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População refugiada e migrante no Rio Grande do Sul enfrenta desafios com relação à renda, aponta censo

Notas informativas

População refugiada e migrante no Rio Grande do Sul enfrenta desafios com relação à renda, aponta censo

Levantamento realizado por organizações lideradas por pessoas refugiadas em 11 municípios aponta que 62% das famílias entrevistadas vivem com menos de um salário mínimo
30 Junho 2026
Evento de apresentação dos principais dados do censo contou com participação de pessoas refugiadas e migrantes, organizações da sociedade civil e representantes dos poderes público estadual e municipal

Evento de apresentação dos principais dados do censo contou com participação de pessoas refugiadas e migrantes, organizações da sociedade civil e representantes dos poderes público estadual e municipal

Conseguir alcançar renda, seja por emprego formal ou por meio do empreendedorismo, é um dos maiores desafios enfrentados por pessoas refugiadas e migrantes acolhidas no Rio Grande do Sul. Atualmente, 62% das famílias vivem com renda inferior a um salário mínimo por mês. É o que aponta censo realizado por organizações lideradas por pessoas refugiadas, apresentado publicamente na última sexta-feira, 26, em Porto Alegre (RS), em evento que contou com a participação de pessoas refugiadas e migrantes, lideranças comunitárias, organizações da sociedade civil e representantes do poder público estadual e municipal.

O censo foi realizado entre agosto de 2025 e junho de 2026 em 11 municípios – Arroio do Meio, Cachoeirinha, Canoas, Caxias do Sul, Encantado, Esteio, Estrela, Lajeado, Porto Alegre, São Leopoldo e Venâncio Aires. No total, 2.740 pessoas foram ouvidas, representando 726 famílias. O objetivo foi reunir informações organizadas sobre perfil, necessidades, desafios e prioridades para a população refugiada e migrante nessas localidades. O levantamento busca apoiar o planejamento de ações, o fortalecimento de políticas públicas e a ampliação do acesso a direitos, serviços e oportunidades de inclusão social.

“Esse censo é muito importante para nós porque, assim, conhecemos a população e as demandas das localidades – se estão precisando fazer documentação, se precisam de acesso a alimentação, serviços de saúde, entre outros”, ressalta o presidente do coletivo, Migrantes e Refugiados Unidos RS, Gabriel Lizarraga. “A partir desse levantamento, conseguimos endereçar a construção de políticas públicas na região e no Brasi”, completa.

Apresentação pública dos dados do censo sobre pessoas refugiadas e migrantes no RS contou com presença de autoridades

Secretário de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Estado do Rio Grande do Sul, Fabrício Guazzelli Peruchin (ao centro da foto) participou de apresentação pública dos dados ao lado do representante do ACNUR no Brasil (à esquerda) e o presidente do coletivo Migrantes e Refugiados Unidos RS, Gabriel Lizarraga

A iniciativa foi liderada pelo coletivo Migrantes e Refugiados Unidos RS, com apoio da Associação dos Haitianos no Brasil (AHB) e da Associação dos Imigrantes Haitianos no Vale do Taquari (ASIHVAT), organizações também lideradas por pessoas refugiadas, que contribuíram para a aplicação do censo em suas comunidades. O ACNUR também tem apoiado a iniciativa.

"O ACNUR tem, desde o início, apoiado a realização deste censo por entender que os dados que ele traz são fundamentais para a construção de políticas públicas mais inclusivas. Eles também permitem que o trabalho que realizamos alcance as reais necessidades da comunidade”, afirma a chefe do escritório do ACNUR no Rio Grande do Sul, Pollyana de Lima. “A apresentação pública desses dados, em evento que contou com a presença de autoridades do estado e do município, mostra que estamos conseguindo cumprir o nosso mandato, com pessoas refugiadas liderando e sendo ouvidas”, completa.

Perfil e demandas identificadas

A maioria das pessoas que responderam ao censo era de venezuelanas e haitianas, mas também participaram pessoas vindas de Cuba, Peru, Colômbia, Argentina, Paraguai e Uruguai. O levantamento apontou que quase 90% possuem cartão do SUS e estão com a documentação brasileira em dia. Do total, 57% estão cadastrados em programas sociais e 29% recebem algum benefício, incluindo o Bolsa Família.

A renda mensal é o ponto que mais chama a atenção entre os dados apresentados. Do total de pessoas entrevistadas, 62,7% vivem com menos de um salário mínimo por mês – o que reflete, por exemplo, em 23% indicarem que também possuem dificuldade em adquirir alimentação adequada e qualidade. Também estão entre as principais demandas: acesso a aula de português (apontado por 90% das pessoas entrevistadas) e a benefícios sociais (59%), apoio a empreendedorismo e cursos de capacitação (42%) e oportunidades de trabalho e emprego (26%). O acesso à moradia também foi apontado como principal demanda por 30% das famílias ouvidas.

No link a seguir, é possível acessar informativo com os principais dados apresentados: