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“Educar uma menina é educar toda a nação.”

Histórias

“Educar uma menina é educar toda a nação.”

Tololinda sonha em se tornar Ministra da Educação em seu país. Ela acredita que a educação proporciona às meninas “conhecimento e habilidades para mudar suas vidas”.
6 Outubro 2026

Tololinda vive no campo de refugiados de Kakuma, no Quênia. Ela quer continuar seus estudos, apesar das dificuldades do deslocamento forçado. Ela sonha em se tornar ministra da Educação do Sudão do Sul para ajudar outras pessoas a buscarem sua educação.

“Se você educa uma menina, é como se educasse toda a nação.”

Aos 17 anos, Tololinda Nomoi Juma já fala com a convicção de quem sabe para onde está indo. Refugiada sul-sudanesa que vive no assentamento de Kalobeyei, no Quênia, Tololinda é aluna da escola da The Big Heart Foundation (TBHF), onde estudantes refugiadas e da comunidade anfitriã aprendem lado a lado. Ela conta que entrar na sala de aula mudou a forma como via a si mesma. “Quando entrei nesta escola, eu não sabia muitas coisas”, explica. “Depois de aprender aqui, percebi que, como menina, posso ir longe.”

Estudar em uma escola mista também moldou a compreensão de Tololinda sobre inclusão e pertencimento. Estudar ao lado de alunos de diferentes origens permite “trocar nossas culturas”, diz ela, e perceber que “somos todos iguais, independentemente de sermos refugiados ou da comunidade anfitriã”. Para ela, a educação não se resume a livros e provas, mas trata de crescer em conjunto e romper barreiras.

Tololinda sonha em se tornar Ministra da Educação em seu país, o Sudão do Sul, para poder apoiar crianças que não têm acesso à escola, especialmente as meninas. Ela acredita que a educação proporciona às meninas “conhecimento e habilidades para mudar suas vidas” e as ajuda a evitar práticas nocivas que continuam a afetar muitas comunidades. “Se você educa uma menina”, diz ela, “é como se educasse toda a nação.”

Enquanto se prepara para encontrar o novo Alto Comissário para Refugiados durante sua primeira missão oficial ao Quênia, Tololinda afirma que é importante quando líderes vão a Kakuma para encontrar refugiados pessoalmente. Visitar escolas e ouvir os alunos ajuda os líderes a “ver as pessoas que estão ajudando e a entender como elas vivem”. Ela espera que sua história, e as histórias de outros alunos como ela, ajudem o mundo a ver os refugiados de uma forma diferente. “Refugiados não são apenas refugiados”, diz ela. “Eles têm voz e um futuro que desejam construir.”

Sobre o projeto

Criada pela The Big Heart Foundation com financiamento da Sharjah Charity House e em colaboração com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), esta escola de ensino médio em regime de internato — a primeira do gênero na região — oferece a 360 alunas por ano (tanto refugiadas quanto meninas da comunidade local) acesso a uma educação de alta qualidade e a instalações seguras.

A escola supre uma lacuna significativa nas necessidades de ensino médio das meninas no Quênia, onde apenas 5% delas tinham acesso a esse nível de escolaridade. A instituição proporciona um ambiente de aprendizado seguro e protegido, que atende às necessidades educacionais das meninas. Ela oferece instalações de internato e biblioteca para meninas refugiadas e da comunidade anfitriã que enfrentam diversos desafios sociais, como casamento precoce ou forçado, trabalho infantil, a condição de menores desacompanhados ou crianças separadas de suas famílias, e deficiências.