Alto Comissário Barham Salih pede apoio urgente aos refugiados para salvar e reconstruir vidas no Chade.
Alto Comissário Barham Salih pede apoio urgente aos refugiados para salvar e reconstruir vidas no Chade.
O Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, Barham Salih, encontra-se com refugiados sudaneses e membros da comunidade local que cultivam e vendem produtos agrícolas juntos em uma horta em Farchana, Chade. © ACNUR/Hélène Caux
N'DJAMENA – O Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, Barham Salih, destacou hoje a necessidade urgente de assistência humanitária e proteção para as pessoas que fogem da brutal guerra no Sudão, bem como de maior apoio para que os refugiados reconstruam suas vidas com dignidade.
Durante sua primeira viagem oficial internacional como Alto Comissário, Salih encontrou-se com famílias de refugiados sudaneses que haviam fugido dos violentos combates em Darfur poucos dias antes; muitos haviam sido deslocados diversas vezes desde o início do conflito. Eles descreveram anos de ataques violentos e violações de direitos humanos. Salih conversou com mulheres que haviam sido estupradas e com pessoas cujos pais haviam sido mortos, chegando ao Chade apenas com o que podiam carregar e a esperança de segurança.
“O que está acontecendo no Sudão é uma calamidade humanitária de proporções avassaladoras. A generosa acolhida do Chade aos refugiados é um poderoso ato de solidariedade”, disse Salih. “Ao manter suas fronteiras abertas e proteger os refugiados, o Chade oferece às pessoas segurança, dignidade e status legal. Esses são os alicerces sobre os quais podem ser construídas soluções para que os refugiados possam começar a reconstruir suas vidas e contribuir para a sociedade.”
Desde abril de 2023, mais de 900 mil refugiados sudaneses chegaram ao leste do Chade, com novas chegadas todos os dias. O Sudão enfrenta agora a maior e mais devastadora crise de deslocamento do mundo, com 12 milhões de pessoas deslocadas, incluindo mais de 4,3 milhões de refugiados em toda a região. Salih fez um forte apelo à comunidade internacional para que empenhe todos os esforços para trazer a paz ao Sudão, abrindo caminho para o retorno dos refugiados para casa.
O ACNUR continua a apoiar a resposta emergencial que salva vidas nesta parte do Chade, mas as condições nos assentamentos de refugiados permanecem precárias, afetadas pela diminuição do financiamento. Muitas famílias não têm abrigo, o abastecimento de água está muito abaixo dos padrões de emergência e as instalações sanitárias superlotadas representam riscos crescentes à saúde. Os níveis de trauma são altos e o apoio à saúde mental atinge apenas uma pequena parcela daqueles que precisam, enquanto muitas crianças permanecem fora da escola.
“As pessoas no leste do Chade estão em extrema necessidade, mas, devido à falta de recursos, a assistência prestada está muito aquém do mínimo necessário. A responsabilidade de acolher esses refugiados recaiu sobre o Chade, mas outros países precisam se unir para apoiá-lo: não se pode esperar que o país assuma essa responsabilidade sozinho”, acrescentou Salih. “Os refugiados aqui podem estar a salvo de danos imediatos, mas precisam de oportunidades por meio da educação, do trabalho e de meios de subsistência para construir um futuro.”
Salih visitou programas que promovem a autossuficiência tanto para refugiados quanto para as comunidades anfitriãs. Em Iridimi, conversou com refugiados que estão adquirindo habilidades digitais e linguísticas para apoiar sua educação e acessar o mercado de trabalho. Em Farchana, visitou hortas comunitárias onde refugiados e comunidades anfitriãs cultivam e vendem produtos agrícolas juntos. Em Abeche, encontrou-se com um grupo de advogados, médicos e professores deslocados do Sudão que agora podem exercer suas profissões no Chade.
Apesar dos desafios, o Chade continua a defender a proteção internacional e a fornecer acesso ao asilo em larga escala. Salih se reuniu com o presidente Mahamat Idriss Déby Itno em N'Djamena e reafirmou o compromisso do ACNUR em apoiar refugiados e comunidades anfitriãs juntamente com o governo, homenageando as comunidades que generosamente acolheram refugiados, apesar das dificuldades econômicas e das pressões ambientais. Além disso, Salih reiterou a prontidão do ACNUR em trabalhar com o Governo e todas as outras partes interessadas para implementar a Abordagem Integrada de Assentamento, por meio da qual os serviços são estabelecidos ou aprimorados tanto para os refugiados quanto para as comunidades anfitriãs, e as oportunidades econômicas são compartilhadas.
“Ao visitar o Chade e o Quênia na semana passada, ficou claro que ambos os países demonstram como, com apoio internacional contínuo, políticas inclusivas podem nos levar da resposta a emergências de deslocamento para a busca de soluções”, disse Salih. “Quando os refugiados são protegidos e incluídos, eles podem reconstruir suas vidas e contribuir para as sociedades que os acolhem. É isso que estou vendo aqui, e é nessa direção que devemos seguir.”
Contatos para a imprensa
Em N’Djamena: Hélène Caux, [email protected], +235 85 15 81 34
Em Dakar (regional): Senan Rose Fidelia Bohissou, [email protected], +221 77 569 91 60
Em Genebra: Eujin Byun, [email protected], +41 79 747 87 19