos municípios onde vivem.

O estudo analisou dados nacionais entre 2018 e 2024 sobre mercado de trabalho formal, arrecadação tributária e contas públicas, além de pesquisas de campo com empresas e trabalhadores. Entre os principais resultados, a pesquisa mostra que trabalhadores refugiados alcançam produtividade equivalente à de trabalhadores brasileiros com perfil semelhante de forma imediata em grandes estabelecimentos e na indústria alimentícia. Além disso, apresentam cerca de 16% menos dias de afastamento do trabalho, menor chance de desligamento no início. Considerando o impacto econômico durante o mesmo período, o trabalho de pessoas refugiadas contribuiu com mais de R$ 17 bilhões em tributos e contribuições previdenciárias, enquanto os custos associados à assistência social, educação e saúde permaneceram proporcionalmente baixos nos municípios estudados.

“Os resultados mostram que ampliar o acesso de pessoas refugiadas ao mercado de trabalho significa transformar acolhida em desenvolvimento. Quando essas pessoas encontram oportunidades para reconstruir suas vidas com autonomia, elas passam a contribuir para o crescimento econômico, fortalecem a arrecadação e ajudam a impulsionar o desenvolvimento das comunidades onde vivem. As evidências reforçam que promover inclusão econômica é uma agenda estratégica para o Brasil”

Paulo Sérgio de Almeida, oficial de Meios de vida e inclusão econômica do ACNUR no Brasil

A pesquisa reuniu diferentes frentes de análise para avaliar os impactos da inclusão laboral de pessoas refugiadas no Brasil. Foram utilizados microdados nacionais da RAIS, CAGED, do OBMigra e de outras bases oficiais, combinados com informações sobre assistência social, educação e saúde em Caxias do Sul (RS), Chapecó (SC) e Toledo (PR), além de um questionário com trabalhadores e gestores e entrevistas em profundidade realizadas em empresas dos setores alimentício, têxtil e metalúrgico. A convergência entre diferentes metodologias permitiu construir uma das análises mais abrangentes já realizadas sobre os impactos econômicos e sociais dessa população no país.

“Reunimos dados administrativos nacionais, contas públicas municipais e a escuta direta de empresas e trabalhadores — e todas as frentes apontam na mesma direção: a inserção laboral de pessoas refugiadas e migrantes gera ganhos concretos e mensuráveis para a economia brasileira. Essa população alcança a produtividade de trabalhadores brasileiros de perfil semelhante, contribui de forma expressiva com tributos e previdência e demanda pouco dos serviços públicos municipais”, afirma Carolina Moulin Aguiar, professora do Departamento de Ciências Econômicas da UFMG, pesquisadora do CEDEPLAR e coordenadora geral da pesquisa.

Entre os principais indicadores, o estudo aponta que mais de 275 mil trabalhadores refugiados estavam inseridos no mercado formal em 2024. A pesquisa também mostra que gestores avaliam o desempenho desses profissionais como semelhante ou superior ao de trabalhadores brasileiros em funções equivalentes e identifica que práticas como apoio linguístico, integração estruturada e oportunidades de desenvolvimento profissional favorecem sua permanência e crescimento nas empresas.

Os resultados reforçam o trabalho desenvolvido pelo Fórum Empresas com Refugiados, iniciativa do ACNUR e do Pacto Global da ONU que reúne empresas comprometidas com a inclusão de pessoas refugiadas no mercado de trabalho. A plataforma promove a troca de experiências, dissemina boas práticas e apoia empresas na construção de processos de contratação mais estruturados e inclusivos, fortalecendo a articulação entre setor privado, poder público e sociedade civil.

“Os dados mostram que inclusão deixou de ser apenas uma pauta de compromisso social para se tornar uma decisão estratégica baseada em evidências. O desafio agora é ampliar o número de empresas que transformam esse conhecimento em políticas estruturadas de contratação, desenvolvimento e retenção de talentos refugiados, fortalecendo um mercado de trabalho mais diverso e competitivo”, afirma Gabriela Rozman, Gerente de Educação e Inclusão Produtiva do Pacto Global da ONU - Rede Brasil.

A pesquisa conclui que a inclusão econômica de pessoas refugiadas produz benefícios compartilhados para trabalhadores, empresas, governos e comunidades de acolhida. Ao oferecer evidências inéditas sobre os impactos econômicos e sociais dessa agenda, o estudo busca contribuir para a formulação de políticas públicas e ampliar o engajamento do setor privado na construção de soluções que promovam desenvolvimento sustentável e inclusão socioeconômica.

A pesquisa completa pode ser acessada neste link.

Principais resultados:

  • +R$ 17 bilhões em tributos e contribuições recolhidos entre 2018 e 2024
  • 275 mil trabalhadores refugiados no mercado formal em 2024
  • Produtividade equivalente à de trabalhadores brasileiros de perfil semelhante em todos os setores da economia.
  • 16,1% menos dias de afastamento do trabalho
  • Menor desligamento no início do vínculo: a probabilidade de desligamento é menor nos 5 primeiros meses (32% vs. 35%)
  • Menos de 3% de impacto sobre os gastos municipais com assistência social
  • 100% dos gestores entrevistados avaliaram o desempenho como semelhante ou superior ao de trabalhadores brasileiros