Pesquisa global da Ipsos mostra que o apoio público aos refugiados se mantém estável, apesar da fragilidade global
Pesquisa global da Ipsos mostra que o apoio público aos refugiados se mantém estável, apesar da fragilidade global
GENEBRA – O apoio público aos direitos dos refugiados de buscar segurança continua estável no mundo todo, apesar das atuais fragilidades geopolíticas e dos cortes significativos na ajuda humanitária, de acordo com uma nova pesquisa da Ipsos divulgada hoje no marco do Dia Mundial do Refugiado, celebrado globalmente em 20 de junho.
A pesquisa da Ipsos também revelou que, nos 29 países onde foi realizada, a maioria das pessoas acredita que os países mais ricos deveriam assumir mais responsabilidade no apoio aos refugiados.
O panorama geral é complexo, impactado por cortes profundos na ajuda humanitária e pelo aumento da utilização de refugiados como bodes expiatórios por alguns políticos e nas redes sociais.
No geral, dois terços da população dos 29 países (67%) continuam apoiando o princípio de oferecer proteção internacional aos necessitados, com o apoio superando a oposição em todos os países. Embora isso represente uma ligeira queda em relação a 2024 (2 pontos percentuais), países como Suécia, Argentina, Holanda e Austrália demonstram um apoio particularmente forte e inabalável aos direitos dos refugiados.
"Esta pesquisa confirma o compromisso contínuo das pessoas em oferecer refúgio, o que é encorajador", afirma Trinh Tu, Diretora de Relações Públicas da Ipsos. "Nossos dados também deixam claro que há uma necessidade urgente de abordar as preocupações persistentes do público sobre as motivações e a integração dos solicitantes de refúgio. Uma narrativa mais equilibrada, que reconheça a diversidade de pontos de vista e experiências entre refugiados e o público, contribuiria significativamente para isso. Esta é a força motriz por trás da pesquisa global anual da Ipsos para o Dia Mundial do Refugiado – fornecer dados que embasem discussões construtivas e soluções que beneficiem tanto os refugiados quanto as comunidades que os acolhem."
A pesquisa revelou que o ceticismo geral persiste em relação às motivações por trás das viagens dos refugiados em muitos países – com 62% acreditando que os solicitantes de proteção internacional buscam principalmente oportunidades econômicas, ao invés de fugir do perigo. Essa visão alimenta preocupações com a segurança e o bem-estar nas fronteiras, levando 49% dos entrevistados a expressarem apoio ao fechamento total das fronteiras de seus países para refugiados. Apesar desse ceticismo predominante, uma proporção considerável (40%) continua reconhecendo as contribuições positivas que os refugiados fazem para seus novos lares, com os EUA entre os que mais apoiam, com 56%.
Os resultados indicaram menor engajamento pessoal em atividades de apoio a refugiados, com menos doações ou voluntariado; as ações pessoais de apoio caíram de 38% para 29%, refletindo potencialmente a fadiga da compaixão e as restrições financeiras.
Ainda assim, a maioria (62%) acredita que as nações mais ricas têm a responsabilidade moral de apoiar financeiramente os refugiados. Indonésia, Coreia do Sul e Turquia, em particular, desejam maior envolvimento de organizações internacionais – no momento em que a ajuda à ONU está sendo drasticamente reduzida.
“Há uma clara desconexão entre compaixão e ação”, disse Dominique Hyde, Diretora de Relações Externas do ACNUR. “O público ainda acredita no direito de buscar segurança e quer que as nações ricas façam mais, mas o cenário econômico e o clima político global estão corroendo o apoio individual. As necessidades são mais agudas do que nunca. O sistema humanitário irá definhar sem um esforço unificado de governos, organizações, setor privado e público para construir soluções e esperança para aqueles forçados a fugir.”
A pesquisa da Ipsos do Dia Mundial do Refugiado, realizada anualmente desde 2017, acontece em um momento crítico, com mais de 122 milhões de pessoas deslocadas à força em todo o mundo até o final de abril de 2025, incluindo 42,7 milhões de refugiados. Os resultados – da pesquisa realizada em abril e maio – destacam a necessidade de compreender e abordar as percepções públicas para aprimorar o apoio aos refugiados.
Acesse a pesquisa completa aqui (em Inglês)
Para mais informações, entre em contato com:
Ipsos:
- Trinh Tu, [email protected]
ACNUR:
- Olga Sarrado Mur, [email protected], + 41 79 740 2307
Sobre a pesquisa
A Ipsos realiza uma pesquisa anual sobre o Dia Mundial do Refugiado desde 2017.
Estes são os resultados de uma pesquisa em 29 países, conduzida pela Ipsos em sua plataforma online Global Advisor e, na Índia, em sua plataforma IndiaBus, entre sexta-feira, 25 de abril, e sexta-feira, 9 de maio de 2025. Para esta pesquisa, a Ipsos entrevistou um total de 22.734 adultos com idades entre:
- 18 anos ou mais na Índia
- 18 a 74 anos no Canadá, República da Irlanda, Malásia, África do Sul, Turquia e Estados Unidos
- 20 a 74 anos na Tailândia
- 21 a 74 anos na Indonésia e Singapura
- 16 a 74 anos em todos os outros países.
A amostra consiste em aproximadamente:
- 1.000 indivíduos na Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Indonésia, Itália, Japão, Espanha e EUA.
- 500 indivíduos na Argentina, Chile, Colômbia, Hungria, Irlanda, Malásia, México, Holanda, Peru, Polônia, Singapura, África do Sul, Coreia do Sul, Suécia, Tailândia e Turquia.
- 2.200 indivíduos na Índia, dos quais aproximadamente 1.800 foram entrevistados pessoalmente e 400 foram entrevistados online.
Amostras na Argentina, Austrália, Bélgica, Canadá, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Hungria, Itália, Japão, Holanda, Polônia, Coreia do Sul, Espanha, Suécia e EUA podem ser consideradas representativas de suas populações adultas em geral com menos de 75 anos. Amostras no Brasil, Chile, Colômbia, Indonésia, Irlanda, Malásia, México, Peru, Singapura, África do Sul, Tailândia e Turquia são mais urbanas, mais educadas e/ou mais ricas do que a população em geral. Os resultados da pesquisa para esses países devem ser vistos como reflexo das opiniões do segmento mais “conectado” de sua população.
Sobre o ACNUR
O ACNUR, Agência da ONU para Refugiados, lidera ações internacionais para proteger pessoas forçadas a fugir de seus lares devido a conflitos e perseguições. O ACNUR fornece assistência vital, como abrigo, comida e água, ajuda a salvaguardar os direitos humanos fundamentais e desenvolve soluções que garantem às pessoas um lugar seguro para chamar de lar, onde podem construir um futuro melhor. Também trabalhamos para garantir que apátridas recebam uma nacionalidade.
Sobre a Ipsos
A Ipsos é líder global em pesquisa de mercado. Ela fornece informações confiáveis e uma compreensão real da sociedade, dos mercados e das pessoas, tornando nosso mundo complexo mais fácil e rápido de navegar e inspirando seus clientes a tomar decisões mais inteligentes. Com forte presença em 90 países, a Ipsos emprega mais de 18.000 pessoas e conduz programas de pesquisa em mais de 100 países. Fundada na França em 1975, a Ipsos é controlada e administrada por profissionais de pesquisa.