Um mês após os terremotos na Venezuela, comunidades começam a se reconstruir
Um mês após os terremotos na Venezuela, comunidades começam a se reconstruir
Equipe do ACNUR presta assistência jurídica a pessoa afetada pelos terremotos no Abrigo Temporário Estádio César Nieves. O ACNUR está apoiando os sobreviventes dos terremotos por meio de apoio psicossocial, assistência jurídica e distribuição de itens essenciais de ajuda humanitária.
CARACAS – Um mês após os devastadores terremotos que atingiram a Venezuela, as comunidades afetadas demonstram uma notável resiliência à medida que as famílias começam a se recuperar do desastre, reconstruindo suas rotinas diárias e apoiando umas às outras em um caminho ainda incerto rumo à recuperação.
Nos abrigos temporários e nos bairros afetados, lideranças comunitárias, voluntários, autoridades e trabalhadores humanitários estão ajudando as famílias a acessar assistência, restabelecer o acesso a serviços essenciais e dar os primeiros passos para reconstruir suas vidas. Embora as necessidades permaneçam significativas, os esforços conjuntos estão contribuindo para restabelecer a estabilidade e a esperança para milhares de pessoas afetadas pelo desastre.
Aproveitando sua longa presença na Venezuela, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), tem apoiado as famílias no acesso a apoio psicossocial, assistência jurídica, substituição de documentos de identidade perdidos e encaminhamento para serviços especializados. Além disso, forneceu itens essenciais e assistência nos abrigos temporários, como parte da resposta mais ampla do Sistema das Nações Unidas e em estreita coordenação com as autoridades nacionais e locais.
"Um mês depois, continuamos inspirados pela força, solidariedade e determinação das comunidades afetadas", afirmou Kristin Halvorsen, Representante do ACNUR na Venezuela. "As pessoas que perderam suas casas, seus entes queridos e seus meios de subsistência já estão ajudando umas às outras a reconstruir suas vidas. Nossa prioridade é acompanhá-las durante todo o processo de recuperação, garantindo que as pessoas mais vulneráveis recebam a proteção, a assistência e o apoio de que precisam para seguir em frente com dignidade e esperança."
Como organização líder do Grupo de Proteção, o ACNUR está contribuindo para identificar e apoiar as pessoas que enfrentam maiores riscos após o desastre, entre elas mulheres, meninas e meninos, pessoas idosas, pessoas com deficiência, refugiados, solicitantes da condição de refugiado, retornados e membros vulneráveis das comunidades de acolhida. As avaliações rápidas realizadas em conjunto com parceiros permitiram identificar preocupações centrais relacionadas ao impacto psicológico, à perda de documentação, ao deslocamento, à separação familiar e à limitada privacidade nos abrigos coletivos.
Até o momento, o ACNUR e seus parceiros prestaram mais de 4 mil atendimentos de proteção em abrigos temporários em La Guaira, incluindo informação e orientação, assistência jurídica, primeiros socorros psicológicos, apoio relacionado à documentação e encaminhamentos para serviços especializados. Mais de 2.500 mulheres e meninas receberam assistência em proteção, enquanto mais de 400 encaminhamentos foram realizados para atendimento médico, proteção infantil, apoio psicossocial e outros serviços especializados.
A perda de documentos de identidade continua sendo um desafio importante para muitas famílias afetadas. Sem documentação, as pessoas podem enfrentar obstáculos para acessar serviços de saúde, educação, apoio habitacional e outros serviços essenciais. Desde os terremotos, o ACNUR prestou mais de 320 atendimentos de orientação e assistência relacionados à documentação e está apoiando as autoridades nos esforços de registro e gestão de dados para ajudar a identificar necessidades e facilitar a prestação de assistência.
O ACNUR também mobilizou itens de emergência de estoques previamente posicionados e de pontes aéreas humanitárias, fornecendo mais de 55 toneladas de suprimentos, incluindo sistemas de iluminação solar, tendas para a prestação de serviços de proteção, mosquiteiros e outros itens essenciais para apoiar as famílias que vivem em abrigos temporários e comunidades afetadas. A organização também está oferecendo apoio técnico para melhorar a segurança, a acessibilidade e a privacidade das pessoas mais vulneráveis.
"Somos profundamente gratos pela solidariedade demonstrada por governos, doadores, parceiros humanitários e pessoas de todo o mundo em apoio à população da Venezuela", afirmou Halvorsen. "Esse apoio possibilitou uma resposta rápida em um momento crítico, ajudando as famílias afetadas a acessar serviços de proteção, informação, assistência emergencial e apoio especializado. À medida que a recuperação avança, o apoio contínuo será fundamental para garantir que as pessoas permaneçam conectadas aos serviços de que necessitam, que riscos emergentes de proteção sejam identificados precocemente e que ninguém seja deixado para trás."
Para os sobreviventes dos terremotos, a recuperação não consiste apenas em reconstruir moradias, mas também em fortalecer os vínculos que permitem às comunidades se recuperar. Em conversas com diversas famílias afetadas, todas expressaram o desejo de reconstruir suas vidas e seguir em frente, com a esperança de recuperar a estabilidade necessária para construir um futuro.
Um mês após o desastre, o impacto humanitário continua grave. As autoridades informam que mais de 5 mil pessoas morreram, mais de 16 mil ficaram feridas e quase 18 mil perderam suas casas. Mais de 850 edifícios foram afetados, dos quais 190 desabaram, enquanto milhares de famílias continuam vivendo em abrigos temporários ou com familiares e comunidades de acolhida, enquanto os esforços de recuperação prosseguem.
As Nações Unidas e seus parceiros humanitários lançaram um adendo de US$ 298 milhões ao Plano de Resposta Humanitária de 2026 para atender às necessidades decorrentes dos terremotos de 1,3 milhão de pessoas nos próximos seis meses. O plano complementa as atividades humanitárias já em andamento e busca apoiar as comunidades afetadas por meio de ações nas áreas de proteção, abrigo, saúde, educação, água e saneamento, segurança alimentar e recuperação precoce.