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ACNUR realiza formação com mediadores interculturais afegãos em São Paulo

Notas informativas

ACNUR realiza formação com mediadores interculturais afegãos em São Paulo

Curso realizado em abril e maio buscou sensibilizar sobre o papel profissional e as demandas específicas para o exercício da profissão no contexto do deslocamento forçado
15 May 2026
Curso sobre mediação intercultural foi oferecido a pessoas que já trabalham como mediadoras ou que pretendem iniciar na atividade

Curso sobre mediação intercultural foi oferecido a pessoas que já trabalham como mediadoras ou que pretendem iniciar na atividade

Mais de 20 pessoas, a maioria afegãs, finalizaram nesta quinta-feira, 15, formação para da atuação como mediadoras interculturais no contexto de deslocamento forçado. O curso foi oferecido pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) tanto a pessoas que já trabalham como mediadoras interculturais quanto para quem deseja iniciar na profissão.

Com duração de 24 horas divididas em seis encontros, a formação abordou temas como o papel do mediador intercultural no acolhimento de pessoas refugiadas, choque cultural e dinâmicas familiares, barreiras linguísticas e mediação em contextos de vulnerabilidade, direitos e serviços disponíveis no Brasil, entre outros.

Shogofa Farahmand atua há mais de três anos como mediadora intercultural em São Paulo e viu no curso uma oportunidade para aprimorar os atendimentos realizados. “Nós ajudamos muito às pessoas que chegam a entender melhor sobre o Brasil e também ajudamos os brasileiros a entender melhor a nossa cultura. Com isso, conseguimos ter um bom acolhimento”, afirma. “Como também sou refugiada, às vezes eu queria resolver o problema da pessoa e me envolvia demais nos casos. Aprendi que, quando estou como mediadora intercultural, não posso interferir”, completa.

A neutralidade exigida para a profissão também foi destacada pelo afegão Hamid Farahani. “Na nossa cultura, nós gostamos muito de ajudar as pessoas, mas, como mediadores interculturais, precisamos nos manter neutros e sempre alertas para que os nossos princípios individuais não interfiram na mediação, como com questões de gênero e religião”, destaca. “Outro ponto importante para mim foi pensar sobre o choque cultural que existe. Eu preciso ser o primeiro a superar essa barreira para poder ajudar de maneira adequada quem atendo.”

Profissão reconhecida

A profissão de mediador intercultural foi incluída em 2025 na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), na categoria de “trabalhadores de atenção, defesa e proteção a pessoas em situação de risco e adolescentes em conflito com a lei”. A demanda surgiu da sociedade civil e apareceu também nas propostas priorizadas da 2ª Conferência Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia, no Eixo 2 sobre Inserção socioeconômica e promoção do trabalho decente.

Na prática, é o profissional que atua como ponte, ajuda a facilitar a comunicação, o entendimento e a convivência entre pessoas de origens distintas. Além de “traduzir” o novo país para pessoas refugiadas, a pessoa que trabalha como mediadora intercultural acompanha atendimentos em tratamentos de saúde e inclusão social, contribui para a inserção mercado de trabalho, entre outras atividades que promovem a integração à comunidade de acolhida.

Integração e fortalecimento da autonomia

A formação fez parte das atividades financiadas pela parceria entre ACNUR e a organização Islamic Relief USA (IRUSA). Anunciada em setembro, iniciativa prevê beneficiar diretamente cerca de 2 mil pessoas afegãs em todo o Brasil, por meio de ações voltadas à integração local e ao fortalecimento de meios de vida. Com ações previstas até junho de 2026, a parceria visa alcançar indiretamente outras 10 mil pessoas, beneficiando também comunidades brasileiras de acolhida.