Do recomeço à autonomia: refugiadas artesãs reconstroem suas vidas no Brasil
Do recomeço à autonomia: refugiadas artesãs reconstroem suas vidas no Brasil
Arasary já trabalhava com artesanato, habilidade que aprendeu com sua mãe e avó. Com o apoio do ACNUR, pode entender melhor como valorizar seu trabalho e a vendê-lo Brasil.
Arasary (39 anos), mãe de 4 filhos Jhon (13), Kaponoko (18), Zinnia (20) e José (22) vivia em uma comunidade indígena na Venezuela com sua família e a cidade era movida pelo turismo, mas com a crise no país, tudo ficou mais difícil.
Além de enfrentarem preços altos e escassez de alimentos, também não tinham mais condições de garantir o tratamento adequado para seu filho, Kaponoko, diagnosticado com autismo. Assim, em 2017 vieram ao Brasil para buscar por mais segurança e saúde para a família.
Para entender melhor como poderia ajudar seu filho e para se capacitar profissionalmente, Arasary foi para Boa Vista. Lá, ficou em um abrigo da Operação Acolhida e recebeu kits pessoais mensais do ACNUR para garantir sua higiene pessoal. Enquanto estava em Boa Vista, fez cursos facilitados pelo ACNUR de empreendedorismo e aulas de português para garantir uma melhor inserção no mercado de trabalho no Brasil.
Arasary já trabalhava com artesanato, habilidade que aprendeu quando era pequena com sua mãe e avó. Com os cursos, pode entender melhor a valorizar seu trabalho e a vender no Brasil. Hoje, Arasary vive na comunidade indígena Bananau em Pacaraima e ajuda sua família financeiramente através de seu trabalho como artesã.
O impacto de apoiar histórias de recomeço como a de Arasary
Arasary e sua família foram acolhidos em abrigo da Operação Acolhida, em Boa Vista, em 2017.
Arasary e sua família são muito gratos por toda a ajuda que receberam do ACNUR quando mais precisaram.
“Sou muito grata as pessoas que doam para o ACNUR, elas têm um coração disposto a ajudar. Para essas pessoas, eu desejo que tudo o que estão doando volte em dobro e que tenham uma boa saúde! Espero que possam seguir com seus atos solidários, porque todos nós precisamos e somos muito agradecidos por essa ajuda.”
Apoio recomeços, doe agora para o ACNUR
Na Venezuela, Rosa Paulino, de 39 anos, trabalhava como artesã ao lado do marido, que também era funcionário público. A família tinha uma casa e conseguia pagar as contas. Mas, aos poucos, a crise tornou até mesmo o acesso à alimentação um desafio.
“Por mais que a gente trabalhasse, o dinheiro não era suficiente para comprar comida. A gente ia no mercado e não tinha nada. Foi um momento desesperador”, lembra.
Na época, Rosa já tinha um filho pequeno e estava grávida da segunda criança. A preocupação com o futuro da família cresceu junto com a escassez.
“Eu não sabia o que iria dar de comer para o meu filho. Às vezes eu nem comia direito. Meus filhos foram a motivação principal para sair do meu país.”
Em 24 de dezembro de 2017, Rosa chegou ao Brasil com o marido e os dois filhos. A caçula ainda estava na barriga da mãe. O primeiro destino foi Manaus, onde a família começou a construir uma nova vida.
Um primeiro apoio para recomeçar
Rosa conheceu o ACNUR pouco depois de chegar ao Brasil. Enquanto trabalhava na rua, um outro refugiado contou a ela sobre a organização e explicou que poderia ajudá-la com orientações.
“Eu ainda estava nesse processo de entender tudo direitinho. Eles fizeram meu cadastro, deram roupas para os meus filhos e alguns brinquedos. Também me orientaram sobre a documentação.”
Em 2018, quando a família ainda estava se estabelecendo no país e se preparando para a chegada da filha, Rosa recebeu também apoio financeiro. Para ela, aquele auxílio chegou em um momento decisivo.
“Fez uma diferença total. A gente trabalhava com artesanato e na rua, mas estava se organizando para a chegada da neném. Esse apoio fez com que a gente pudesse pagar o aluguel, comprar comida e cuidar da saúde.”
Depois de alguns anos viajando pelo Brasil como mochileiros e passando por diferentes estados, Rosa e a família chegaram a Brasília. Foi ali que a trajetória de recomeço ganhou um novo capítulo.
A pandemia mudou tudo
Rosa chegou à capital federal pouco antes do início da pandemia de COVID-19. Até então, ela e o marido conseguiam se manter com o trabalho nas ruas e com a venda de seus artesanatos. Com as restrições da pandemia, porém, a principal fonte de renda da família deixou de existir.
“As coisas ficaram muito complexas. Não estávamos conseguindo pagar o aluguel. Toda a reserva que tínhamos precisou ser usada para comprar comida e pagar as despesas.”
Foi nesse momento que Rosa voltou a contar com o apoio do ACNUR. A família foi encaminhada para uma casa de acolhida, onde permaneceu durante três meses.
Além de um lugar seguro para ficar, Rosa recebeu apoio para continuar desenvolvendo seu trabalho. Por meio de iniciativas encaminhadas pelo ACNUR, participou de cursos de empreendedorismo e capacitação, inclusive formações da rede de mulheres empreendedoras e do Sebrae.
Para Rosa, os cursos representaram uma mudança importante na maneira como enxergava o próprio negócio.
“Eu já tinha o domínio da arte, mas não tínhamos organização. Aprendemos muita coisa na área financeira, que era o pilar do empreendimento. Eu percebi que tinha coisas que conseguia fazer e que podia aproveitar para crescer.”
Jornada até a autonomia
Rosa e seus dois filhos, de 6 e 8 anos, encontraram no Brasil um lugar seguro para recomeçar.
Rosa aprendeu a fazer artesanato ainda na Venezuela, com amigos, outros artesãos e com o marido. O conhecimento e a habilidade já existiam. O que faltava era transformar esse talento em um negócio mais estruturado.
Com as capacitações, ela aprendeu a organizar melhor as finanças, planejar o empreendimento e identificar oportunidades de crescimento.
Hoje, o artesanato é a principal fonte de renda de sua família.
Rosa e o marido possuem duas lojas em uma feira de artesanato em Brasília, onde comercializam seus produtos. Também oferecem aulas e continuam produzindo novas peças.
Para ela, a solidariedade teve um papel importante nesse caminho.
Ao lembrar dos diferentes momentos em que recebeu apoio, Rosa faz questão de deixar uma mensagem para quem contribui com o ACNUR:
“A sua doação não é em vão, a sua doação impacta de forma positiva a vida de outras pessoas, que se deslocam por diversos motivos, que muitas vezes estão desorientados e assustados. Mas o apoio quando chega traz uma motivação. Essas doações fizeram muita diferença em um momento crucial em minha vida, depois a casa de acolhida fez total diferença na minha vida, então esse dinheiro é muito bem aproveitado. Por favor, não deixem de doar!”