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ACNUR lança na COP30 primeiros projetos de financiamento de carbono em grande escala liderados por refugiados

Comunicados à imprensa

ACNUR lança na COP30 primeiros projetos de financiamento de carbono em grande escala liderados por refugiados

Meta para os primeiros 10 anos é restaurar mais de 100 mil hectares de terra e expandir o acesso à energia limpa para 1 milhão de pessoas
13 Novembro 2025
centro de sustentabilidade em Boa Vista

Refugiados voluntários trabalham em um projeto agroecológico em um centro de sustentabilidade em Boa Vista (RR)

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) lançou nesta quinta-feira, 13, o Fundo de Proteção Ambiental para Refugiados (Refugee Environmental Protection - REP Fund), a primeira iniciativa financeira de grande escala do mundo voltada para os refugiados e centrada no carbono. O Fundo apoiará reflorestamento, cozinhas sustentáveis e empregos verdes que associam a recuperação ambiental a meios de subsistência sustentáveis e resultados em termos de proteção.

“O Fundo REP nos permite investir no meio ambiente, criar condições mais seguras e dar às comunidades um interesse real na proteção da terra da qual dependem”, disse Siddhartha Sinha, chefe de Financiamento Inovador do ACNUR. “Os refugiados muitas vezes vivem na linha de frente de condições climáticas extremas, enfrentando inundações, secas e a perda de recursos naturais vitais.”

Os primeiros projetos do Fundo, lançados em Uganda e Ruanda, marcam o primeiro passo em direção à meta de 10 anos da iniciativa de restaurar mais de 100 mil hectares de terra e expandir o acesso à energia limpa para 1 milhão de pessoas.

Em Uganda, o país africano que mais acolhe refugiados, o Fundo REP planeja restaurar cerca de 6 mil hectares de terras degradadas nos assentamentos de refugiados de Bidibidi e Kyangwali, envolvendo cooperativas locais na produção de mudas e no manejo florestal e introduzindo soluções energéticas domésticas mais limpas para reduzir a dependência da lenha. Espera-se que esses esforços reduzam mais de 200 mil toneladas de CO₂ anualmente, fortaleçam os sistemas de alimentos e água e criem milhares de empregos verdes para refugiados e membros da comunidade anfitriã.

No campo de refugiados de Kigeme, no Ruanda, situado na Fenda Albertina — um dos principais pontos críticos de biodiversidade da África —, o programa deverá reabilitar cerca de 600 a 800 hectares de encostas e zonas degradadas, introduzir soluções de cozinha mais limpas e seguras para mais de 15 mil pessoas e criar empregos verdes de longo prazo na gestão de viveiros, conservação do solo e serviços de energia doméstica.

Os ganhos ambientais e sociais serão monitorados e verificados, acompanhando as reduções de carbono e os resultados em termos de biodiversidade, solo, água e meios de subsistência. As receitas da venda de créditos de carbono serão reinvestidas de forma transparente em projetos comunitários, garantindo que os refugiados e as comunidades de acolhimento partilhem os benefícios ambientais e econômicos e que o impacto do Fundo continue a crescer ao longo do tempo.

Os refugiados e as comunidades anfitriãs liderarão a implementação, adquirindo habilidades e empregos no plantio de árvores, gestão de viveiros e produção de fogões limpos. Esses projetos reduzirão a fumaça nas casas, economizarão tempo e restaurarão os sistemas de solo e água, ao mesmo tempo em que construirão economias verdes locais e reduzirão os riscos de proteção relacionados à coleta de lenha e à degradação ambiental.

Além disso, o Fundo já está explorando oportunidades para expandir esse trabalho no Brasil (Roraima) e em Bangladesh (Cox’s Bazar). No extremo norte do Brasil, o Fundo está lançando um projeto na Terra Indígena São Marcos, uma área de 650 mil hectares de floresta amazônica. Lar de 21 mil indígenas e refugiados indígenas venezuelanos, a área está perdendo árvores e solo superficial rapidamente. Sem ação, ecossistemas frágeis e meios de subsistência podem entrar em colapso. O projeto restaurará a terra para proteger tanto a natureza quanto a vida da comunidade na Amazônia.

“Ao integrar comunidades deslocadas à força em mercados financeiros verificados, o Fundo REP demonstra que os contextos humanitários não são apenas beneficiários de financiamento, mas participantes ativos em soluções globais”, disse Pilar Pedrinelli, líder do Fundo REP no ACNUR.

Em todas as áreas que acolhem refugiados, quase 25 milhões de árvores são cortadas a cada ano para servir de combustível para cozinhar. Esse desmatamento enfraquece o solo, agrava as enchentes e as secas e torna a agricultura menos produtiva. Mulheres e crianças também precisam caminhar mais para coletar lenha, muitas vezes correndo riscos pessoais. O Fundo REP visa reverter essa tendência restaurando florestas, expandindo a energia limpa e usando o financiamento de carbono para apoiar as famílias que trabalham para reconstruir a terra da qual dependem.

Nota para editores:

O Fundo de Proteção Ambiental para Refugiados (REP) é uma iniciativa financeira inovadora no âmbito da Estratégia de Respostas Sustentáveis do ACNUR. Ao mobilizar financiamento de carbono e investimento de impacto, integra as populações deslocadas nos sistemas nacionais e proporciona resultados combinados em termos ambientais, de meios de subsistência e de proteção. A implementação de projetos-piloto no Uganda e no Ruanda será liderada por consórcios especializados com experiência em reflorestamento, tecnologias de cozinha sustentável e desenvolvimento do mercado de carbono, sob a supervisão das autoridades nacionais.

Apoiado pela Noruega, Dinamarca e parceiros do setor privado, incluindo DLA Piper e Oliver Wyman, o Fundo REP combina investimentos públicos e privados para desbloquear novos financiamentos para a recuperação ambiental em contextos de deslocamento. As receitas da venda de créditos de carbono verificados serão reinvestidas em projetos liderados pela comunidade, garantindo que tanto os refugiados quanto as comunidades anfitriãs se beneficiem diretamente dos ganhos ambientais e financeiros.

Atendimento à imprensa:
Em Genebra, Eujin Byun, [email protected], +41 79 747 8719
Em Belém, Joelle Eid, [email protected], +34 605 98 13 21