Close sites icon close
Search form

Pesquisar o site do país.

Country profile

Country website

Discurso de ódio e desinformação causam danos reais a pessoas deslocadas, relata o ACNUR

Comunicados à imprensa

Discurso de ódio e desinformação causam danos reais a pessoas deslocadas, relata o ACNUR

Este é um resumo do que foi dito por Gisella Lomax, Consultora Sênior do ACNUR para Integridade da Informação – a quem o texto citado pode ser atribuído – na coletiva de imprensa de hoje no Palais des Nations, em Genebra.
16 Julho 2026
Pessoas refugiadas sudanesas usam computadores em um centro de conectividade no assentamento de refugiados de Farchana, no Chade

Pessoas refugiadas sudanesas usam computadores em um centro de conectividade no assentamento de refugiados de Farchana, no Chade

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está preocupada com o fato de que a disseminação de desinformação, discurso de ódio e deepfakes está agravando e incitando danos reais a refugiados e trabalhadores humanitários. A inteligência artificial (IA) está intensificando esses riscos à integridade do nosso ecossistema de informação e minando a confiança, mas também pode fazer parte da solução se for gerida da maneira correta.

A IA está transformando o nosso mundo e, se desenvolvida com propósito e inclusão, trará oportunidades e benefícios tangíveis, inclusive para as pessoas refugiadas. Ela também pode ajudar a enfrentar desafios complexos de informação em contextos humanitários. Na cúpula do evento "AI for Good" (IA para o bem), o ACNUR reuniu especialistas dos setores governamental, tecnológico e acadêmico para discutir respostas positivas a esses desafios complexos de informação.

É fundamental que as perspectivas humanitárias e dos refugiados sejam incluídas nos esforços internacionais de governança da IA. Por exemplo, garantindo que as ferramentas de moderação de conteúdo funcionem de forma eficaz em contextos humanitários e em idiomas menos comuns: isso significa colocar as pessoas no centro das equipes de confiança e segurança, e criar estruturas claras sobre mecanismos de proteção e contra a manipulação de dados e informações.

Esse trabalho importante ocorre em um cenário de desafios crescentes relacionados à informação. Nas diferentes partes do mundo, as maiores crises de deslocamento do mundo são, muitas vezes, também crises de informação.

Quando a informação é distorcida, pode reduzir o acesso a empregos e à educação, dificultar a integração e ameaçar a coesão social. Rumores online, falsas acusações, a busca por bodes expiatórios e discursos desumanizadores já desencadearam protestos e ataques. Em casos extremos, esses fatores foram associados à violência física e a assassinatos, chegando até a contribuir para o deslocamento forçado. Apenas no mês passado, as comunicações digitais do ACNUR global para o Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio foram inundadas por comentários de ódio.

A espiral de desinformação e informações incorretas traz riscos para as operações e a segurança humanitárias. O ACNUR observou um aumento de narrativas falsas e hostis contra operações e equipes, as quais têm o potencial de impactar significativamente a arrecadação de fundos em um momento de orçamentos reduzidos e necessidades crescentes. Uma pesquisa recente do ACNUR constatou que 93% dos funcionários entrevistados testemunharam casos de desinformação ou discurso de ódio, o que afeta o cumprimento do nosso mandato. Mulheres – tanto entre refugiados quanto entre a equipe – estão sendo alvo de forma desproporcional. A IA generativa amplia esses efeitos em grande escala. Por exemplo, vídeos deepfake prejudiciais gerados por IA, envolvendo funcionários do ACNUR e refugiados, representam um desafio crescente.

Pessoas refugiados, que já sofrem com traumas, veem seu acesso a serviços de proteção – como o registro, assistência vital e outros serviços fundamentais – serem limitados ou impedidos. Isso pode acarretar riscos enormes e até a morte, como vimos recentemente na Líbia, onde uma onda de discurso de ódio violento e desinformação perigosa incitou a hostilidade e abusos contra refugiados, além de comprometer a segurança de funcionários do ACNUR e de trabalhadores humanitários que apoiam as populações deslocadas e as comunidades de acolhimento. Exemplos graves incluem deepfakes do Representante do ACNUR, convocações online para compartilhar coordenadas de GPS de endereços de funcionários e vídeos que rotulam funcionários nacionais como traidores de seu país.

O discurso de ódio não conhece fronteiras e se espalha rapidamente. Comunidades forçadas a deixar suas casas devido à perseguição e à violência, como os Rohingya, continuam enfrentando narrativas desumanizadoras online, mesmo no exílio. O ódio online alimenta o assédio e a intimidação no mundo real, corroendo a coesão social e aprofundando as divisões entre as comunidades de acolhimento e as populações deslocadas.

O ACNUR acredita firmemente que a liberdade de expressão é fundamental e que todos, inclusive as pessoas refugiadas, devem ter acesso para receber e transmitir informações fidedignas, de fontes confiáveis. A questão não é como preocupações legítimas da sociedade sobre migração e asilo são debatidas online, mas sim os riscos associados a informações que ameaçam vidas e podem causar danos graves em contextos humanitários. Por exemplo, agentes mal-intencionados – incluindo contrabandistas e traficantes de pessoas – podem explorar plataformas digitais com desinformação para enganar pessoas forçadas a fugir, oferecendo falsas promessas de segurança, vias legais e emprego, levando-as a situações perigosas e de exploração.

A resposta do ACNUR é prática e colaborativa. Graças ao governo da Suíça, criamos uma Comunidade de Prática sobre Integridade da Informação em Contextos Humanitários. Estabelecemos parcerias com diversos grupos de partes interessadas, tanto em nível local quanto global. Iniciativas como o Compromisso Multissetorial sobre Integridade da Informação do Fórum Global sobre Refugiados, lançado em parceria com o Google em 2023, podem inspirar novas abordagens multilaterais. Estão ocorrendo avanços promissores, mas é preciso sistematizá-los.

Os desafios evoluem rapidamente e não podem ser resolvidos por um único ator isoladamente. É fundamental que os contextos de refugiados e de ação humanitária não sejam deixados de lado nas discussões sobre a governança da IA. Informações confiáveis ​​são essenciais para a proteção de pessoas refugiadas e a integridade da informação ajuda a salvar vidas e a preservar a confiança.

Atuação do ACNUR Brasil contra a desinformação sobre refugiados

No Brasil, o ACNUR atua de forma efetiva na formação de profissionais de comunicação para a integridade da informação e contra o discurso de ódio envolvendo pessoas refugiadas.

Entre 2024 e 2025, mais de 900 estudantes universitários de diferentes áreas de conhecimento, com foco em humanas – incluindo pessoas refugiadas – participaram de formações com profissionais do ACNUR sobre a construção do discurso de ódio contra refugiados e os impactos da desinformação na tomada de decisões de pessoas refugiadas que vivem no Brasil.

Em 2026, novas formações com estudantes de diferentes universidades públicas e privadas foram realizadas, totalizando no primeiro semestre mais de 400 estudantes formados.

“O objetivo destas formações implementadas pelo ACNUR é assegurar que os estudantes considerem os impactos da desinformação e o discurso de ódio na vida das pessoas refugiadas, que dependem do acesso à informação confiável para a tomada de decisões que impactam diretamente suas vidas e de suas famílias. Explicamos como os estereótipos sobre refugiados são construídos e trazemos exemplos práticos no Brasil e no mundo que ilustram os conceitos apresentados”, afirma Miguel Pachioni, Oficial de Comunicação do ACNUR.

A próxima formação do ACNUR sobre jornalismo humanitário e combate à desinformação será realizada na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no dia 17/08, a partir das 17h. As inscrições gratuitas podem ser feitas pelo link https://forms.cloud.microsoft/e/JGNxyADxbc

Para mais informações, entre em contato com:

Na Suíça, Matthew Saltmarsh: [email protected], +41 79967-9936

No Brasil, Miguel Pachioni: [email protected], +55 61 99914-4049