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“Eu pensei que meu sonho tinha acabado”: a história de Alaa e o impacto das bolsas que transformam vidas refugiadas

Histórias

“Eu pensei que meu sonho tinha acabado”: a história de Alaa e o impacto das bolsas que transformam vidas refugiadas

22 May 2026

Quando precisou fugir da Síria, Alaa Al-Hamadi deixou para trás muito mais do que sua casa. Entre as perdas causadas pelo deslocamento forçado, estava também o sonho de estudar comunicação e jornalismo.

Como milhões de refugiados ao redor do mundo, ela viu o futuro se tornar incerto da noite para o dia.

Sem recursos e vivendo no campo de refugiados de Za’atari, na Jordânia, a universidade parecia uma realidade impossível. Mas a trajetória de Alaa mudou quando ela recebeu uma bolsa do programa DAFI, iniciativa apoiada pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), que oferece acesso ao ensino superior para pessoas refugiadas.

A oportunidade representou mais do que continuar os estudos: foi a chance de reconstruir a própria vida.

Hoje, Alaa trabalha ensinando matemática e árabe em uma escola primária dentro do campo de refugiados, ajudando a sustentar sua família e contribuindo para a educação de outras crianças refugiadas. O sonho que parecia interrompido pela guerra encontrou um novo caminho — e passou também a impactar outras vidas.

Histórias como a de Alaa mostram como o acesso ao ensino superior pode transformar realidades marcadas pelo deslocamento forçado. Para muitos jovens refugiados, a educação é uma das poucas ferramentas capazes de abrir oportunidades de trabalho, independência financeira e reconstrução do futuro.

Ainda assim, chegar à universidade continua sendo uma batalha contra todas as probabilidades.

Atualmente, apenas 9% dos jovens refugiados estão matriculados no ensino superior em todo o mundo, enquanto a média global é de 44%. E, em 2025, o acesso a essas oportunidades ficou ainda mais limitado.

Segundo o relatório de progresso do programa DAFI, houve uma queda de mais de 77% no número de novas bolsas concedidas em relação ao ano anterior, consequência direta dos cortes no financiamento internacional para programas humanitários. Neste ano, menos de 200 novos auxílios foram oferecidos, contra 879 em 2024 e 1.942 em 2023.

Mesmo diante dos desafios, o programa continua garantindo que milhares de jovens refugiados possam seguir estudando. Em 2025, o DAFI apoia 5.744 estudantes em 58 países, em cursos que vão de engenharia e direito até design gráfico e microbiologia. Mais de 2.100 estudantes devem se formar ainda este ano.

Para jovens como Alaa, o impacto vai além da sala de aula. É a possibilidade de recuperar sonhos interrompidos pela guerra e provar que, mesmo diante do deslocamento forçado, o futuro ainda pode ser reconstruído.

Com o apoio de doadores, mais jovens refugiados como Alaa podem continuar estudando, reconstruindo suas vidas e transformando suas comunidades por meio da educação.

Doe e ajude a manter sonhos vivos.