Censo traça perfil de pessoas refugiadas e migrantes em Piraquara (PR)
Censo traça perfil de pessoas refugiadas e migrantes em Piraquara (PR)
Sinalização indica que domicílio participou do censo na comunidade Andorinhas, em Piraquara (PR)
O perfil demográfico e socioeconômico, as condições de vida e as principais demandas da população da comunidade de Andorinhas, com recorte especial para pessoas refugiadas e migrantes que vivem na localidade, serão pauta de evento realizado na próxima terça-feira, 18, em Piraquara (PR).
Os dados foram obtidos por meio de censo comunitário realizado entre abril e julho pela Prefeitura Municipal de Piraquara em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). O objetivo do levantamento foi reunir informações sobre perfil, necessidades e prioridades da população – informações essenciais para orientar políticas públicas, fortalecer ações locais e apoiar soluções construídas em diálogo com a comunidade.
Atualmente, a comunidade Andorinhas possui 1.002 domicílios. Destes, 844 foram alcançados pelo censo, reunindo informações sobre 2.557 pessoas. A população registrada é majoritariamente brasileira, mas há presença expressiva de pessoas migrantes e refugiadas. No total, são 820 pessoas não brasileiras registradas na comunidade, ou 32,1% do total com base na nacionalidade registrada. A população haitiana é o maior grupo, com 727 pessoas em 270 domicílios.
"O Brasil é hoje o segundo país com maior número de pessoas haitianas em necessidade de proteção internacional fora do Haiti. Também acolhemos todos os anos dezenas de milhares de pessoas venezuelanas que buscam por proteção e uma vida digna. Muitas dessas populações que foram forçadas a se deslocar buscam por um recomeço no Paraná, onde as comunidades e os governos precisam estar preparados para protegê-las e acolhê-las adequadamente, garantindo que seus direitos sejam respeitados. Nesse sentido, a realização deste censo é essencial para conhecer quem são essas pessoas, quais as suas demandas mais urgentes, e para a construção e o aprimoramento de políticas públicas locais”, afirma a chefe do escritório do ACNUR em São Paulo (SP), Maria Beatriz Nogueira.
Realizado de abril a julho de 2026, o censo foi feito presencialmente por equipes da Prefeitura de Piraquara e pesquisadores da UFPR. No total, 96 profissionais estiveram envolvidos nas entrevistas aos moradores da comunidade.
“O trabalho de campo foi realizado por servidores de diferentes secretarias municipais, durante os dias de semana e também aos finais de semana, com o objetivo de ouvir o maior número possível de moradores. Além da aplicação dos questionários, os imóveis foram identificados com um selo e os moradores receberam materiais informativos”, explica a vice-prefeita de Piraquara, Loireci Dalmolim. “Antes do início das atividades, a Prefeitura realizou um trabalho de conscientização junto às lideranças da comunidade, esclarecendo que a ação não tinha caráter fiscalizatório, mas buscava aproximar o poder público dos moradores, compreender a realidade local e subsidiar o planejamento de futuras ações”, completa.
Junto com o ACNUR, o projeto Altas da Migração Internacional no Paraná, da UFPR, esteve envolvido na elaboração dos questionários, no treinamento das equipes de recenseadores e na sistematização dos dados levantados. “Reconhecemos ali uma comunidade composta por brasileiros e pessoas de mais cinco nacionalidades, vivendo de maneira bastante integrada. São famílias, a maioria haitianas, que estão buscando o último degrau da integração econômica, de tornarem-se proprietárias de casas e terrenos, o que dá uma garantia imensa para sua permanência no Brasil”, afirma o coordenador do projeto, professor Márcio Oliveira. “Esse censo mostra o quão importante a migração tem sido para o desenvolvimento do Estado e a diversificação de sua cultura. O Brasil, por meio de suas políticas públicas, mostra mais uma vez que é uma sociedade muito acolhedora, capaz de integrar, prestar assistência e fornecer os serviços básicos para toda a população”, destaca.
Perfil da população e das condições de moradia
Entre os principais dados demográficos apontados pelo censo estão os recortes por gênero (50,7% de homens e 49,3% de mulheres), faixa etária (predominante entre 30 e 59 anos, com 39,2% do total da população local) e escolaridade (com maior faixa tendo cursado ensino fundamental – 41,2%).
Quanto às condições de habitação, o censo também aponta que, na comunidade, o acesso à água encanada, à coleta adequada de esgoto e à energia elétrica é precarizado, com a maior parte dos domicílios tendo ligações informais ou comunitárias. Apesar dos desafios estruturais, o acesso a serviços de saúde e de assistência social é realidade para a maioria da população – 84,9% afirmaram recorrer a Unidades Básicas de Saúde e 62,7% dos domicílios estão no Cadastro Único para Programas Sociais.
Devido à presença expressiva da população haitiana e da necessidade de se pensar políticas públicas voltadas para a integração e autonomia do público feminino, o censo também apresenta esses dois recortes. Na análise comparativa, o dado que mais se destaca é com relação à renda e ao acesso ao trabalho.
Apesar de as pessoas não nacionais representarem taxa ligeiramente maior de acesso ao trabalho (74% contra 71,5% entre brasileiros), o rendimento costuma ser menor, em especial entre as pessoas haitianas. Enquanto a população de Andorinhas sem nenhuma renda é composta 16,2% por brasileiras e brasileiros, haitianas e haitianos respondem por 24,7% desse total.
Esses e demais dados serão apresentados em detalhes durante o evento.
Serviço:
Apresentação pública dos dados do Censo Comunitário Andorinhas
Data: 18 de agosto de 2026
Horário: 9h
Local: Auditório da Praça CEU (Rua Juri Danilenko, 3460. Guarituba, Piraquara – PR)
A cerimônia contará com a presença do prefeito de Piraquara, do cônsul do Haiti, da chefe do escritório do ACNUR em São Paulo, entre outras autoridades.
Atendimento à imprensa:
Secretaria de Comunicação de Piraquara - [email protected] - (41) 35903551
Informação Pública do ACNUR – Paola Bello – [email protected] - (11) 98875-3256