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Vice-Alta Comissária do ACNUR pede apoio para pôr fim ao deslocamento de milhões de sírios

Comunicados à imprensa

Vice-Alta Comissária do ACNUR pede apoio para pôr fim ao deslocamento de milhões de sírios

3 Setembro 2025
A Vice-Alta Comissária Kelly T. Clements se reúne com Mahmoud, ferreiro e refugiado retornado, que recebeu auxílio financeiro do ACNUR para empreender em Homs.

A Vice-Alta Comissária Kelly T. Clements se reúne com Mahmoud, ferreiro e refugiado retornado, que recebeu auxílio financeiro do ACNUR para empreender em Homs.

BEIRUTE – A Vice-Alta Comissária da ONU para Refugiados, Kelly T. Clements, concluiu uma visita de cinco dias ao Líbano e à Síria fazendo um apelo à comunidade internacional para apoiar os esforços pela paz e pela estabilidade na Síria, e pôr fim ao deslocamento forçado e ao sofrimento de milhões de pessoas no país. Clements também destacou a necessidade de manter o apoio aos países que acolhem a população síria, incluindo o Líbano.

Durante sua visita, Clements se reuniu com autoridades libanesas e sírias, com pessoas refugiadas que retornaram recentemente à Síria e com refugiados recém-chegados no Líbano. No Vale do Beqaa, no leste libanês, pessoas refugiadas sírias que cogitam a possibilidade de retornar ao seu país compartilharam seus desejos, esperanças e receios.

Desde a queda do governo de Assad em dezembro, cerca de 850 mil sírios retornaram voluntariamente dos países vizinhos. O ACNUR aumentou seu apoio àqueles que decidem retornar para garantir que os retornos sejam dignos e sustentáveis, incluindo por meio de recursos financeiros e transporte.

No Líbano, Clements se encontrou com o primeiro-ministro Nawaf Salam; o vice-primeiro-ministro Tarek Mitri; o Diretor-Geral da Segurança, General Hassan Choucair; e a Ministra de Assuntos Sociais, Haneen El Sayed.

Durante as reuniões, Clements expressou sua gratidão pela generosidade contínua do Líbano no acolhimento de pessoas refugiadas sírias e reforçou o compromisso do ACNUR de continuar cooperando para apoiar o retorno voluntário de refugiados sírios.

Cerca de 200 mil pessoas refugiadas retornaram do Líbado à Síria em 2025, e muitas outras manifestaram suas intenções de retornar nos próximos meses. Ainda mais após as autoridades libanesas terem dispensado temporariamente as taxas de saída para quem excedeu o prazo de residência.

Clements também se reuniu com um grupo de pessoas refugiadas sírias que chegaram no Líbano nos últimos meses, fugindo de novos episódios de violência na Síria.

“Tem sido um período dinâmico em que observamos pessoas sírias retornadas, ao mesmo tempo em que outras se tornam novos deslocados”, afirmou Clements. “Contamos que a comunidade internacional continue apoiando o Líbano e o trabalho do ACNUR aqui. Milhões de pessoas refugiadas sírias ainda estão em países vizinhos, e o mundo não pode esquecer delas. Todo retorno deve ser voluntário, seguro e digno.”

Na Síria, Clements se reuniu com a Ministra de Assuntos Sociais e Trabalho, Hind Kabawat, com os governadores de Homs e Idlib, e com refugiados que retornaram recentemente e que expressaram sua esperança de reconstruir suas vidas em seu país. “Eu vi de perto como as pessoas mantêm sua vontade de retornar, permanecer e reconstruir, mesmo diante da dura realidade da destruição e da falta de serviços após 14 anos de guerra”, afirmou Clements.

O ACNUR e seus parceiros na Síria expandiram o apoio nas áreas que registram um fluxo elevado de retornos. Durante sua visita em regiões rurais de Damasco, como Zibdeen e Maliha, Clements visitou pessoas retornadas que receberam assistência para abrigo e apoio para empreender pequenos negócios.

Em Maaret Al Numan, na província de Idlib, Clements inaugurou, junto ao governador local, o Cartório de Registro Civil, recém-reabilitado com apoio do ACNUR, para facilitar o acesso à documentação de retornados e residentes.

No posto de fronteira de Joussieh, onde o ACNUR oferece serviços de registro e apoio à restauração de infraestrutura, ela se encontrou com pessoas refugiadas sírias que cruzavam a fronteira de volta ao país pela primeira vez em anos.

“A comunidade internacional não pode se dar ao luxo de ser mera espectadora, avaliando e julgando os acontecimentos na Síria. É preciso assumir um papel ativo no apoio aos esforços de estabilização e recuperação, ajudando a população síria a reconstruir e reestruturar seu país. O ACNUR e seus parceiros estão em campo fazendo a sua parte, mas muito ainda precisa ser feito e o comprometimento da comunidade internacional para apoiar tais esforços é fundamental.”

Desde 2024, mais de 1,2 milhão de pessoas sírias retornaram ao seu país. Paralelamente, os retornos internos continuam, com 1.763.513 pessoas deslocadas internamente que regressaram desde dezembro de 2024, incluindo 880.058 indivíduos que deixaram campos de deslocados internos no norte da Síria.

Para mais informações:

Em Amã: Rula Amin - [email protected]

No Líbano: Lisa Abou Khaled - [email protected]

Na Síria: Celine Schmitt - [email protected]