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Copa de los Refugios movimenta comunidades em Boa Vista

Histórias

Copa de los Refugios movimenta comunidades em Boa Vista

56 atletas venezuelanos participaram do torneio realizado para marcar o Dia Mundial do Refugiado
3 Julho 2026
Pessoa participante de uma partida de futsal em uma quadra coberta, com um pé apoiado sobre a bola próximo à linha central. A pessoa veste camisa estampada em laranja e roxo, shorts brancos, meias pretas e chuteiras pretas. Ao fundo, atrás de uma grade verde, há um grande público acompanhando o jogo. Na lateral da quadra, outra pessoa com uniforme rosa está posicionada próxima à área de jogo. A quadra é iluminada pela luz natural, com árvores visíveis ao fundo.

Times femininos e masculinos dos abrigos da Operação Acolhida participaram da segunda edição do torneio que desta vez estava em clima de Copa do Mundo 

As cordas vocais de Yudilla estavam em dia. E foram muito bem usadas nos jogos da Copa de los Refugios, em Boa Vista. Ela era, sem sombra de dúvidas, a torcedora mais apaixonada e entusiasmada da arquibancada no primeiro dia do torneio.

Mulher indígena venezuelana de camiseta amarela segura um celular na mão direita e com a mão esquerda na testa, torcedora sofre pela partida de futebol

Enquanto torcia (e sofria) pelo seu time, Yudilla também transmitia ao vivo pelo celular

De volta ao ginásio no sábado, dessa vez Yudilla tinha ainda mais motivos para torcer. Sua filha, Yuliannyz Maria era uma das atletas que jogava pelo time do abrigo Tuaranoko.

“Foi espetacular! Maravilhoso! Minha filha estava jogando, ela adora jogar futebol e fez três gols”, vibra.

Duas pessoas posam diante de um painel de patrocinadores da Copa de Futebol de Refugiados 2026. Uma pessoa à esquerda veste uma camiseta branca com a ilustração de um panda e faz um gesto de coração com as mãos. A pessoa à direita veste uniforme esportivo branco e azul e faz um gesto com a mão em direção à câmera. Ao fundo, há um painel quadriculado azul e branco com os logotipos da AVSI Brasil, ACNUR e da Copa de los Refugiados, além de imagens de bolas de futebol.

Mãe e filha estavam animadas com a vitória no fim do campeonato

Futebol mobiliza pessoas, mexe com emoções e reúne diversas culturas. Não foi diferente na Copa de los Refugios, realizada na capital de Roraima nos dias 18 e 20 de junho de 2026, no marco do Dia Mundial do Refugiado. A ação foi organizada pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Força Tarefa Logística Humanitária da Operação Acolhida, AVSI Brasil e Klabu.

Seis times formados por pessoas refugiadas que estão vivendo temporariamente em abrigos da Operação Acolhida disputaram o troféu no ginásio da Praça Treze de Setembro. Na primeira tarde, jogaram os times masculinos dos abrigos Jardim Floresta, Rondon 1, Rondon 5 e Tuaranoko. No sábado foi a vez dos times femininos dos abrigos Tuaranoko e Rondon 1 e a final masculina entre os classificados Tuaranoko e Jardim Floresta.

As equipes que levantarem os troféus da vitória foram do abrigo Tuaranoko, tanto masculino quanto feminino. Todos os atletas receberam medalhas de participação. Julio Cesar, indígena da etnia Warao, jogou na equipe masculina vencedora e contou como foi a trajetória na copa.

“Primeiro vencemos uma luta entre oito times dos abrigos, depois chegamos à semifinal e agora à final. Tínhamos um objetivo conjunto e somos unidos. Viva o Tuaranoko!”, comemora.

Grupo de nove atletas posa para uma foto em frente a um painel da Copa de los Refugiados 2026, com logotipos da AVSI Brasil, ACNUR e parceiros do evento. Os participantes vestem uniformes esportivos azul-marinho com estampas coloridas e usam medalhas no pescoço. Uma pessoa agachada ao centro segura um troféu dourado, enquanto as demais se posicionam ao redor para a foto. A imagem foi registrada em uma quadra esportiva coberta, com piso vermelho e cerca de proteção ao fundo.

Julio Cesar segura o troféu do Tuaranoko junto aos companheiros de time

A Copa de los Refugios não mobilizou apenas os atletas e a torcedora Yudilla. As arquibancadas estavam cheias de familiares e amigos. Dava para ver também pessoas curiosas que passavam pela praça e ficavam para assistir. O esporte é uma ferramenta valiosa de inclusão e convivência pacífica entre comunidades refugiadas e de acolhida, neste caso, venezuelanos e brasileiros.

“Estamos vivenciando aqui algo muito além do esporte ou do futebol. Estamos celebrando a inclusão social. Este torneio evidencia a integração, o recomeço das pessoas que tiveram que sair de seus países e estão hoje no Brasil contribuindo para nossa sociedade e reconstruindo suas histórias” destaca o chefe de escritório do ACNUR em Boa Vista, Rafael Levy.

O casal Melania e Lolis jogaram junto no mesmo time. Melania conta que trouxe a família para assistir. “Eu gosto muito de jogar futebol desde pequena e foi muito bom jogar junto com a Lolis. Tudo foi muito bom!”, celebra.

Grupo de atletas posa para foto em frente a um painel da Copa de Futebol de Refugiados 2026, com logotipos da AVSI Brasil, ACNUR e organizações parceiras. Participantes usam medalhas e uniformes esportivos em tons de branco, rosa e azul. No centro da imagem, duas atletas seguram juntas um troféu dourado, enquanto as demais se organizam ao redor para o registro. A foto foi tirada em uma quadra esportiva coberta com piso vermelho e cercamento metálico ao fundo.

Melania e Lolis seguram juntas o troféu de primeiro lugar da Copa de Los Refugios segundos antes da comemoração com o time completo

Além das quatro linhas

Quando o assunto é inclusão de pessoas refugiadas, o Brasil tem uma legislação de vanguarda que permite que as pessoas refugiadas sejam documentadas ao chegar no território nacional e possam acessar sistemas de saúde, educação, abrir contas em bancos e buscar oportunidades no mercado de trabalho. A Operação Acolhida, resposta humanitária do Governo Federal para o fluxo migratório de venezuelanos na fronteira entre os dois países, é também um exemplo de iniciativa bem-sucedida.

“Somos uma referência internacional em acolhimento e inclusão de pessoas refugiadas. É também no esporte que a Operação Acolhida promove ações de integração por meio de várias modalidades, do xadrez ao basquete para cadeirantes. Ao lado do ACNUR, estamos fortalecendo estratégias de sucesso para que pessoas refugiadas possam se conectar em comunidade, gerando pertencimento e dando o primeiro passo de integração com a sociedade brasileira” ressalta o Tenente-Coronel Magno Lopes, chefe da Assessoria de Comunicação da Operação Acolhida.

Golaço coletivo

A ideia de realizar a Copa de los Refugios foi abraçada por várias pessoas e organizações. As partidas finais do torneio contaram com a arbitragem do venezuelano Johan Marcano Rojas, árbitro da Federação Roraimense de Futebol de Salão. Fizeram parte da equipe de arbitragem também Damosiel Lacerda de Alencar Júnior, Hernane Silva Ferreira e Michael Barros Costa.

Pessoa vestindo camisa esportiva rosa e preta aponta com o braço estendido durante uma partida ou atividade esportiva em quadra coberta. A imagem foi registrada de baixo para cima, destacando o gesto de orientação. Na outra mão, a pessoa segura um pequeno objeto escuro, possivelmente um apito. Ao fundo, aparecem a estrutura metálica do teto e luminárias da quadra, desfocadas pela profundidade de campo.

Marcano é o único árbitro venezuelano da Federação Roraimense de Futebol de Salão

As narrações dos jogos foram feitas pelos indígenas Warao Yumelis Lopez e Hermes Mariano, que faz parte do comitê de esportes dos abrigos, é voluntário da Klabu e já foi locutor de rádio.

Pessoa segura um microfone e fala próxima à grade de uma quadra esportiva coberta. Ao fundo, várias pessoas acompanham a atividade, algumas sentadas e outras em pé junto ao alambrado. A imagem foi registrada em ambiente interno com iluminação natural, destacando a pessoa em primeiro plano enquanto o restante do público aparece desfocado.

Yumelis estuda Gestão Territorial Indígena na Universidade Federal de Roraima e se diz uma radialista aprendiz.

“Estamos no segundo ano consecutivo apoiando esta atividade aqui em Boa Vista e é muito importante para nós que refugiados e migrantes possam estar ocupando os espaços da cidade como forma de integração”, comenta Marvin Edwards, oficial do projeto Klabu Club House na AVSI Brasil.