Milhões de pessoas no Sudão correm o risco de ficar sem abrigo emergencial à medida que recursos humanitários se esgotam
Milhões de pessoas no Sudão correm o risco de ficar sem abrigo emergencial à medida que recursos humanitários se esgotam
Uma família sudanesa deslocada se abriga em uma estrutura improvisada em Ad Dweim, no Estado do Nilo Branco, devido à grave escassez de suprimentos humanitários.
GENEBRA/CARTUM – Milhões de pessoas forçadas a deixar suas casas em razão do devastador conflito no Sudão correm o risco de ficar sem um teto, à medida que graves restrições de financiamento ameaçam esgotar os estoques de abrigos emergenciais e outros itens essenciais. Entre os grupos em risco estão famílias que decidiram retornar às suas áreas de origem apenas para encontrar suas casas e comunidades destruídas pela violência. O alerta foi dado hoje pelo ACNUR, Agência da ONU para Refugiados, e pela Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Em todo o Sudão, estima-se que 15,4 milhões de pessoas necessitem urgentemente de abrigo emergencial e itens domésticos essenciais. No entanto, as limitações de recursos significam que as agências humanitárias conseguem priorizar assistência para apenas 10% das pessoas em necessidade. Até agora, apenas 936 mil pessoas receberam apoio, deixando uma enorme lacuna entre as necessidades crescentes e os recursos disponíveis para respondê-las.
Com os estoques de emergência perigosamente baixos, as duas agências alertam que, sem uma injeção urgente de recursos flexíveis, mais famílias terão de enfrentar os próximos meses sem proteção adequada contra condições climáticas severas, a insegurança e os riscos de violência e exploração.
Mais de três anos e meio após o início do conflito, o Sudão continua sendo a maior crise de deslocamento do mundo. Cerca de 8,6 milhões de pessoas permanecem deslocadas internamente no país, enquanto mais de 4,6 milhões fugiram para países vizinhos. Ao mesmo tempo, mais de 5,2 milhões de pessoas retornaram às suas áreas de origem, a grande maioria delas anteriormente deslocada dentro do próprio Sudão, além de refugiados sudaneses que regressaram de países vizinhos.
Muitas dessas pessoas estão chegando a comunidades onde casas, infraestrutura e serviços essenciais foram danificados ou destruídos, deixando-as com pouco ou nada para reconstruir suas vidas.
Para famílias deslocadas repetidamente pelo conflito, um lugar seguro para dormir e itens básicos para o lar representam muito mais do que necessidades cotidianas: oferecem uma medida de segurança e dignidade, especialmente para mulheres, crianças e outras pessoas em situação de maior vulnerabilidade. Para aquelas que retornam para casa, a assistência com abrigo frequentemente é o primeiro passo para recomeçar.
No entanto, as operações humanitárias enfrentam dificuldades para acompanhar o ritmo das necessidades. A continuidade dos confrontos, a insegurança e os ataques com drones estão provocando novos deslocamentos e restringindo as operações humanitárias. Ao mesmo tempo, a infraestrutura danificada e os desafios logísticos dificultam o transporte e o posicionamento de suprimentos de emergência. Nesse contexto, a escassez crítica de recursos está levando operações de abrigo já sobrecarregadas ao limite.
O Plano de Necessidades Humanitárias e Resposta do Sudão para 2026 requer US$ 2,9 bilhões para fornecer assistência vital a 20,4 milhões de pessoas, entre os 33,7 milhões de habitantes que precisam de ajuda humanitária em todo o país. Ainda assim, o apelo permanece severamente subfinanciado, tendo recebido apenas cerca de 47% dos recursos necessários, o que obriga as organizações humanitárias a reduzir serviços essenciais e priorizar apenas as necessidades mais urgentes.
O ACNUR e a OIM continuam comprometidos em trabalhar com organizações humanitárias locais e outros parceiros para manter cadeias compartilhadas de suprimentos, organizar estoques de emergência em áreas prioritárias e entregar assistência onde as necessidades são maiores. Esses esforços conjuntos buscam fortalecer a capacidade de resposta local, melhorar a coordenação e garantir que a ajuda humanitária chegue às comunidades afetadas da forma mais rápida e segura possível. No entanto, essas iniciativas não poderão ser mantidas sem financiamento previsível e flexível.
Para milhões de famílias que já perderam suas casas, meios de subsistência e sensação de segurança, as consequências de novos atrasos no financiamento podem ser devastadoras. É necessária uma ação urgente para garantir que as pessoas que fogem da violência, bem como aquelas que tentam reconstruir suas vidas após retornar para casa, não sejam deixadas sem um lugar seguro para se abrigar e sem os itens básicos necessários para viver com dignidade.
Para doar para emergência no Sudão, acesse o link.