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Ação conjunta entre ACNUR e MJSP assegura proteção a indígenas venezuelanos Warao no Pará

Notas informativas

Ação conjunta entre ACNUR e MJSP assegura proteção a indígenas venezuelanos Warao no Pará

Iniciativa do MJSP, por meio da CG-Conare, e com apoio do ACNUR, realizou ações que reforçam o compromisso do Brasil com a proteção de pessoas indígenas refugiadas que vivem no Pará
22 Outubro 2025
Como parte das iniciativas, entrevistas para análise dos pedidos de refúgio foram realizadas com membros da comunidade indígena Warao

Como parte das iniciativas, entrevistas para análise dos pedidos de refúgio foram realizadas com membros da comunidade indígena Warao

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Coordenação-Geral do Comitê Nacional para os Refugiados (CG-Conare) e em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), organizou uma força-tarefa de entrevistas para análise dos pedidos de refúgio com a população indígena Warao que vive em comunidades localizadas em Belém e no entorno da capital, no Pará.

As ações ocorreram na semana passada e atenderam a cerca de 100 pessoas indígenas, tendo como foco assegurar o acesso a direitos e à proteção internacional dessa população em situação de refúgio no Brasil e garantir uma documentação definitiva no país. As entrevistas realizadas com a comunidade representam uma etapa essencial do processo de análise dos pedidos de refúgio e têm papel decisivo no reconhecimento da condição de refugiado, especialmente para grupos em situação de vulnerabilidade, como o povo Warao.A coordenadora-geral do Conare, Amarilis Tavares, falou sobre a atuação do órgão, principalmente em contextos específicos. “A presença do Conare, em campo, reflete o compromisso do Estado brasileiro em assegurar que cada solicitante de refúgio tenha seu pedido analisado com respeito, empatia e rigor técnico”, afirmou.

“No caso dos Warao, há um contexto de vulnerabilidade e deslocamento forçado que exige atenção redobrada. Nosso papel é garantir que os direitos dessas pessoas sejam plenamente observados”, completou Yara Iguchi, chefe da Seção Regional de São Paulo do Departamento de Migrações, que integrou a força-tarefa.

Para o vice-coordenador do Conselho Warao Ojiduna, Freddy Cardona, os serviços prestados pela força-tarefa vão ao encontro das principais necessidades de atenção à população Warao: “Gostaria de agradecer ao Ministério da Justiça por esse grande apoio que nos tem dado, em parceria com o ACNUR, para garantir os nossos direitos”, afirmou.

Warao

Oriundos da Venezuela, os Warao são um povo indígena tradicionalmente ribeirinho, cuja subsistência está baseada na pesca, na agricultura e no artesanato. Nos últimos anos, em decorrência da crescente disputa de terras e da delicada situação econômica do país vizinho, estes povos originários foram forçados a se deslocar em busca de proteção internacional.

Dentre as mais de 10 mil pessoas indígenas refugiadas e migrantes registradas no Brasil, os Warao são a etnia mais representativa, com 62% do total. Sobre o perfil dessa população que vive no país, os Warao são compostos por um equilíbrio de gênero e de faixas etárias entre adultos (18-59 anos) e crianças e adolescentes. Cerca de 40% dessa população requer atenção específica de proteção, em especial relacionado a regularização documental e crianças em risco.

Em território brasileiro, muitas famílias Warao residem em comunidades de difícil acesso às redes de proteção e a serviços públicos, além de enfrentarem barreiras linguística e com o uso de tecnologias digitais. Por isso, ações específicas de acolhimento e proteção, como as promovidas pelo MJSP, Conare e ACNUR, são fundamentais para garantir seus direitos e promover sua integração.

Atendimento humanizado

A realização das entrevistas desta força-tarefa, de forma presencial, buscou assegurar um atendimento inclusivo e humanizado, superando barreiras logísticas e tecnológicas enfrentadas pelas comunidades indígenas. Muitos Warao não possuem documentação emitida em seu país de origem, o que exige do Conare uma análise técnica detalhada e culturalmente sensível para avaliar cada solicitação.

O trabalho em campo permite compreender as especificidades linguísticas e sociais do grupo, garantindo que o procedimento de refúgio ocorra de maneira acessível, segura e respeitosa. A ação também reforça o compromisso do MJSP em aproximar as políticas públicas federais das realidades locais, especialmente em regiões com menor acesso a serviços públicos e estruturas de apoio.

A força-tarefa contou com o apoio da Superintendência Regional da Polícia Federal no Pará, da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal (PFDC/MPF), da Secretarias Municipais de Ordem Pública e Transporte e de Assistência Social de Belém, da Secretaria Municipal do Trabalho e Promoção Social de Benevides, da Secretaria de Assistência Social de Castanhal e do Conselho Warao Odijuna.