Close sites icon close
Search form

Pesquisar o site do país.

Country profile

Country website

ACNUR lança campanha para dar visibilidade a lideranças refugiadas no Brasil

Comunicados à imprensa

ACNUR lança campanha para dar visibilidade a lideranças refugiadas no Brasil

Com o apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, CPTM e JCDecaux, campanha digital “Legado da Esperança” mapeia as mais de 100 organizações e iniciativas presentes no Brasil para destacar o papel de pessoas refugiadas no desenvolvimento social e aperfeiçoamento de políticas públicas
19 Junho 2025
Seis pessoas com os rostos desfocados usam crachás verdes e brancos. Elas estão vestidas de formas variadas, algumas com uniformes ou roupas coloridas. Ao fundo, há árvores e estruturas, sugerindo um ambiente ao ar livre ou um evento.

Brasília, 20 de junho de 2025 – A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), com o apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), lança hoje, no Dia Mundial do Refugiado, a campanha digital Legado da Esperança, uma iniciativa que reconhece e valoriza o papel de pessoas refugiadas que, além de reconstruírem suas vidas no Brasil, transformam comunidades por meio da atuação em organizações sociais e iniciativas coletivas.

Construído em formato interativo entre textos, fotos e vídeos, a campanha mapeia e compartilha histórias de lideranças refugiadas que promovem o desenvolvimento local, a inclusão de populações em situação de vulnerabilidade e o aperfeiçoamento de políticas públicas nas áreas onde vivem. A ação ressalta como pessoas refugiadas podem também ser uma via de inovação social, resiliência e compromisso com os direitos humanos ao atuar em suas respectivas comunidades para que possam reduzir as desigualdades e contribuir para o bem-estar social.

“O Brasil é um país que tem acolhido as pessoas refugiadas com generosidade, e muitas delas têm retribuído esse acolhimento com engajamento cívico, trabalho comunitário e contribuição direta à sociedade. Por meio da campanha Legado da Esperança, queremos mostrar essas trajetórias inspiradoras que rompem estereótipos e reforçam o potencial transformador das pessoas refugiadas, apoiando pessoas brasileiras e de outras nacionalidades nos trabalhos que realizam”.

Davide Torzilli, Representante do ACNUR no Brasil

A campanha foi desenvolvida com o apoio do governo federal por meio do MJSP, assim como junto às organizações da sociedade civil e das lideranças refugiadas que hoje coordenam projetos em temas como educação, combate à xenofobia, esportes, geração de renda, acesso à direitos e referenciamento aos serviços públicos. As histórias apresentadas na campanha refletem a diversidade de origens, experiências e sonhos, e convidam o público a reconhecer o valor das pessoas refugiadas como parte da identidade e do futuro do Brasil.

“O Brasil vê as pessoas refugiadas e migrantes como propulsores do desenvolvimento nacional, em diversos setores: cultural, social e, também, econômico. A campanha nos dá exemplos concretos disso. Pessoas reais colaborando para a melhoria do nosso país”, avalia a diretora de Migrações, do MJSP, Luana Medeiros.

São quatro grandes blocos de informações que integram o conteúdo da campanha, sendo estruturadas para que as vozes das pessoas refugiadas sejam reconhecidas e suas opiniões consideradas para a participação em temas que afetam diretamente as suas vidas.

  1. O primeiro pilar faz uma apresentação da importância social de se ter organizações lideradas por pessoas refugiadas, mostrando a diversidade de suas atuações e a localidade onde estão inseridas. No descritivo de cada organização, há um link que direciona para a página ou contato delas.
  2. O segundo bloco destaca as pessoas refugiadas que atuam nas respectivas organizações listadas, em conteúdos audiovisuais que explicam os trabalhos implementados e destacam a relevância destas ações para o fortalecimento de políticas públicas inclusivas. São seis pessoas refugiadas, vivendo em diferentes estados, que apresentam seus trabalhos: a haitiana Anne que vive em Porto Alegre, a venezuelana Lis que mora em Manaus, a indígena venezuelana Mariluz que integra a comunidade Warao na região metropolitana de Belém, o haitiano Bob que vive no Rio de Janeiro, a venezuelana Rockmillys, residente em Curitiba, e o refugiado sírio Abdul, morador da capital paulista.
  3. Já no terceiro bloco, a construção das políticas públicas é o tema em destaque, com ênfase para os resultados da II Conferência Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (Comigrar). Aqui os seis pilares de temas derivados da Comigrar são mencionados de forma correlata aos trabalhos das organizações das pessoas refugiadas, neste processo de construção inclusiva e efetiva que culminará na Política Nacional para Refugiados, Migrantes e Apátridas, em fase de desenvolvimento.
  4. O quarto e último bloco traz um mapa digital do deslocamento das pessoas refugiadas e migrantes que chegaram ao Brasil e participaram da II Comigrar, mostrando seus deslocamentos e a forma como se veem como parte da sociedade brasileira. Neste espaço há também um link onde os visitantes da página podem acessar para enviar mensagens de apoio aos refugiados e mesmo para propor parcerias de trabalho com o ACNUR para a integração desta população.

“Ter um espaço onde podemos expressar as nossas opiniões, mostrar os nossos trabalhos e apresentar as contribuições que fazemos é respeitar as nossas convicções, valorizar os nossos direitos. Estamos aqui para contribuir com o desenvolvimento local e para avançarmos com as políticas que sejam benéficas para todos”, afirmou Anne Bruneau, uma das mulheres refugiadas que tem sua história contada na plataforma digital.

O nome Legado da Esperança reflete justamente o impacto duradouro que pessoas refugiadas vêm construindo no Brasil por meio de suas ações comunitárias. Ao superar adversidades e reinventar seus caminhos longe do país de origem, essas lideranças não apenas reconstroem suas vidas com dignidade, como também deixam uma herança positiva nas comunidades onde atuam, promovendo inclusão, solidariedade, geração de renda, acesso a direitos e fortalecimento de políticas públicas.

Cada história apresentada na campanha carrega consigo a esperança de um futuro mais justo, plural e comprometido com o bem comum, mostrando que o deslocamento forçado de pessoas não é apenas sobre recomeços, mas também sobre contribuições duradouras que elas seguem construindo com determinação e resiliência.

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos de São Paulo (CPTM) e a empresa de mídia JCDecaux, apoiam a campanha e reproduzirão em seus canais as artes da Legado da Esperança para que mais pessoas sejam impactadas e se solidarizem com a causa dos refugiados.