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ACNUR e MEC lançam guia para revalidação de diplomas de pessoas refugiadas em Curitiba

Notas informativas

ACNUR e MEC lançam guia para revalidação de diplomas de pessoas refugiadas em Curitiba

Universidade Federal do Paraná sediou evento com presença de autoridades federais, organismos internacionais e pessoas refugiadas e com residência humanitária que receberam seus diplomas revalidados em 2025 pela UFPR em diferentes áreas de conhecimento
24 Abril 2026
evento revalidação de diplomas UFPR

Evento sobre revalidação de diplomas em Curitiba/PR contou com a presença de pessoas refugiadas, e com residência humanitária e representantes do ACNUR, MEC e da UFPR, que sediou o evento
 

A revalidação de diploma de pessoas refugiadas é uma expressiva forma de integração local, pois permite que profissionais com trajetórias interrompidas pelo deslocamento forçado retomem suas carreiras e contribuam de forma qualificada para a sociedade brasileira. Para celebrar a conquista de dezenas de pessoas refugiadas que tiveram seus diplomas revalidados e para lançar um guia de apoio a quem deseja alcançar esse reconhecimento, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) promoveram evento nesta quinta-feira, 23, em Curitiba (PR).

O evento contou com a entrega de diplomas a pessoas refugiadas e migrantes, de diferentes nacionalidades, que tiveram a formação acadêmica reconhecida no Brasil por meio da UFPR. O evento também contou com o lançamento da publicação “Revalidação de diplomas de pessoas refugiadas – Guia de apoio", uma iniciativa do ACNUR em parceria com o Ministério da Educação (MEC).

Ao redor do mundo, milhões de pessoas refugiadas carregam consigo não apenas histórias de perda, mas também conhecimentos, habilidades e experiências acumuladas ao longo de anos de formação e experiências profissionais. No entanto, ao chegarem a um novo país, muitas vezes se deparam com um obstáculo silencioso, porém decisivo: o não reconhecimento oficial destes saberes.

Sem essa validação, médicos deixam de exercer a medicina, engenheiros não podem atuar em sua área e professores ficam afastados das salas de aula, por exemplo. Em outras palavras, talentos são subutilizados – com impactos não apenas individuais, mas também para o desenvolvimento econômico e social dos países que os acolhem, inclusive reduzindo a mão de obra especializada para contratação do setor privado.

Apesar dessas dificuldades, os resultados são transformadores. Quando um diploma é revalidado, o impacto vai muito além do âmbito acadêmico. Trata-se de um processo que recupera identidade, autoestima e pertencimento. Como relata a Yedimar Castellano, pedagoga venezuelana que recebeu o seu diploma revalidado, “eu trouxe meu diploma original para o Brasil porque ele diz quem eu sou, me ajuda a lembrar de meu potencial e faz com que eu possa olhar adiante e planejar meu futuro que será aqui, neste país que tão bem me acolheu”.

Esse sentimento reflete algo profundo: o reconhecimento não apenas de um título acadêmico, mas de uma trajetória de vida que potencializa o acesso ao mercado de trabalho formal, garantindo assim mais seguridade e autonomia para as pessoas e resultados efetivos para as empresas, já que profissionais refugiados agregam novos conhecimentos e têm maior potencial de permanência nos diferentes campos de trabalho.

“Os diplomas revalidados são de pessoas que não desistiram e que seguem contribuindo para as sociedades que as acolheram. Em um país receptivo como o Brasil, sabemos que há dificuldades neste processo longo, custoso e restrito, mas com o lançamento do guia esperamos que possamos ampliar o número de revalidações por parte de outras instituições de ensino superior e que sirva de referência para que as empresas possam se atentar para a contratação de profissionais refugiados que têm muito a aportar para os resultados dos diferentes negócios”, disse Davide Torzilli, Representante da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) no Brasil.

O “Guia de apoio para revalidação de diplomas de pessoas refugiadas”, lançado no evento do marco de 10 anos do processo de revalidação de diplomas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi construído pelo ACNUR com o apoio do Ministério da Educação (MEC), que contou com a participação do Coordenador-Geral de Internacionalização, Virgilio Almeida.

“Quando falamos de revalidação de diplomas para pessoas refugiadas, falamos de devolver trajetórias, de reconhecer histórias, de permitir que talentos não se percam, pois a revalidação é um instrumento fundamental para a integração local e para a autonomia dessas pessoas, permitindo que reconstruam suas vidas com dignidade e contribuam plenamente com as sociedades que as acolhem. Esse guia, portanto, é um convite para que continuemos avançando para a inclusão das pessoas refugiadas”, disse Almeida.

Com 231 diplomas revalidados apenas em 2025, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) se tornou a referência neste processo, como foi destacado pelo Relator Especial da ONU sobre os direitos humanos dos migrantes, Gehad Madi, cujo documento foi mencionado pelo Reitor da UFPR, Marcos Sunye.

“Migrantes e refugiados continuam concentrados de forma desproporcional em empregos de baixa remuneração, manuais e de nível básico, mesmo quando possuem ensino superior ou qualificações profissionais (...). Neste sentido, a prática da UFPR tem demonstrado um forte compromisso institucional com a promoção da integração de migrantes e refugiados na sociedade por meio de uma plataforma dedicada à revalidação de diplomas estrangeiros, introduzindo requisitos de documentação flexíveis, incluindo a utilização de exames em substituição de documentos que podem ser difíceis de obter, e reduzindo significativamente os custos associados”.

Além da importância do reingresso e acesso às universidades que a revalidação de diplomas também pode proporcionar, é importante que o processo de acolhimento dessas pessoas seja considerado para assegurar a permanência destes estudantes. Nesse sentido, práticas como o ensino de português, referenciamento aos serviços públicos existentes e atendimento psicossocial são iniciativas já implementadas pela UFPR e outras universidades conveniadas à Cátedra Sérgio Vieira de Mello do ACNUR, como projetos de extensão que estão descritos na em sua página oficial.

“As ações de extensão que promovemos dentro da UFPR, voltados para melhor acolher as demandas dos estudantes refugiados e migrantes, vêm de fora e são por nós construídas com base nessas demandas. Esperamos que este exemplo da UFPR possa inspirar outras instituições de ensino para ampliarmos os ganhos possíveis para que essas pessoas possam dar continuidade aos seus estudos e conseguirem melhores empregos.”

Para o advogado haitiano Petuel Dieujuste, que chegou no Brasil em 2017 e teve seu diploma revalidado pela UFPR em 2024, o sentimento de gratidão com país é imensurável.

“Sou muito grato com as oportunidades que o Brasil me proporcionou, dando-me dignidade para que meus conhecimentos sejam reconhecidos porque tenho muito a contribuir para o país. Eu trouxe a minha toga da formatura no Haiti e quando olho para ela, sinto um alívio porque minha vida é advogar, defender. Agora que conclui mais uma formação acadêmica, vou estudar para o concurso da Ordem dos Advogados do Brasil”.

Mesmo com as dificuldades que os fizeram chegar até o Brasil, as pessoas refugiadas que aqui estão projetam e trabalham para sua contínua formação e acesso aos meios dignos de trabalho e da vida como um todo.