ACNUR na COP30 – Justiça Climática se faz #ComOsRefugiados
ACNUR na COP30 – Justiça Climática se faz #ComOsRefugiados
Danubia Maiara Nunes e suas filhas moraram em uma casa emergencial fornecida pelo ACNUR após terem perdido sua própria casa devido às enchentes de 2024. Atuando em conjunto com os poderes públicos, o ACNUR e parceiros propiciaram treinamento aos servidores públicos e itens de ajuda emergencial às pessoas deslocadas, brasileiras e refugiadas.
O Relatório Tendências Globais do ACNUR aponta que, até o final de 2024, mais de 123 milhões de pessoas foram deslocadas à força devido a conflitos, violência e perseguições.
Em seu mais recente relatório sobre a questão climática (Sem Escapatória II: o Caminho a Seguir), lançado na COP30, o ACNUR revela que, em muitas situações, não há como pessoas deslocadas escapar da dupla ameaça de conflito e das mudanças climáticas, com a situação se deteriorando em 2024: houve 150 eventos climáticos extremos.
Três em cada quatro pessoas forçadas a se deslocar por guerras e perseguições vivem agora em países altamente vulneráveis a riscos relacionados ao clima. Essas comunidades enfrentam uma realidade impossível – elas estão sendo atingidas com mais força por inundações mais devastadoras, secas mais longas e períodos de calor extremo, sem meios para se adaptar, se recuperar e se reconstruir.
O papel do ACNUR
O ACNUR está trabalhando com governos, setor privado por meio do Fórum Empresas com Refugiados, academia via Cátedra Sérgio Vieira de Mello, organizações da sociedade civil e lideradas por refugiados para:
- Incluir as vozes e as necessidades específicas das populações deslocadas e das comunidades anfitriãs nas decisões sobre financiamento climático e políticas públicas. A participação significativa e eficaz é um direito dessas pessoas.
- Proteger pessoas deslocadas em decorrência dos impactos das mudanças climáticas e desastres, aplicando os instrumentos legais existentes no âmbito do direito internacional dos refugiados e dos direitos humanos.
- Investir na construção de resiliência climática onde as necessidades são maiores, especialmente em contextos frágeis e afetados por conflitos.
- Acelerar a redução das emissões de carbono para evitar o aumento das temperaturas globais e prevenir ou minimizar o deslocamento de pessoas.
- Apoiar a construção de dados e evidências sobre os vínculos entre clima e deslocamento, para ser também uma referência no combate à desinformação.
Por que é importante considerar a participação de pessoas refugiadas na COP30?
- A ação climática não diz respeito apenas à proteção do planeta; trata-se de garantir os direitos das pessoas, seus lares, vidas e futuros. A crise climática dificulta encontrar soluções para comunidades deslocadas viverem com dignidade.
- A forma como uma pessoa vivencia a crise climática depende de quem ela é e de onde vive. Vulnerabilidades já existentes são agravadas, e novos riscos surgem durante o deslocamento, inclusive para crianças, idosos e pessoas com necessidades específicas.
- Quase todos os países que acolhem refugiados estão testemunhando como as mudanças climáticas estão agravando os desafios de receber e proteger um número cada vez maior de refugiados.
- Ocorrendo lado a lado com conflitos, violência e perseguições, esses eventos climáticos extremos têm prejudicado gravemente a resiliência das populações vulneráveis.
O ACNUR trabalha para que as pessoas refugiadas estejam integradas e suas perspectivas sejam consideradas nas respostas governamentais em relação aos impactos dos desastres e das mudanças climáticas. Justiça climática só se faz com a efetiva participação das pessoas vulnerabilizadas nos processos de prevenção, mitigação, resposta e soluções sustentáveis.
Programação completa do ACNUR na COP30
Todas as atividades listadas estão informadas com horário local de Belém (PA).
Segunda-feira, 10 de novembro de 2025
14h30 – 15h00
Lançamento Global do relatório Sem Escapatória II: o caminho a seguir
O novo relatório do ACNUR destaca novos dados sobre as interligações entre conflito, deslocamento e eventos climáticos extremos.
Palestrantes: Filippo Grandi, Alto Comissário do ACNUR
Local: Zona Azul, Sala de Coletivas de Imprensa 1 – Área D
14h30 - 16h00
Evento ministerial de alto nível: “O papel fundamental do combate à fome e à pobreza para a justiça climática” – painel e solenidade de adesão à Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, com MDS
Participante: Filippo Grandi, Alto Comissário do ACNUR
Local: Zona Azul, Sala de Eventos Lateral 3 – Área C
15h00 - 16h00
Evento paralelo de alto nível: “Prevenindo e respondendo ao deslocamento interno relacionado a desastres e mudanças climáticas – cumprindo a agenda de ação do Secretário-Geral da ONU”
Palestrantes: Andrew Harper, Assessor Especial do ACNUR para Ação Climática
Local: Zona Azul
16h45 – 18h15
Evento paralelo de alto nível: “Liderando na linha de frente: soluções com refugiados, deslocados internos e migrantes”, com OIM, PNUD, OIT e FAO
Moderador: Alfonso Herrera, Embaixador da Boa Vontade do ACNUR
Palestrantes: Filippo Grandi, Alto Comissário do ACNUR e refugiados engajados na ação climática
Local: Zona Azul, Sala de Eventos Lateral 9 - Área C
Terça-feira, 11 de novembro de 2025
11h00 - 12h30
Painel: “Resposta à emergência climática no Rio Grande do Sul: lições operacionais para ação humanitária e de desenvolvimento inclusivo” com OIM, ONU Brasil e Governo Brasileiro (MDS, MMA, MIDR)
Participantes: Davide Torzilli, Representante do ACNUR no Brasil; Silvia Rucks, Coordenadora Residente da ONU Brasil; Paolo Caputo, Chefe de Missão OIM Brasil; Eduardo Leite, Governador do Rio Grande do Sul e outras autoridades
Local: Zona Azul, Pavilhão da ONU – Área E
15h00 - 16h30
Evento paralelo de alto nível do WFP: “Das promessas à prática: entregando financiamento climático em situações de vulnerabilidade”
Participante: Robert Montinard, liderança refugiada haitiana da delegação do ACNUR
Local: Zona Azul, Sala de Eventos Lateral 3 – Área C
15h00 - 16h30
Painel promovido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima: “Adapta cidades: a participação da sociedade na agenda de adaptação do Brasil”
Participante: Silvia Sander, Oficial de Proteção do ACNUR no Brasil
Local: Zona Verde, Pavilhão Brasil
Quarta-feira, 12 de novembro de 2025
9h00 - 10h30
Diálogo Balanço Ético Global promovido pela Mandi: “Olhos d’Água - da nascente aos rios”
Participante: Gardenia Cooper, indígena Warao refugiada da delegação do ACNUR
Local: Zona Verde, ICS Belém
11h30 - 13h00
Evento paralelo promovido pelo Fundo de Adaptação: “Transformando o Artigo 6 em um catalisador para o financiamento da adaptação: garantindo que os mercados de carbono beneficiem os mais vulneráveis”
Participante: Alfonso Herrera, Embaixador da Boa Vontade do ACNUR
Local: Zona Azul, Sala de Eventos Lateral 8 – Área C
14h30 - 16h00
Painel Balanço Ético Global: “Vozes em movimento: reflexões éticas de comunidades deslocadas”
Participante: Alfonso Herrera, Embaixador da Boa Vontade do ACNUR, e delegação de pessoas refugiadas do ACNUR
Local: Zona Azul, Pavilhão Balanço Ético Global
Quinta-feira, 13 de novembro de 2025
9h00 - 10h30
Painel: “Enraizados na Resiliência: Refugiados Enfrentando Desafios Climáticos”
Participantes: Alfonso Herrera, Embaixador da Boa Vontade do ACNUR, Davide Torzilli, Representante do ACNUR no Brasil; delegação de pessoas refugiadas do ACNUR, e representantes das organizações IEB e IMDH
Local: Zona Azul, Pavilhão da ONU – Área E
13h00 - 14h00
Painel: “Transição Justa: caminhos inclusivos para refugiados e migrantes – Conectando Ação Climática, Mobilidade Humana e Resiliência”
Participantes: Andrew Harper, Assessor Especial do ACNUR para Ação Climática, e Robert Montinard, haitiano membro da delegação de refugiados do ACNUR
Local: Zona Azul, Pavilhão da OIT – Área C
Sexta-feira, 14 de novembro de 2025
9h00 - 12h00
Evento: “Mudanças climáticas e mobilidade humana: reflexões éticas na COP30”, com UFPA, CSVM, RESAMA, GAIN, Cúpula dos Povos
Participantes: Davide Torzilli, Representante do ACNUR no Brasil; delegação de pessoas refugiadas do ACNUR; Presidência da COP30/Balanço Ético Global; Reitor da UFPA e demais autoridades acadêmicas
Local: Universidade Federal do Pará (UFPA) - Auditório ICSA
13h00 - 14h30
Painel promovido pelo Ministro de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS): “Mudanças Climáticas, Desigualdades e Direitos: Proteção Social como Pilar da Justiça Climática”
Participantes: Silvia Sander, Oficial de Proteção do ACNUR no Brasil; representantes de OIM, UNICEF, UNFPA e governo brasileiro (MDS)
Local: Zona Azul, Pavilhão da ONU – Área E
Sábado, 15 de novembro de 2025
13h00 - 14h30
Sessão sobre o jogo Clima Tenso, com Visão Mundial e MDS, e sessão pocket do Mural do Clima/Conscientização, com Mawon
Participantes: Silvia Sander, Oficial de Proteção do ACNUR Brasil, Yana Lima, Assessora de Comunicação do ACNUR Brasil; Robert Montinard (Mawon, refugiado haitiano); representantes do MDS e Visão Mundial
Local: Zona Azul, Pavilhão da ONU – Área E
17h00 - 18h30
Painel: “Riscos interseccionais: mudanças climáticas, deslocamento e tráfico de pessoas” - lançamento de guia conceitual sobre mudanças climaáticas e deslocamento do ACNUR e de guia técnico do UNODC
Palestrante: Miguel Pachioni, Oficial de Comunicação do ACNUR Brasil e representante do UNODC Brasil
Local: Zona Azul, Pavilhão da ONU – Área E
Vozes refugiadas na COP30
Jogo educativo CLIMA TENSO
Um jogo para educadores e mediadores culturais abordarem o deslocamento forçado e as mudanças climáticas de forma lúdica, informativa e crítica com jovens e adolescentes.
Chamados para a ação #ComOsRefugiados
Apoiar comunidades deslocadas e seus anfitriões na liderança a partir das linhas de frente.
Garantir que as políticas e os planos climáticos sejam desenvolvidos em consulta com refugiados, reconhecendo suas contribuições.
Ampliar o acesso equitativo ao financiamento climático para refugiados e seus anfitriões, especialmente em contextos frágeis e afetados por conflitos.
Acelerar ações climáticas inclusivas e sensíveis a conflitos em áreas que acolhem pessoas deslocadas.
Publicações relacionadas a mudanças climáticas e deslocamento humano
Olhando para o Futuro
A COP30 não é o ponto final. Os resultados alimentarão a Revisão de Progresso do Fórum Global sobre Refugiados, que será realizado em dezembro de 2025 na cidade de Genebra, onde governos e parceiros renovarão compromissos com ações climáticas inclusivas para pessoas deslocadas.
Junte-se a nós na COP30 e além – para garantir que ninguém seja deixado para trás na crise climática. #JusticaClimatica #ComOsRefugiados