No RS, Feira de Empregabilidade promove compromisso do setor privado com integração socioeconômica de pessoas refugiadas e migrantes
No RS, Feira de Empregabilidade promove compromisso do setor privado com integração socioeconômica de pessoas refugiadas e migrantes
Cerca de 100 pessoas de diferentes nacionalidades participaram da I Feira de Empregabilidade do HUB RS do Fórum Empresas com Refugiados
Nesta quarta-feira, 18 de março, cerca de 100 pessoas refugiadas e migrantes buscaram por uma oportunidade de ingressar formalmente no mercado de trabalho brasileiro. A I Feira de Empregabilidade do HUB Rio Grande do Sul do Fórum Empresas com Refugiados foi realizada em Porto Alegre e atraiu pessoas de diferentes nacionalidades para 110 vagas formais de trabalho para contratação imediata, oferecidas em diferentes setores da economia gaúcha.
O Fórum Empresas com Refugiados é uma iniciativa do ACNUR e do Pacto Global da ONU – Rede Brasil que busca impulsionar o engajamento do setor privado na inclusão laboral de profissionais refugiados e migrantes. Lançado em dezembro, o Hub Rio Grande do Sul é liderado pela Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS) e já conta com 18 empresas comprometidas.
Durante a feira, pessoas refugiadas e migrantes conheceram as vagas disponíveis e passaram pela primeira etapa dos processos seletivos. As vagas foram oferecidas em diferentes setores, como hotelaria, construção civil, hospitais e supermercados. Entre as oportunidades de trabalho estavam de auxiliar de limpeza, manobrista, arrumadeira, oficial de manutenção, auxiliar de atendimento, técnico de enfermagem, pedreiro, assistente de operações, entre outras.
A venezuelana Francelys Perez buscou por oportunidades junto à rede hoteleira presente na feira
A venezuelana Francelys Perez mora em Porto Alegre há três anos e, em todo esse tempo, conseguiu apenas um emprego formal, temporário. Com experiência como repositora em supermercado no Brasil e como ajudante de cozinha na Venezuela, ela ficou esperançosa com as conversas que teve com representantes das empresas. “Foi uma ação muito boa essa aqui, gostei de participar, me trataram muito bem. Trabalho desde os 16 anos, mas agora estou sem emprego. Tenho experiência como ajudante de cozinha em redes de hotéis. Que Deus ajude que eu consiga um trabalho, porque já não consigo ficar em casa, sem renda”, declarou.
Benise Molna chegou do Haiti há três meses e gostaria de trabalhar como camareira ou ajudante de cozinha
A haitiana Benise Molna também buscou por oportunidades junto às redes hoteleiras. No Brasil há apenas três meses, ela tenta aprender o português e está disposta a se dedicar ainda mais no novo emprego. “Espero conseguir trabalhar ou na área de cozinha ou como arrumadeira. No Haiti, eu trabalhava com restaurantes. Conversei com as pessoas e falaram que, se eu passar no processo, posso começar em poucos dias. Estou muito grata por essa atividade e às pessoas que estão tentando nos ajudar a encontrar um emprego.”
Mobilização local
Além do compromisso das oito empresas presentes na feira, o evento contou com o apoio de três diferentes organizações lideradas por pessoas refugiadas tanto para mobilizar a comunidade local quanto para apoiar com eventuais traduções. Foi por meio de uma dessas organizações que a venezuelana Sara Forte soube da atividade.
Sara Forte é venezuelana, formada em Administração, e busca o primeiro emprego formal no Brasil
Formada em Administração de Empresas, Sara chegou há apenas um mês ao Rio Grande do Sul. Antes, ela viveu por nove anos no Peru, e decidiu vir para a capital gaúcha, onde seu pai já morava, em busca de oportunidades. “O que acontece é que, quando chegamos, precisamos de um emprego rápido, mas sempre existe uma dificuldade com relação ao idioma e ao reconhecimento da sua formação. Já trabalhei em diferentes setores, desde metalurgia, recursos humanos, comércio, de tudo um pouco. Estou participando de alguns processos seletivos e estou bastante segura de que vou conseguir”, afirma.
Recém-chegado ao Brasil, o haitiano Cedrick Philippe buscou por vagas na construção civil, ramo em que possui experiência
No Brasil há dois meses, o haitiano Cedrick Philippe também soube da ação por meio das organizações lideradas por pessoas refugiadas. Antes de chegar ao Brasil, ele trabalhava como pedreiro no Haiti e saiu da feira bastante confiante. “Eu tenho experiência como pedreiro, trabalhei por muito tempo na construção civil no Haiti, por isso fui encaminhado para entrevista com uma construtora. Disseram que vão entrar em contato para as próximas etapas. Estou confiante, porque preciso de um emprego para me manter e ajudar minha família, que ficou no Haiti”, conta.
Cedrick contou com o apoio do amigo Gedler Guillaume, que está no Brasil há mais tempo e ajudou na tradução durante a entrevista. Além de tradutor, ele também era candidato a uma das vagas disponíveis. “Essa atividade foi muito boa. Soubemos por um amigo venezuelano e vim para ajudar, além de buscar uma vaga pra mim. Participei de uma entrevista para pedreiro e agora vou participar de outra, para a rede atacadista.”
Compromisso do setor privado
A Feira de Empregabilidade é a primeira grande ação do HUB Rio Grande do Sul do Fórum Empresas com Refugiados e traduz o trabalho intenso que tem sido feito no estado para promover a integração e a autonomia das pessoas refugiadas e migrantes. “O papel catalizador do ACNUR se reflete nessa conexão entre as pessoas refugiadas, que precisam de oportunidades, e as empresas, que necessitam e estão mobilizadas para contratar essas pessoas”, destacou a representante adjunta do ACNUR no Brasil, Maria Eliana Barona
“Nessa feira, vemos a importância também das lideranças refugiadas para mobilização das pessoas. Isso tudo consolida o trabalho colaborativo e cria um ambiente de confiança entre as redes e as empresas. O papel do ACNUR é ser essa ponte entre a comunidade, as organizações parceiras, como a FGTAS, e o setor privado, que nem sempre conhece a realidade em que vivem as pessoas refugiadas”, completa.
Para o diretor técnico da FGTAS, Carlos Eduardo Prestes, a parceria reforça também a missão da organização, de promover o emprego formal no estado. “A gente está aqui hoje para o bem dos refugiados, junto com nosso parceiro ACNUR, para que essas pessoas consigam se colocar no mercado de trabalho. A FGTAS está presente sempre onde há emprego. Nosso objetivo hoje é fazer com que todos sejam empregados”, ressaltou.
Durante a feira, pessoas refugiadas e migrantes também puderam tirar dúvidas sobre o mercado de trabalho brasileiro
Além das entrevistas e encaminhamentos de processos seletivos, a feira contou com uma roda de conversa, onde foram esclarecidas dúvidas sobre o mercado formal de trabalho no Brasil e os direitos das pessoas refugiadas e migrantes trabalhadoras.
A I Feira de Empregabilidade do Hub RS do Fórum Empresas com Refugiados foi uma realização de ACNUR, Pacto Global da ONU – Rede Brasil, FGTAS e Sine, com apoio de Aldeias Infantis SOS, Migrantes e Refugiados Unidos - RS, Rede de Integração e Desenvolvimento de Estrangeiros (REIDE) e Associação dos Haitianos no Brasil (AHB). Estiveram presentes para os processos seletivos representantes da Tenda Construtora, Casa do Menino Jesus de Praga, Associação Educadora São Carlos (AESC), Hotel Blue Tree, Hotel Accor, Adient, W Premium Lounge, e Forte Atacadista.
Para saber mais sobre o Fórum Empresas com Refugiados, acesse empresascomrefugiados.com.br/forum