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Cortes no financiamento ameaçam a educação de milhões de crianças refugiadas

Notas informativas

Cortes no financiamento ameaçam a educação de milhões de crianças refugiadas

Relatório do ACNUR revela que 5,8 milhões de crianças refugiadas estão fora da escola e alerta que a redução dos recursos humanitários pode agravar ainda mais essa realidade. Os cortes no financiamento já afetam programas de educação e proteção infantil, colocando em risco o futuro de uma geração de crianças forçadas a fugir de conflitos e crises
28 Outubro 2026
Melissa Agnes, de sete anos, conta que adora a escola porque pode escrever e brincar com os amigos. "Quando eu crescer, quero ser professora", diz ela. Ao seu lado, Fele Mbangue Steve, de oito anos, compartilha o seu próprio sonho para o futuro: "Quero ser cirurgião para poder ajudar as pessoas a ficarem boas."

Melissa Agnes, 7 anos, e Fele Mbangue Steve, 8, refugiados centro-africanos, frequentam uma escola local em Gado-Badzéré, Camarões

Solange Bathe, de 7 anos, nunca falta à escola. “Eu adoro a escola porque amo escrever”, afirma. Refugiada da República Centro-Africana, Solange estuda na escola primária pública da Seção 1A, em Gado-Badzéré, no leste dos Camarões, uma comunidade que há mais de uma década acolhe pessoas que fogem da violência do outro lado da fronteira.

Na escola, como em muitas outras da região, estudantes refugiados e camaroneses estudam lado a lado. Na sala de Solange, há mais de 150 alunos, o que mostra tanto o compromisso da comunidade em garantir que todas as crianças frequentem a escola quanto a enorme pressão sobre as salas de aula e os professores disponíveis.

Apesar de seu enorme esforço, Solange faz parte de um grupo cada vez mais minoritário entre crianças refugiadas. Segundo o relatório da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) sobre educação, intitulado Caminhos para o Futuro: Educação, Oportunidade e Autossuficiência, 5,8 milhões de crianças refugiadas estavam fora da escola em 2025. O número representa 44% dos 13,1 milhões de crianças refugiadas em idade escolar no mundo.

O relatório aponta que a transição para o ensino secundário continua sendo um dos maiores desafios. Enquanto 65% das crianças refugiadas em idade de cursar o ensino primário estavam matriculadas nessa etapa em 2025, a porcentagem cai: apenas 32% estavam matriculadas no ensino secundário.

“Ao relembrar meus próprios anos como refugiado, compreendo a importância da educação. Ela me proporcionou oportunidades que, de outra forma, o deslocamento forçado poderia ter me negado. A educação me ajudou a reconstruir minha vida e a moldar meu próprio futuro”, afirmou o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Barham Salih.

Os cortes cada vez mais profundos no financiamento ameaçam deixar milhões de outras crianças fora das salas de aula e já afetam a rede de proteção à infância em diversos países. No Chade, cerca de 233 mil crianças podem perder o acesso a serviços de proteção. Na Etiópia, a capacidade de acolhimento em abrigos para sobreviventes de violência baseada em gênero caiu mais da metade em um ano, e a cobertura de serviços de proteção à infância chegou a cair até 85% em algumas áreas. No Sudão, dezenas de milhares de sobreviventes de violência sexual e crianças em situação de grave risco podem ficar sem serviços essenciais.

“A educação é uma forma de proteção. Mas é também um caminho para a oportunidade e a autossuficiência”, afirma Salih. “Em um momento de forte pressão sobre o financiamento humanitário e de desenvolvimento, os cortes na educação correm o risco de reverter décadas de investimento coletivo e de fechar portas para uma geração de jovens.”

Para o Alto Comissário, garantir que crianças como Solange continuem na escola é uma tarefa coletiva: “A educação oferece aos jovens as ferramentas para moldar o seu próprio futuro. Nossa responsabilidade é garantir que eles tenham essa oportunidade.”

Contribua para o futuro de crianças refugiadas. Doe agora.