ACNUR leva pauta do deslocamento forçado para eventos sobre clima
ACNUR leva pauta do deslocamento forçado para eventos sobre clima
Painel organizado pelo ACNUR durante a Porto Alegre Climate Action Week defendeu participação ativa de pessoas forçadas a se deslocar no debate e na tomada de decisões
O papel dos diferentes setores e a importância da ação integrada nas respostas às mudanças climáticas e às pessoas forçadas a se deslocar. Esses foram os norteadores de debates que contaram com a participação da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) em eventos sobre clima nas últimas semanas, em São Paulo (SP) e no Rio Grande do Sul (RS).
O primeiro foi na capital gaúcha, no dia 21 de julho, durante a Porto Alegre Climate Action Week. O ACNUR organizou a mesa de debates “Da Evidência à Ação: Repensando a Adaptação Climática a partir das Realidades do Deslocamento Forçado”, que contou com a participação de representantes do ACNUR, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (SEMA/RS) e da Associação dos Haitianos no Brasil (AHB).
O painel destacou o papel das organizações lideradas por pessoas refugiadas na governança climática e a importância de abordagens comunitárias que coloquem as populações afetadas no centro dos processos de tomada de decisão. As discussões reforçaram que a adaptação climática não é apenas um desafio ambiental, mas uma questão fundamental de proteção e inclusão social, exigindo maior coordenação entre instituições e setores para responder de forma eficaz aos impactos do deslocamento forçado.
Painel durante a SP Climate Week destacou a importância das empresas na promoção de oportunidades de emprego e renda para pessoas forçadas a se deslocar
A necessidade e a importância da participação ativa de pessoas forçadas a se deslocar nos processos de tomada de decisão relacionada a clima e inclusão também foram destaque nas ações do ACNUR durante a SP Climate Week, realizada de 3 a 7 de agosto em São Paulo (SP). Durante o painel "Justiça Climática e Inclusão Produtiva: O Papel das Empresas na inclusão de pessoas Refugiadas", foram apresentadas a situação atual do deslocamento forçado no mundo e experiências de empresas na ampliação do acesso a emprego, qualificação e oportunidades de geração de renda a pessoas que foram forçadas a se deslocar.
O painel foi organizado pela Accor e também contou com a participação do Pacto Global da ONU – Rede Brasil e da empresa JSL – ambas participantes do Fórum Empresas com Refugiados. “O objetivo foi garantir que as experiências e necessidades das pessoas forçadas a se deslocar fossem consideradas nas discussões de alto nível sobre ação climática, sustentabilidade e inclusão social. Ao trazer a perspectiva das pessoas refugiadas para um dos principais fóruns climáticos do Brasil, o ACNUR contribuiu para posicionar o deslocamento forçado como uma questão fundamental dentro da agenda climática mais ampla, além de fortalecer o diálogo com importantes atores do setor privado”, ressaltou a oficial de proteção do ACNUR, Thais Menezes.
Parcerias com propósito
A relevância do setor privado no tema também foi destacada em um segundo debate durante a SP Climate Week. O painel “Clima e Impacto Social”, promovido na quarta-feira, 5, no AYA Earth Partners, reuniu representantes de empresas e associações dos setores financeiro, de energia e infraestrutura. A agenda promoveu compartilhamento de experiências sobre a implementação de projetos de impacto social relacionados aos desafios climáticos.
Dados do ACNUR revelam que, nos últimos 10 anos, desastres relacionados ao clima causaram 220 milhões de deslocamentos internos, como os que aconteceram durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, em que mais de 2,4 milhões de pessoas foram afetadas, das quais mais de 43 mil eram refugiadas.
Representantes do setor privado em painel organizado pelo ACNUR durante a SP Climate Week
Segundo a chefe do Escritório de Parcerias com o Setor Privado do ACNUR Brasil, Samantha Federici, a atuação da organização depende diretamente da construção de alianças com diferentes atores da sociedade e a parceria com empresas contribui diretamente para ampliar o alcance das iniciativas. “O trabalho que a gente faz e o impacto que a gente gera só são possíveis por meio de parcerias. A gente acredita muito no poder do setor privado como um parceiro-chave”, avaliou durante o encontro.
Durante o encontro, Samantha apresentou possibilidades de parcerias com o setor privado para a implementação de iniciativas relacionadas ao clima, como um hub de inovação que une ação humanitária à sustentabilidade ambiental, além do Fundo Global de Proteção Ambiental para Pessoas Refugiadas (REP Fund) para projeto no território indígena São Marcos, em Roraima. O painel contou ainda com Milena Rosa, Líder Global de ESG da Schneider Electric e Jonathan Colombo, Gerente de Marketing e Sustentabilidade da LONGi Brasil, empresas parceiras da ACNUR, que compartilharam experiências sobre a construção e a execução de projetos desenvolvidos em conjunto com a agência.