Quando a arte constrói pontes: pessoas refugiadas participam do Festival Vulica em Brasília
Quando a arte constrói pontes: pessoas refugiadas participam do Festival Vulica em Brasília
A arte é uma linguagem universal que não conhece fronteiras. Em agosto de 2025, o ACNUR Brasil firmou uma parceria com o Instituto Vulica Brasil de Arte e Sustentabilidade durante o Festival Vulica Internacional de Arte Urbana em Brasília, colocando as vozes, a criatividade e a expressão cultural de pessoas refugiadas em destaque na vibrante vida cultural da cidade.
A parceria se desenvolveu por meio de duas atividades principais. Em um primeiro momento, crianças e adolescentes venezuelanos participaram da oficina “Olhar de Dentro: Autorretrato Intuitivo” no SESI Lab. Criaram autorretratos simbólicos com carvão e papel, refletindo sobre identidade, resiliência e pertencimento.
Rosmarys estava com a família, três filhos e uma neta, e se divertiram desenhando retratos uns dos outros e de si próprios. Apesar da timidez inicial, a família foi se soltando aos poucos e perdendo a vergonha e o receio de desenhar. “Está sendo muito bom poder fazer algo diferente com eles nesta tarde”, comenta.
Família de Rosmarys experimentou pela primeira vez o desenho em carvão juntos
Em uma segunda atividade, 32 pessoas refugiadas da Venezuela, acolhidas nas Aldeias Infantis em Brasília, participaram de visitas pelo Setor de Diversões Sul da capital federal. O roteiro guiado pela equipe do Vulica contou histórias do passado artístico da cidade e como ela tem sido ocupada pela nova geração da arte. O passeio passou por instalações ao ar livre do Festival e finalizou no Buraco do Rato, onde os artistas trabalhavam em suas obras.
Grupo reunido com equipe do ACNUR e artísticas do Festival Vulica no Buraco do Rato, em Brasília
Enquanto exploravam as intervenções urbanas criadas por artistas nacionais e internacionais, o grupo convivia também com pessoas brasileira em uma oportunidade de ocupar juntos os espaços de maneira inclusiva, sustentável e esperançosa.
Para o ACNUR, a iniciativa ressalta a importância de parcerias com múltiplos atores - instituições culturais, artistas a autoridades locais e organizações comunitárias. Essas colaborações fortalecem respostas multidimensionais, atendendo às necessidades das pessoas refugiadas de maneiras que preservam a dignidade, apoiam o bem-estar e abrem oportunidades de autoexpressão.
Fazer os próprios registros de como se entende e consome arte é também fazer artístico
As artes e a cultura também desempenham um papel vital na promoção do pertencimento social, ao criar espaços seguros onde pessoas refugiadas e comunidades de acolhida podem interagir e se conectar. Ao participar da Vulica 2025, estas pessoas puderam compartilhar também suas histórias e contribuir para a paisagem cultural de Brasília.
Caminhar pela cidade e pelas instalações artísticas é também uma oportunidade de conhecer pessoas locais e interagir com a comunidade de acolhida
Com a chegada de milhares de visitantes ao festival, as vozes e experiências dos refugiados ajudaram a remodelar percepções, destacando a resiliência e as valiosas contribuições que eles trazem. Ao integrar a cultura à resposta humanitária, o ACNUR e a Vulica demonstram que a arte faz muito mais do que inspirar — ela acolhe, integra e inclui.
“O Vulica sempre cultivou seu núcleo de ações sociais. Neste ano, temos orgulho em colaborar com o ACNUR, em favor da integração cultural das comunidades refugiadas residentes no Distrito Federal, além do impacto social positivo do festival como um todo”