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Ataques na Ucrânia se intensificam: ACNUR pede apoio a refugiados devastados pela guerra 

Notas informativas

Ataques na Ucrânia se intensificam: ACNUR pede apoio a refugiados devastados pela guerra 

Com a intensificação dos ataques russos e a aproximação do inverno, o ACNUR alerta para o agravamento da crise humanitária na Ucrânia, onde milhões de pessoas seguem deslocadas ou dependem de assistência. A agência pede que a comunidade internacional mantenha o apoio a refugiados e deslocados internos diante do aumento das necessidades e dos riscos enfrentados pela população civil
27 Outubro 2026
Pessoas avaliam os danos em prédios residenciais em Kharkiv após ataques aéreos em 2 de outubro de 2026

Pessoas avaliam os danos em prédios residenciais em Kharkiv, na Ucrânia, após ataques aéreos em 2 de outubro de 2026 

GENEBRA – Com a aproximação de um inverno sombrio e a intensificação dos ataques russos em toda a Ucrânia, que atingem estruturas civis e humanitárias e provocam deslocamentos dentro do país, o ACNUR apela à comunidade internacional para que mantenha o rumo e continue apoiando tanto aqueles que permanecem quanto os que encontraram refúgio.

Os ataques contra a Ucrânia são incessantes, ocorrem dia e noite e têm como alvo infraestruturas energéticas críticas. Isso pode provocar cortes prolongados de energia, deixando milhões de pessoas sem aquecimento e eletricidade e com acesso limitado à água e a outros itens essenciais.

O aumento dos ataques com mísseis de longo alcance e drones significa que não há lugar seguro na Ucrânia. Os civis, inclusive os que estão longe da linha de frente, enfrentam ameaças à sua segurança e às suas casas e muitas vezes têm dificuldade para acessar serviços.

O ACNUR, junto com uma sólida rede de ONGs parceiras ucranianas, continua oferecendo assistência emergencial e proteção, incluindo apoio com abrigo, assistência jurídica, aconselhamento em saúde mental e assistência em dinheiro.

No entanto, o ACNUR e seus parceiros sofreram repetidos ataques que afetaram funcionários, veículos e instalações. Entre 1º de setembro e 14 de outubro, 10 incidentes de segurança afetaram funcionários ou parceiros do ACNUR. Entre eles houve ataques aéreos e com drones contra equipes, escritórios e armazéns humanitários, ou nas proximidades deles, e contra veículos claramente identificados como de entrega de ajuda. Esses ataques colocaram em risco os trabalhadores humanitários e danificaram recursos essenciais para a prestação de assistência. O ACNUR pede à Federação Russa que cesse os ataques contra civis e reitera que os trabalhadores e recursos humanitários devem ser protegidos e não tratados como alvos.

Espera-se que o deslocamento interno continue, já que as evacuações das áreas da linha de frente aumentaram significativamente. Desde janeiro de 2026, mais de 136.000 pessoas evacuadas foram recebidas no conjunto dos centros de trânsito apoiados pelo ACNUR. Isso representa cerca de 70% a mais do que as quase 80.000 que passaram por locais em comunidades da linha de frente durante 2025. Esse número representa apenas uma parte do total de evacuados das áreas da linha de frente, pois muitas pessoas não buscam apoio nas instalações de trânsito.

Muitas das pessoas forçadas a fugir estão em situação de especial vulnerabilidade: quase 40% são idosas, e um número significativo são pessoas com deficiência. Ao todo, 10,8 milhões de pessoas dentro da Ucrânia precisam de assistência humanitária.

Ao mesmo tempo, quase 5,2 milhões de refugiados da Ucrânia permanecem em toda a Europa. Quando a guerra eclodiu em 2022, os países europeus responderam com extraordinária solidariedade, oferecendo a milhões de pessoas acesso imediato a proteção e assistência.

A Proteção Temporária e mecanismos semelhantes deram a milhões de refugiados acesso rápido a status legal, direitos e serviços. Com o tempo, a resposta passou da assistência emergencial para o acesso ao emprego, a inclusão nos serviços nacionais e o apoio para que os refugiados se tornem mais autossuficientes.

O avanço rumo à inclusão de longo prazo nos sistemas nacionais é visível. Segundo uma pesquisa interagencial divulgada ontem, em 2025, 67% dos refugiados ucranianos adultos em nove países estavam empregados e 84% das crianças refugiadas estavam matriculadas em escolas nacionais. Esses dados mostram que é possível avançar quando os refugiados têm a oportunidade de contribuir para as sociedades que os acolhem.

O aumento do emprego entre refugiados está contribuindo para a oferta de mão de obra, o consumo local e a arrecadação de impostos. Uma pesquisa recente da Deloitte constatou que, em 2025, os refugiados ucranianos geraram 2,4% do PIB da Polônia, o equivalente a cerca de US$ 24,4 bilhões.

Ao mesmo tempo, após quatro anos e meio de deslocamento, surgem sinais de cansaço, à medida que aumentam as pressões sobre os países e comunidades de acolhida. Com a retórica e a hostilidade contra refugiados em ascensão em partes da Europa, é fundamental manter a solidariedade e o apoio tanto aos refugiados quanto às comunidades que os acolhem.

Muitos refugiados ucranianos continuam com dificuldade para encontrar moradia acessível ou um emprego compatível com suas competências e qualificações. Idosos, pessoas com deficiência, famílias monoparentais e outras pessoas em situação de vulnerabilidade enfrentam desafios específicos e precisam de mais apoio. Portanto, este não é o momento de se afastar. É o momento de proteger os avanços já alcançados e ficar ao lado dos ucranianos enquanto eles se preparam para as incertezas dos próximos meses.