Pessoas refugiadas afegãs participam de formação profissional na área de tecnologia em São Paulo
Pessoas refugiadas afegãs participam de formação profissional na área de tecnologia em São Paulo
Há três anos no Brasil, Freshtah Shariatee busca aprofundar a carreira na área de tecnologia
Oferecer formação profissional para atuar no suporte técnico em empresas de tecnologia e prestar apoio para que esses profissionais estejam preparados para ingressar em vagas formais do setor. Esses são os principais objetivos de um curso oferecido a pessoas afegãs refugiadas em São Paulo.
A formação é uma iniciativa da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) em parceria com a Toti e a Cáritas Arquidiocesana de São Paulo. No total, 25 pessoas participaram do curso, iniciado em maio e que encerra na primeira semana de agosto. Com 51 horas de aula, o curso abordou temas como atendimento ao usuário, hardware e sistemas operacionais, diagnóstico e resolução de problemas, redes de computadores e gestão de chamados, além de direitos, processos seletivos e comunicação interpessoal.
Freshtah Shariatee está no Brasil há três anos e é uma das alunas do curso. Ela é formada em Ciência e Química no Afeganistão e, desde que chegou a São Paulo, tem buscado desenvolver a carreira na área de tecnologia, em especial com cybersegurança e inteligência artificial. Ela chegou a trabalhar com segurança de informação em uma grande empresa e atualmente busca por uma recolocação.
“O curso abordou conhecimentos técnicos e desenvolvimento de soft skills. Foi uma excelente oportunidade, em especial para quem deseja começar do zero na área de tecnologia”, explica Freshtah. “Para nós, que buscamos uma oportunidade para entrar no mercado de trabalho, é muito importante contar com apoio de instituições que ofereçam cursos e acompanhamento próximo durante essa jornada. Esse curso é muito alinhado com a área em que atuo e com a carreira que quero seguir”, completa.
De acordo com a associada de Soluções Duradouras no ACNUR, Vivian Holzhacker, o curso foi oferecido a pessoas afegãs com interesse e afinidade com a área de tecnologia, mesmo sem experiência no setor. A intenção foi oferecer formação para que elas consigam atender a requisitos comuns no mercado de trabalho.
"Temos identificado um grande interesse e, em muitos casos, experiência prévia de pessoas refugiadas com a área de tecnologia, embora nem sempre consigam atuar na área aqui no Brasil. Ao investir em qualificação, buscamos ampliar o acesso dessas pessoas a oportunidades compatíveis com seu potencial, valorizando competências como o domínio de diferentes idiomas, a capacidade de adaptação e as experiências que trazem de diferentes contextos", afirma Vivian.
“Essas pessoas chegam cheias de conhecimento, de vontade, de potencial, mas falta oportunidade real e informação adequada”, completa a cofundadora e COO da Toti, Giulia Torres. “A parceria com ACNUR e Caritas começou exatamente aí. A gente quis desenvolver algo que não fosse só qualificação técnica, que fosse ponte real para o mercado de trabalho. Porque qualificação sem informação, sem suporte, fica incompleta.”
O curso fez parte das ações previstas na parceria firmada entre ACNUR e IRUSA, em fase de finalização. Anunciada em setembro de 2025, a parceria buscou, ao longo de um ano, beneficiar diretamente cerca de 2 mil pessoas afegãs em todo o Brasil, por meio de ações voltadas à integração local e ao fortalecimento de meios de vida, além de alcançar indiretamente outras 10 mil pessoas, incluindo comunidades brasileiras de acolhida.