ACNUR apoia o acolhimento, inclusão e fortalecimento das comunidades indígenas refugiadas em Roraima
ACNUR apoia o acolhimento, inclusão e fortalecimento das comunidades indígenas refugiadas em Roraima
A Oficina de Idiomas Indígenas, realizada em alusão ao Dia Internacional dos Povos Indígenas comemorado em 9 de agosto, contou com feira de artesanato também
O mês de agosto foi marcado por iniciativas voltadas ao acolhimento, inclusão e fortalecimento das comunidades indígenas refugiadas em Roraima. Nos dias 12 e 13, a Agência da ONU para Refugiados apoiou e acompanhou 13 lideranças indígenas refugiadas das etnias Warao, Kariña e Pemon na participação do Ciclo COParente, encontro voltado ao debate sobre a COP30 e à troca de experiências entre comunidades. No dia 23, foi realizada a primeira Oficina de Idiomas Indígenas Warao, E'ñepa, Yanomami e Ye'kwana e no dia 27, o encontro Fortalecimento das Estruturas Representativas das Comunidades Indígenas Abrigadas.
Ciclo COParente em Roraima
Na presença da Ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, lideranças indígenas refugiadas tiveram espaço de apresentação e fala. O encontro contou ainda com a presença da presidenta da Funai, Joenia Wapichana, e a coordenadora regional da Funai, Marizete Macuxi.
Além da relevância da temática, o encontro foi um valioso momento de intercâmbio entre comunidades indígenas de acolhida e refugiadas e uma oportunidade para articular conexões entre as lideranças indígenas da Venezuela e de Roraima.
O Ciclo COParente é uma ação estratégica criada pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Funai. Composto por 14 encontros pelo país, o objetivo é articular, informar, debater e mobilizar a participação indígena na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP 30, que será realizada em novembro, no Pará.
O ACNUR tem apoiado a participação de comunidades refugiadas nos Ciclo COParente para que suas demandas estejam representadas na COP30.
Oficina de Idiomas Indígenas Warao, E'ñepa, Yanomami e Ye'kwana
Realizada na Casa de Cultura Madre Leotávia Zoller, a atividade teve como objetivo sensibilizar os participantes sobre abordagens iniciais com as comunidades indígenas nos serviços locais. Possibilitou o aprendizado de frases chaves para o acolhimento e inclusão. “Como você está? Qual é o seu nome? O que está buscando?” são perguntas que iniciam diálogos e são fundamentais para criar uma primeira conexão empática.
A atividade proporcionou também um espaço de troca sobre a história e cultura de cada etnia, fortalecendo a convivência entre as comunidades, tanto de indígenas refugiados quanto com a brasileira local. Como parte da programação, foi aberta também a exposição de fotos Refugiados no Esporte e uma feira de artesanatos Warao, Ye'kwana e E'ñepa.
Participaram servidores do atendimento ao público, acadêmicos e lideranças indígenas. A oficina ofereceu 35 vagas, mas contou com a inscrição de mais de 150 pessoas, o que sinaliza interesse e demanda da sociedade local. Por conta disso, é possível que novas edições sejam organizadas, para contemplar quem ficou na lista de espera.
A iniciativa foi realizada pelo ACNUR, em parceria com a Academia Roraimense de Letras, Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye'kwana (CREDHYY) e Centro de Atendimento Integrado à Criança Yanomami e Ye’kwana (CAICYY).
A primeira edição da Oficina de Idiomas Indígenas também foi destaque na mídia local
Fortalecimento das Estruturas Representativas das Comunidades Indígenas Abrigadas
Realizado no Centro de Sustentabilidade do ACNUR, participaram do encontro 18 representantes dos abrigos Warautuma a Tuaranoko, Janokoida e Jardim Floresta, localizados em Boa Vista.
A principal discussão foi em torno das representações comunitárias. Houve também um diálogo sobre a necessidade de articulação das populações indígenas refugiadas e migrantes, a fim de estimular organização, comunicação entre as representações dos abrigos e a formação de um grupo representativo de pessoas indígenas abrigadas.
O próximo encontro, marcado para setembro, contará com a presença de organizações indígenas refugiadas e migrantes já estruturadas como comunidade fora de abrigo e representante indígena de Roraima para compartilharem as experiências e explicarem sobre a importância da união para o fortalecimento da pauta indígena.
Este foi o segundo encontro das comunidades e o próximo deve acontecer esetembro de 2025
As atividades integram o projeto Proteção Integral e Promoção dos Direitos de Crianças, Adolescentes e Jovens Indígenas na Amazônia Legal Brasileira, financiado pelo Fundo Brasil–ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, em parceria com o Consórcio Interestadual da Amazônia Legal e o Governo Brasileiro, com apoio do Governo do Canadá.
Sobre o Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento da Amazônia (MPTF)
O Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, implementado em parceria por ACNUR, OIM, OIT, OPAS/OMS, UNESCO, UNFPA e coordenado pelo UNICEF, tem duração de 21 meses (abril de 2025 a dezembro de 2026) e investimento total de US$ 2,8 milhões. O fundo atua em nove estados da Amazônia Legal e contempla áreas prioritárias de saúde, proteção contra violências, empoderamento de mulheres e jovens indígenas, governança territorial e educação.
Com ações integradas, o Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento da Amazônia busca fortalecer a capacidade da Amazônia Legal para enfrentar a crise climática, ambiental e social, promovendo alternativas econômicas sustentáveis e protegendo os modos de vida dos povos tradicionais. A iniciativa contribui diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o Acordo de Paris e a preservação da biodiversidade, garantindo que a Amazônia siga sendo vital para o equilíbrio climático global.