Fórum Empresas com Refugiados reconhece boas práticas na contratação de pessoas com necessidade de proteção internacional
Fórum Empresas com Refugiados reconhece boas práticas na contratação de pessoas com necessidade de proteção internacional
Segunda edição do "Ações que Inspiram" reconheceu as melhores práticas empresariais de inclusão de pessoas refugiadas no mercado formal de trabalho
Três iniciativas empresariais receberam reconhecimento da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e do Pacto Global da ONU – Rede Brasil nesta quinta-feira, 5, em São Paulo. A segunda edição do Ações que Inspiram reconheceu as melhores práticas de inclusão de pessoas refugiadas no mercado formal de trabalho entre integrantes do Fórum Empresas com Refugiados.
O reconhecimento público aconteceu durante o 5º Encontro Anual do Fórum Empresas com Refugiados, que reuniu cerca de 200 participantes, incluindo representantes de empresas, poder público, academia, agências da ONU, sociedade civil e pessoas refugiadas. Esta foi a segunda edição do Ações que Inspiram, que reconheceu iniciativas em três categorias: Empregabilidade e Inclusão, Engajamento e Parcerias, e Transformação de Vida.
“Hoje, o Brasil acolhe mais de 1 milhão de pessoas que foram forçadas a se deslocar e que trazem consigo uma diversidade de conhecimentos e de experiências profissionais. Em um cenário de redução dos recursos destinados à resposta humanitária global, o engajamento, as parcerias e o apoio financeiro de diferentes setores tornam-se ainda mais relevantes para ampliar oportunidades de emprego, geração de renda e integração sustentável, contribuindo para soluções de longo prazo para a população refugiada”, afirmou o representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli.
"Contratar pessoas refugiadas não é filantropia, é estratégia. As empresas que abrem espaço para esses talentos ganham em diversidade, inovação e produtividade, e ainda contribuem para uma sociedade mais justa. O Fórum Empresas com Refugiados mostra que o setor privado brasileiro tem um papel decisivo nessa integração", completou o diretor executivo do Pacto Global da ONU - Rede Brasil, Rodrigo Favetta.
Reconhecimento e inspiração
Ações que Inspiram é um reconhecimento de iniciativas e trajetórias que demonstram diferentes caminhos para promover a inclusão socioeconômica de pessoas refugiadas no Brasil, seja por meio da empregabilidade, do fortalecimento de redes de apoio ou do desenvolvimento de carreiras e projetos de vida.
A categoria Empregabilidade e Inclusão buscou reconhecer empresas e organizações que implementaram políticas, programas ou estratégias estruturadas para promover a contratação, retenção e desenvolvimento de pessoas refugiadas. O reconhecimento ficou com o Grupo Pão de Açúcar (GPA). Também estiveram entre os finalistas o Grupo Risotolândia e a empresa Solar Coca-Cola.
Representante do GPA, ao centro, que recebeu o reconhecimento na categoria "Empregabilidade e Inclusão", ao lado das finalistas Grupo Risotolândia e a empresa Solar Coca-Cola.
Em 2025, o GPA criou um programa de inclusão de pessoas refugiadas e migrantes, alinhado à sua Política de Diversidade, Inclusão e Direitos Humanos, que reúne banco de talentos exclusivo com candidatura simplificada, processos seletivos direcionados, feiras de empregabilidade, formação das equipes de recrutamento e sensibilização de gestores. Após a contratação, os colaboradores contam com trilhas de desenvolvimento, programa de 90 dias para garantir a integração estruturada e acolhedora, além de equipe multidisciplinar de apoio (assistentes sociais e psicólogos). Entre julho de 2025 e agosto de 2026, o grupo contratou 692 pessoas refugiadas e migrantes.
“O propósito do GPA é alimentar sonhos e vidas, e a nossa atuação com pessoas refugiadas espelha totalmente esse propósito. Que a gente siga com esse trabalho conjunto, que a gente consiga acolhê-los e trazer diversidade para as nossas equipes e para o atendimento ao nosso cliente. E que também possamos proporcionar a eles capacitação, reconhecimento e pertencimento”, declarou a Consultora de ESG e Relações Governamentais do Grupo Pão de Açúcar, Natália Barbiero de Andrade, ao receber o reconhecimento.
Na categoria Engajamento e Parcerias, foram inscritas iniciativas que mobilizam organizações da sociedade civil, parceiros, fornecedores, clientes e outros atores para ampliar a inclusão no mercado de trabalho de pessoas que foram forçadas a se deslocar. As empresas finalistas foram Hotelaria Accor, Reponto e Fiasul, que recebeu o reconhecimento.
Representantes de Hotelaria Accor (à esquerda), Reponto (direita) e Fiasul (ao centro), finalistas da categoria "Engajamento e Parcerias"
O programa da Fiasul reconhecido na categoria foi criado em 2020 e integrado à política de Gestão de Pessoas, com contratação sem exigência de experiência prévia, seleção adaptada a quem não domina o português, integração e treinamento de segurança em linguagem acessível com apoio de colegas do mesmo país de origem já efetivados, apoio à regularização documental e acesso à educação. Desde 2020, 430 pessoas refugiadas de 12 nacionalidades foram contratadas. Dessas, 330 permaneceram após 24 meses (retenção de 77%) e 5% foram promovidas, incluindo a cargos de liderança.
“Receber esse reconhecimento é olhar para trás e falar que tudo valeu a pena”, afirmou a coordenadora de Gestão de Pessoas da Fiasul, Karen Brinker, na cerimônia de reconhecimento. “Meu maior recado é que o nosso país e as nossas empresas sejam sempre um lugar para recomeçar.”
Histórias de pessoas refugiadas que conseguiram reconstruir suas trajetórias pessoais e profissionais com o apoio de empresas foram o foco da categoria Transformação de Vida. O venezuelano Alberto José Rojas, da empresa MBRF, teve sua história reconhecida. Também estiveram entre os finalistas a venezuelana Oriana Del Valle, contratada pela Construtora Tenda, e a síria Reham Alhelwani, funcionária da empresa EY.
Alberto José Rojas, da empresa MBRF, teve sua história reconhecida na categoria "Transformação de Vida"; a venezuelana Oriana Del Valle, contratada pela Construtora Tenda, e a síria Reham Alhelwani, funcionária da empresa EY, foram finalistas.
Alberto deixou a Venezuela com cinco familiares, sem recursos, e viveu cerca de 30 dias em situação de rua em Boa Vista (RR). Depois de conseguir uma vaga em um dos abrigos, ele foi chamado para uma entrevista de emprego na empresa MBRF. Selecionado e contratado, ele foi acolhido pela empresa no município de Capinzal (SC), que arcou com custos de hospedagem no primeiro mês no novo emprego. Atualmente, ele trabalha como operador de produção e se prepara para atuar como operador tradutor. Desde que ingressou na empresa, conquistou habilitação de carro e moto e conseguiu levar a mãe para conhecer o mar, seu maior sonho.
Devido ao tornado que atingiu a cidade de Chapecó (SC) na noite anterior ao evento, Alberto não conseguiu viajar para receber o reconhecimento pessoalmente. Ele foi representado por Cristiane Costa, Gerente Executiva de RH na MBRF, que reforçou sua história de superação e dedicação tanto dele quanto das milhares de pessoas refugiadas que trabalham na empresa. “Alberto representa os mais de 14 mil refugiados e migrantes contratados atualmente pela MBRF, que fazem parte da nossa história e que constroem toda a nossa produção e a nossa eficiência todos os dias no Brasil”, reforçou.
Sobre o Fórum Empresas com Refugiados
O Fórum Empresas com Refugiados é uma iniciativa do ACNUR, Agência da ONU para Refugiados, e do Pacto Global da ONU - Rede Brasil, que reúne empresas e organizações empresariais comprometidas com a inclusão socioeconômica de pessoas refugiadas no Brasil. Com 164 membros, o Fórum promove a troca de experiências, a disseminação de boas práticas e a capacitação de empresas para processos de recrutamento, contratação e integração de pessoas refugiadas. A iniciativa também atua na articulação do setor privado e de parceiros estratégicos para ampliar oportunidades de trabalho digno e fortalecer a inclusão dessa população na sociedade brasileira.
O 5º Encontro do Fórum Empresas com Refugiados teve o apoio de Accor Solidarity, Assaí Atacadista, Construtora Tenda e Foundever.
Para saber mais sobre a iniciativa, acesse empresascomrefugiados.com.br/forum.