Terremotos na Venezuela: ACNUR lança apelo de US$ 14,85 milhões para resposta humanitária
Terremotos na Venezuela: ACNUR lança apelo de US$ 14,85 milhões para resposta humanitária
Yolimar Carrión, 32 anos, mãe venezuelana de seis filhos, retornou do Equador para a Venezuela em 2025 e agora tenta reconstruir sua vida após os terremotos de junho de 2026 destruírem sua casa em La Guaira.
São Paulo, 1º de julho de 2026 – O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) lançou um apelo emergencial de US$ 14,85 milhões para ampliar a resposta humanitária aos terremotos que devastaram o centro-norte da Venezuela no último dia 24 de junho. Os recursos permitirão atender até 30 mil pessoas ao longo dos próximos seis meses, com ações de proteção, distribuição de itens de primeira necessidade e apoio a famílias que perderam suas casas ou vivem em abrigos temporários.
Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 provocaram um dos maiores desastres recentes do país. Segundo os dados mais recentes, mais de 3,6 mil pessoas morreram, cerca de 16 mil ficaram feridas e mais de 18 mil ficaram desabrigadas. O impacto foi mais severo em La Guaira e na Grande Caracas, mas também atingiu os estados de Miranda, Carabobo, Yaracuy, Falcón e Aragua. Além das perdas humanas, centenas de moradias foram destruídas ou danificadas, hospitais sofreram avarias e serviços essenciais, como abastecimento de água, energia elétrica, telecomunicações e transporte, seguem comprometidos.
Enquanto as operações de busca e resgate continuam, milhares de famílias permanecem deslocadas. Muitas estão abrigadas em escolas, igrejas, ginásios e outros espaços improvisados ou dormindo em áreas públicas, frequentemente sem acesso adequado à água potável, alimentação, saneamento e serviços básicos. O cenário amplia os riscos de proteção, especialmente para crianças desacompanhadas, idosos, pessoas com deficiência, mulheres expostas à violência baseada em gênero, refugiados, solicitantes de refúgio, pessoas retornadas e famílias que perderam seus documentos.
Presente na Venezuela há mais de 35 anos, o ACNUR atua em estreita coordenação com as autoridades nacionais, outras agências das Nações Unidas e organizações parceiras. A agência lidera o Cluster de Proteção no país e co-lidera, com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), a coordenação de abrigo temporário, colocando sua estrutura operacional e sua experiência em emergências a serviço da resposta humanitária.
A estratégia da organização concentra-se em duas frentes principais. A primeira é a proteção das pessoas mais vulneráveis, por meio de apoio psicossocial, orientação jurídica para quem perdeu documentos, identificação e encaminhamento de casos prioritários, proteção infantil, prevenção e resposta à violência baseada em gênero e fortalecimento dos mecanismos de acesso a serviços essenciais. A segunda é a assistência emergencial, com distribuição de cobertores, colchonetes, kits de cozinha, recipientes para armazenamento de água, lâmpadas solares, kits de abrigo e outros itens essenciais, além da instalação de estruturas temporárias para acolher famílias deslocadas.
Do total solicitado, US$ 4 milhões serão destinados às ações de proteção e US$ 10,85 milhões à aquisição e distribuição de itens de socorro e soluções temporárias de abrigo. O financiamento flexível será essencial para adaptar a resposta à medida que novas avaliações identifiquem necessidades adicionais e que réplicas dos terremotos continuem representando riscos às comunidades afetadas.
O apelo ocorre em um contexto de restrições orçamentárias para a operação do ACNUR na Venezuela. Antes mesmo dos terremotos, apenas 11% dos recursos previstos para a atuação da agência no país em 2026 haviam sido financiados. Segundo o ACNUR, a mobilização de novos recursos é indispensável para responder à emergência sem comprometer a assistência contínua prestada a refugiados, solicitantes de refúgio, pessoas retornadas e comunidades de acolhida.
Sobre o ACNUR
A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) trabalha para salvar vidas, proteger direitos e construir um futuro melhor para pessoas forçadas a deixar suas casas em razão de conflitos, perseguições, violência ou graves violações de direitos humanos. Presente em mais de 130 países e territórios, a organização atua em parceria com governos, organizações da sociedade civil e setor privado para oferecer proteção, assistência e soluções duradouras a pessoas refugiadas, deslocadas internas e apátridas.
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Ana Paula Lisboa
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