Com apoio do ACNUR, artesãs afegãs concluem formação para empreendedorismo
Com apoio do ACNUR, artesãs afegãs concluem formação para empreendedorismo
Durante o curso, afegãs puderem aprimorar ideias de negócios no ramo de bordado e artesanato
O bordado feito à mão é um dos elementos marcantes da cultura de diferentes etnias do Afeganistão. Em São Paulo, um grupo de mulheres tem buscado aliar esse conhecimento que passa por gerações com novas possibilidades de geração de renda. Nessa quarta-feira, 8, elas finalizaram um curso de empreendedorismo e iniciam uma nova fase à frente de seus próprios negócios.
Iniciado em maio, o curso de empreendedorismo teve 13 encontros e 42 horas de formação. Ele abordou desde educação financeira e planejamento do próprio negócio até criação e fortalecimento da marca, marketing e acesso ao mercado. O curso foi uma iniciativa da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) em parceria com Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, Projeto Cerzindo, Etnias Mundi e Sebrae-SP, e apoio do Islamic Relief USA (IRUSA).
No total, 19 mulheres receberam certificação pelo curso – 18 afegãs e uma marroquina. Algumas já iniciaram o próprio negócio, como Robaba Mussaini e Sakina Ebgahimi. Há dois anos no Brasil, elas produzem bolsas e toalhas com bordados em fita. O pequeno negócio tem um ano, e agora elas planejam aumentar as vendas a partir do que aprenderam no curso.
Robaba Mussaini e Sakina Ebgahimi mostram bordados feitos com fita durante atividade do curso de empreendedorismo
“Aprendemos como fazer anúncios nas redes sociais, para vender usando Instagram e WhatsApp. Com o que aprendemos, também tivemos a ideia de começar a vender em plataformas on-line, que vai ser o nosso próximo passo”, explica Sakina.
“O curso foi muito importante porque nós já trabalhamos com artesanato, temos nosso pequeno negócio, e agora podemos trabalhar para crescer e aumentar as vendas”, completa Robaba. “Aqui, aprendemos sobre como calcular o valor dos produtos, como trabalhar com encomendas, como calcular lucro e prejuízos. Aprendemos técnicas de publicidade e venda, e vamos poder nos comunicar melhor com nossos clientes.”
Durante o curso, as mulheres também puderam trocar conhecimentos sobre técnicas aprendidas ao longo da vida, além de pensar em como desenvolver novos negócios, aliando cultura, tradição e inovação. Ouafáa Khair era a única marroquina na turma. Antes de chegar ao Brasil, ela trabalhava com produção de tapetes. Aqui, ela está iniciando um pequeno negócio com produção e bordado de bolsas.
“Essa não é apenas uma bolsa, é o início de uma nova luta e de uma conquista após perder meu pequeno negócio, minha casa e meus sonhos no meu país. Vim para o Brasil como refugiada para salvar meus filhos e viver uma vida rotineira, como qualquer outra dona de casa”, conta Ouafáa. “A partir desse curso, comecei a ter uma perspectiva diferente, recuperei meus sonhos. Se Deus quiser, ainda vou me tornar referência no mercado brasileiro.”
Para a associada de Soluções Duradouras no ACNUR, Vivian Holzhacker, o diferencial desse curso foi a valorização dos saberes e da cultura das mulheres refugiadas. “Este projeto vai além da geração de renda. Ele cria oportunidades para que essas mulheres compartilhem com a sociedade brasileira a riqueza de suas culturas por meio do bordado tradicional, uma técnica que carrega histórias, identidade e conhecimentos transmitidos entre gerações. Ao valorizar esses saberes e aproximá-los de novos públicos, promovemos não apenas a inclusão produtiva, mas também o intercâmbio cultural e a valorização da diversidade, mostrando que as pessoas refugiadas trazem talentos e criatividade para o Brasil", ressalta.
Mulheres mostram seus trabalhos de artesanato em aula de encerramento do curso de empreendedorismo em São Paulo
O curso fez parte das ações previstas na parceria firmada entre ACNUR e IRUSA, em fase de finalização. Anunciada em setembro de 2025, a parceria buscou, ao longo de um ano, beneficiar diretamente cerca de 2 mil pessoas afegãs em todo o Brasil, por meio de ações voltadas à integração local e ao fortalecimento de meios de vida, além de alcançar indiretamente outras 10 mil pessoas, incluindo comunidades brasileiras de acolhida.