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No Rio Grande do Sul, haitianas recebem treinamento e apoio para empreendedorismo

Notas informativas

No Rio Grande do Sul, haitianas recebem treinamento e apoio para empreendedorismo

Programa Refugiadas Empreendedoras reuniu mulheres que aprenderam a transformar conhecimentos em pequenos negócios para garantir o sustento das famílias e mais autonomia no Brasil
3 Agosto 2026
Judith Royal apresentou produtos típicos que comercializa durante o último dia de curso

Judith Royal apresentou produtos típicos que comercializa durante o último dia de curso

Na última quarta-feira, 29, 19 mulheres haitianas participam da última sessão de mentoria do programa Refugiadas Empreendedoras, iniciativa voltada à formação de mulheres migrantes e refugiadas em situação de vulnerabilidade social. O encontro marcou o encerramento de um ciclo iniciado em março, em Porto Alegre (RS), que combinou formação em empreendedorismo e acompanhamento individual para apoiar a criação de pequenos negócios.

Todas as participantes concluíram um curso gratuito que ensina, de forma prática, como transformar conhecimentos que elas já têm em fonte de renda. A proposta foi oferecer condições para que mulheres que enfrentaram o deslocamento forçado possam reconstruir suas trajetórias, gerar renda e conquistar maior autonomia financeira.

Promovido pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e pelo Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR), em parceria com a Territorialize, o programa Refugiadas Empreendedoras já capacitou 39 mulheres no Rio Grande do Sul. A primeira turma foi formada por 20 mulheres venezuelanas.

“Esse curso foi muito bom para mim. Eu aprendi como gerir meu negócio e a organizar meus gastos. Agora, eu sei como planejar tudo o que tenho para fazer”, afirma Judith Royal, que comercializa chips de banana, típicos do Haiti. “Antigamente, a gente gastava por gastar, sem controle, sem nada. Com esse curso, eu consegui organizar minhas coisas para manter o meu negócio mais para a frente”, completa.

A separação dos gastos pessoais dos custos do empreendimento é uma dificuldade comum em pequenas empresas. Para a aluna Sherlie Datilus, esse foi um dos principais aprendizados e que vai ser fundamental para o sucesso do pequeno empreendimento. “A minha experiência com o curso foi muito boa. A minha maior dificuldade era de separar o meu dinheiro do dinheiro do negócio. Agora que eu sei muito bem como é que faz isso vai ficar mais fácil para mim”, declara.

Para Sherlie Datilus, um dos grandes aprendizados do curso foi a separação dos custos pessoais e da empresa

Para Sherlie Datilus, um dos grandes aprendizados do curso foi a separação dos custos pessoais e da empresa

Aprendizado e acompanhamento

A formação ensinou às alunas um passo a passo em 10 etapas para estruturar um negócio, mesmo sem capital inicial para investir. Ao final das aulas presenciais, as alunas receberam uma logomarca para seus empreendimentos e um plano de negócios personalizado.

Na sequência, elas passaram por um período de três meses de mentoria, etapa considerada estratégica para aumentar as chances de sobrevivência dos novos empreendimentos. Ao final desse acompanhamento, algumas participantes já estão com seus negócios em funcionamento.

“Muitas vezes, em função do deslocamento forçado, as mulheres perdem suas redes de apoio. Sem ter com quem dividir o cuidado com as crianças, elas acabam com mais dificuldade para acessar o mercado de trabalho formal e recorrem ao empreendedorismo”, explica a chefe do escritório do ACNUR no Rio Grande do Sul, Pollyana de Lima. “Essa é a segunda turma de mulheres que conseguimos formar. Além das aulas, consideramos fundamental o acompanhamento mais próximo e dedicado ao negócio de cada uma, por meio das mentorias. Dessa forma, elas conseguem planejar seus empreendimentos de acordo com suas possibilidades reais e ter mais chance de uma integração com mais qualidade", completa.

As alunas do Refugiadas Empreendedoras são mulheres que deixaram seus países em razão de crises humanitárias, conflitos ou outras situações de violência. Muitas enfrentam sozinhas o desafio de reconstruir a vida enquanto garantem o sustento da família. O projeto parte do princípio de que essas mulheres já carregam consigo habilidades que podem ser transformadas em oportunidades de geração de renda dentro das próprias comunidades.

"Nessa turma, 84% têm filhos pequenos, 42% são mães solo e 63% são as principais responsáveis pela renda da família. Muitas empreendem a partir de conhecimentos que trouxeram do Haiti, produzindo alimentos típicos da culinária haitiana, enquanto outras atuam na confeitaria, na venda de cosméticos, roupas, serviços de beleza, costura e decoração. Boa parte desses negócios atende à própria comunidade haitiana, contribuindo para manter vivas referências culturais e ampliar as redes de apoio entre migrantes e refugiados. Ao apoiar essas iniciativas, geramos oportunidades de integração socioeconômica e de reconstrução de projetos de vida no Brasil”, explica Isadora Konzen, analista social de Meios de Vida do SJMR em São Leopoldo.