Com apoio do ACNUR, município de Nova Iguaçu (RJ) acolhe mães e crianças venezuelanas
Com apoio do ACNUR, município de Nova Iguaçu (RJ) acolhe mães e crianças venezuelanas
Maria José chegou a Nova Iguaçu (RJ) há três meses com as filhas Jazmin, de seis anos, e Jorgelys, de três
O município de Nova Iguaçu (RJ) ganhou um reforço no acolhimento de pessoas venezuelanas que chegam pelo processo de interiorização. Nesta quarta-feira, 1/7, por meio de acordo assinado com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS) formalizou o recebimento de uma série de doações que incluem materiais de construção e reforma, eletrodomésticos, móveis e utensílios domésticos. As doações foram destinadas a duas casas de acolhimento para pessoas venezuelanas – uma que recebe pessoas idosas e outra, mães que chegam sozinhas com suas crianças.
“Em nome do ACNUR, agradeço à Prefeitura de Nova Iguaçu pela parceria construída ao longo dos últimos anos e pelo compromisso extraordinário com a proteção e a integração de pessoas refugiadas”, destacou a representante adjunta do ACNUR no Brasil, Maria Eliana Barona. “Muitas vezes, falamos em políticas públicas, programas e projetos. Mas, no final das contas, são pessoas que fazem a diferença, que tomam decisões corajosas, que escolhem agir. E foi exatamente isso o que Nova Iguaçu fez quando decidiu acolher pessoas idosas refugiadas, quando decidiu apoiar mulheres que chegam ao Brasil sozinhas com seus filhos.”
“Para nós, é de suma importância a parceria de muitos anos com o ACNUR não apenas com estrutura material para acolhimento, mas também com capacitações, treinamentos e assessoria para a logística e a organização dos espaços de acolhimento”, completou a Secretária de Assistência Social de Nova Iguaçu, Elaine Medeiros. “Os insumos que recebemos nos permitiram oferecer um espaço digno para receber essas pessoas. Hoje, só temos a agradecer por toda a parceria e apoio”, destacou.
Acordo assinado entre ACNUR e Secretaria Municipal de Assistência Social de Nova Iguaçu (RJ) destinou doações a casas de acolhimento para pessoas venezuelanas idosas e mães sozinhas com crianças
Oportunidade de recomeço
De 2018 ao primeiro semestre de 2026, mais de 161 mil pessoas venezuelanas participaram do processo voluntário de realocação de Boa Vista para outros municípios do Brasil, que oferecem melhores condições para a integração socioeconômica. Esse processo, conhecido como “interiorização”, possui diferentes modalidades, entre elas, a institucional – quando uma pessoa que está em um abrigo em Boa Vista vai para outro local de acolhimento, em outro município.
Nova Iguaçu, na baixada fluminense, é um município que se destaca no acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, referência no relatório Cidades Solidárias Brasil. Atualmente, além de manter uma casa de acolhida específica para pessoas refugiadas e migrantes idosas, possui local destinado exclusivamente para mães que chegam ao Brasil sozinhas com suas crianças.
Maria José Hernández é uma das quatro mulheres que estão acolhidas atualmente no espaço. Ela chegou ao Brasil em outubro e há três meses está em Nova Iguaçu com suas duas filhas – Jazmin, de seis anos, e Jorgelys, de três. Ela descreve a experiência como um refrigério depois de tudo o que passou com as filhas, desde a saída da Venezuela.
“Esse lugar é maravilhoso, muito tranquilo, tem muita paz. Aqui temos cama confortável, temos comida, temos tudo. Minhas filhas já falavam que não queriam mais se mudar, depois de termos passado por tantos lugares, e aqui temos condições para permanecer, descansar, e recomeçar nossas vidas”, conta Maria José. Ela também comemora o fato de a filha mais velha ter voltado a estudar e de a mais nova poder iniciar a creche no próximo ano. Em Roraima, por não ter rede de apoio, ela lembra que precisava levar as duas para o trabalho. “Nossa vida está se organizando mais agora. Tenho planos de permanecer no Brasil, começar a trabalhar, comprar uma casa, seguir nossa vida aqui”, planeja.
Desde que o grupo de Maria José chegou à casa, algumas mulheres conquistaram autonomia e deixaram o abrigo. A Cáritas RJ, por meio do Programa de Atendimento a Refugiados e Solicitantes de Refúgio (PARES), tem sido um parceiro importante nesse processo.
“Temos realizado algumas ações no espaço, voltadas para documentação, atendimento com assistência social, acesso a serviços como saúde e educação. Também temos levado até nossa sede para apoiar na parte da empregabilidade, formulando currículo e vento oportunidades de capacitação”, explica a coordenadora de Integração Local do PARES Cáritas RJ, Karla Ellwein.
Atualmente, o local acolhe quatro mães e 17 crianças. As doações foram possíveis graças ao apoio recebido pelo ACNUR do Governo do Japão.