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Esperança em campo: conheça jogadores refugiados que disputarão a Copa do Mundo de 2026

Histórias

Esperança em campo: conheça jogadores refugiados que disputarão a Copa do Mundo de 2026

Do campo de refugiados ao campo de futebol: pelo menos sete atletas convocados para o torneio mundial masculino tiveram de deixar tudo para trás em busca de segurança. Suas trajetórias mostram como proteção, acolhimento e oportunidades podem transformar vidas
10 Junho 2026
Pintura do Gamechanging Team

Esta obra de arte, pintada pela artista Carling Jackson, retrata o “Gamechanging Team” do ACNUR, equipe simbólica de jogadores marcados pelo deslocamento forçado. Vários dos integrantes foram de fato convocados para a Copa do Mundo

Entre os atletas que entrarão em campo na Copa do Mundo de 2026 estão jogadores cujas trajetórias começaram em campos de refugiados, em famílias que fugiram da guerra, em processos de adaptação após o deslocamento forçado. São exemplos de que, quando encontram segurança e oportunidades, pessoas refugiadas podem reconstruir suas vidas, desenvolver talentos e alcançar seus sonhos.

Jogadores refugiados que disputarão a Copa do Mundo

O ACNUR criou o Gamechangers Team, uma seleção fictícia formada por jogadores refugiados. Vários dos integrantes foram convocados para a Copa do Mundo

Pelo menos sete refugiados foram convocados para a Copa: Alphonso Davies (jogando pelo Canadá), Antonio Rüdiger (pela Alemanha), Ermedin Demirović (pela Bósnia e Herzegovina), Ali Al-Hamadi (pelo Iraque), Mohamed Touré, Nestory Irankunda e Awer Mabil (todos pela Austrália).

Para celebrar trajetórias como essas, o ACNUR, Agência da ONU para Refugiados, criou o Gamechanging Team, uma seleção simbólica formada por atletas com experiências de deslocamento forçado. A iniciativa busca destacar o potencial de milhões de crianças e jovens refugiados e reforçar uma mensagem simples: com segurança, acolhimento e oportunidades, sonhos podem se tornar realidade.

Conheça os atletas refugiados que jogarão na Copa de 2026:

1) Alphonso Davies: embaixador da Boa Vontade do ACNUR e capitão do Canadá

Jogador de futebol Alphonso Davies

Alphonso Davies, embaixador da Boa Vontade do ACNUR, jogador do FC Bayern de Munique e capitão da seleção canadense, promove o apoio aos refugiados em todo o mundo

Capitão da seleção canadense, o lateral esquerdo Alphonso Davies nasceu em um campo de refugiados em Gana. Seus pais haviam fugido da guerra civil na Libéria antes de serem reassentados no Canadá. Hoje, ele é um dos jogadores mais reconhecidos do futebol mundial e lidera a seleção anfitriã da Copa de 2026.

“Nós (refugiados) mostramos o que é possível quando crianças encontram segurança e oportunidade”, afirmou Davies, que é embaixador da Boa Vontade do ACNUR. Para ele, compartilhar sua trajetória é uma forma de transmitir esperança a jovens que enfrentam situações semelhantes.

2) Antonio Rüdiger: orgulho das raízes e compromisso com o futuro

Jogador Antonio Rüdger

Antonio Rüdger é jogador do Real Madrid e jogará pela Alemanha na Copa de 2026

Os pais de Antonio Rüdiger deixaram Serra Leoa em busca de segurança e de uma nova vida na Alemanha. Anos depois, o zagueiro se tornou um dos pilares da seleção alemã.

“Representar a Alemanha é algo que carrego com muito orgulho. Isso também vem acompanhado de uma responsabilidade: gerar impacto dentro e fora dos gramados”, disse. Além da carreira esportiva, Rüdiger apoia iniciativas voltadas para educação, saúde e inclusão de crianças e jovens afetados pelo deslocamento.

3) Mohamed Touré: quando o esporte cria pertencimento

O jogador Mohamed Touré

Mohamed Touré, jogador profissional de futebol pelo Norwich City e pela seleção australiana, apoia o ACNUR na divulgação e na defesa das pessoas deslocadas em todo o mundo

Mohamed Touré nasceu na Guiné após sua família fugir do conflito em Serra Leoa. Reassentado na Austrália ainda criança, encontrou no futebol um caminho para construir vínculos, confiança e novas perspectivas.

Hoje, o centroavante representa a seleção australiana e vê sua própria história como uma mensagem de incentivo para outros jovens refugiados. “Minha família chegou à Austrália como refugiada. O esporte me deu liberdade, confiança e um senso de pertencimento. Espero que minha história mostre aos jovens refugiados que o lugar onde você começa a vida não determina o que pode conquistar”, conta ele, que é apoiador do ACNUR.

4) Nestory Irankunda: esperança que nasce em campo

O jogador Nestory Irankunda

Nestory Irankunda, jogador do Watford, integrante da seleção australiana

Companheiro de Touré na seleção australiana, o ponta-direita Nestory Irankunda nasceu em um campo de refugiados na Tanzânia depois que sua família precisou fugir da violência na República Democrática do Congo.

Reassentado na Austrália, transformou seu talento em uma carreira promissora e chega à Copa do Mundo como um dos jovens destaques do país. A trajetória dele é um exemplo do papel que o esporte pode desempenhar na inclusão e no desenvolvimento de crianças e adolescentes forçados a se deslocar.

5) Awer Mabil: do campo de Kakuma aos gramados da Copa do Mundo

O jogador Awer Mabil

Awer Mabil joga pelo Club Deportivo Castellón e estará na Copa pela seleção australiana

A trajetória de Awer Mabil começou no campo de refugiados de Kakuma, no Quênia, onde viveu após sua família fugir do conflito no Sudão do Sul. Anos depois, reassentado na Austrália, o ponta-esquerda encontrou no futebol uma oportunidade de construir um novo futuro e desenvolver seu talento.

Hoje jogador do CD Castellón e integrante da seleção australiana, Mabil já representou seu país em Copas do Mundo e continua sendo uma referência para jovens refugiados ao redor do mundo. Para ele, o futebol teve um papel muito grande desde cedo: “Crescer em um campo de refugiados fez com que o futebol fosse mais do que um jogo para mim — era liberdade e esperança. Para os jovens refugiados de hoje, o futebol pode inspirá-los a imaginar um futuro melhor”.

6) Ermedin Demirović: história de recomeço que atravessa gerações

O jogador Ermedin Demirović

Ermedin Demirović é atacante no VfB Stuttgart e estará na Copa pela seleção bósnia

Atacante da Bósnia e Herzegovina, Ermedin Demirović nasceu na Alemanha após seu pai fugir da guerra na antiga Iugoslávia. Agora, ao representar a seleção bósnia na Copa do Mundo, ele carrega consigo uma história familiar de resiliência e reconstrução.

“Meu pai fugiu da Bósnia durante a guerra e eu nasci na Alemanha. Representar a Bósnia e Herzegovina em sua segunda Copa do Mundo me enche de orgulho”, relatou o jogador.

7) Ali Al-Hamadi: na primeira Copa do Mundo de seu país em 40 anos

O jogador Ali Al-Hamadi

Ali Al-Hamadi, jogador de futebol profissional que fugiu do conflito no Iraque e agora joga pelo Luton Town e pela seleção iraquiana, apoia o ACNUR na defesa das pessoas deslocadas

Atacante do Luton Town FC e da seleção do Iraque, Ali Al-Hamadi tinha apenas um ano de idade quando sua família deixou o país em busca de proteção no Reino Unido. Crescendo entre duas culturas, ele manteve uma forte ligação com suas origens e, anos depois, ajudou a escrever um capítulo histórico para o futebol iraquiano.

Em março de 2026, Al-Hamadi marcou um dos gols na vitória sobre a Bolívia que garantiu ao Iraque a primeira classificação para uma Copa do Mundo em 40 anos. O atacante também integra a lista oficial de convocados para o torneio. “Meus pais fugiram do Iraque quando eu era muito pequeno. Arrumaram tudo, um novo país, um novo idioma. Devo tudo a eles. Quero lembrar às pessoas que sempre há luz no fim do túnel”, relatou o apoiador do ACNUR.

O poder do esporte para transformar vidas

Em um momento em que mais de 117 milhões de pessoas vivem deslocadas à força em todo o mundo, histórias como as de Davies, Rüdiger, Touré, Irankunda, Mabil, Demirović e Al-Hamadi mostram o que é possível quando pessoas que foram obrigadas a fugir encontram proteção e a chance de recomeçar.

Para milhões de crianças e jovens refugiados em todo o mundo, o esporte pode representar muito mais do que uma atividade recreativa. Pode ser uma ferramenta de inclusão, recuperação emocional, construção de autoestima e fortalecimento de laços comunitários.

Você pode apoiar pessoas refugiadas por meio de uma doação ao ACNUR.

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