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Artesãs indígenas Warao recebem certificação de empreendedorismo em Belém

Notas informativas

Artesãs indígenas Warao recebem certificação de empreendedorismo em Belém

Primeira turma com 16 mulheres indígenas passou por capacitação de quatro dias sobre empreendedorismo no CRAS do Outeiro
1 Setembro 2025
Grupo de pessoas indígenas sentadas em uma fileira de cadeiras, algumas aplaudindo e sorrindo, em frente a um mural colorido com arte representando uma mão em destaque e elementos gráficos abstratos. Cestos artesanais indígenas estão sobre uma mesa à esquerda.

Artesãs participaram de oficinas com conteúdos sobre empreendedorismo, formação de preços, marketing e valorização da identidade cultural

Mulheres indígenas Warao, refugiadas da Venezuela e residentes em Belém, receberam certificação do Sebrae no Pará após concluírem uma capacitação em empreendedorismo. A entrega dos 16 certificados foi realizada no Centro de Referência da Assistência Social (CRAS), no distrito de Outeiro, e marcou a finalização da primeira etapa de um projeto voltado à inclusão produtiva e valorização dos saberes tradicionais.

A capacitação é resultado do acordo de cooperação assinado em junho deste ano enter a Agência da ONU para Refugiados e o Sebrae/PA. Durante quatro dias, as artesãs participaram de oficinas com conteúdos sobre empreendedorismo, formação de preços, marketing e valorização da identidade cultural. As participantes já atuam na produção de peças artesanais feitas a partir do buriti, mas precisavam de orientações práticas para precificação, divulgação e comercialização dos produtos.

“Estou muito feliz e grata, em nome do povo Warao, por essa conquista. Primeiramente, agradeço a Deus, ao Sebrae e ao ACNUR pelas oportunidades que abriram as portas para nossa comunidade. Receber esse certificado representa muito mais do que um papel , é o reconhecimento do nosso trabalho como artesãs e da nossa cultura. Esse curso vai me ajudar a melhorar ainda mais minhas peças e, com isso, gerar mais renda para minha família. É um passo importante para o fortalecimento do nosso povo”, disse a artesã Josephina Jimenez, umas das indígenas que participaram do curso.

Três adultos posam sorrindo para uma foto, com a mulher ao centro segurando um certificado. Eles estão em um ambiente interno com paredes verdes e cadeiras brancas de plástico ao fundo.

Josefina é uma das lideranças da comunidade e atua em apoio às mulheres Waraos

Residente em um abrigo no bairro do Tapanã, em Belém, a artesã Alejandra Flores contou que o curso vai ajudá-la na geração de renda para a família, que chegou há quase cinco anos da Venezuela.

“Este certificado é muito importante para mim, me sinto orgulhosa de ter participado e de ter aprendido tantas coisas novas. Agora entendo melhor o que posso fazer com meu trabalho e estou muito feliz por essa oportunidade. Pretendo continuar produzindo e vendendo minhas pulseiras e brincos feitos com miçanga, que é o que sempre fiz. Esse é o meu trabalho e minha forma de sustento”, contou ela, que mora com o marido e o filho de quatro anos.

Três adultos posam sorrindo para uma foto, com a mulher ao centro segurando um certificado. Atrás deles há uma parede verde e um quadro branco. À direita, uma menina sentada em uma cadeira de plástico branca olha para um celular. O homem à direita segura outros certificados em mãos.

Alejandra celebra sua certificação junto às artesãs da comunidade

Atualmente, cerca de 1,3 mil indígenas Warao vivem no Pará, sendo cerca de 900 apenas na Região Metropolitana de Belém. A iniciativa reforça o compromisso das instituições com o desenvolvimento sustentável e a integração social e econômica de populações em situação de vulnerabilidade. Nos próximos meses, novas turmas devem ser formadas em Belém.

“A parceria entre o ACNUR e o Sebrae no Pará é um exemplo inspirador de como a articulação interinstitucional pode gerar impacto concreto na vida de pessoas refugiadas. A iniciativa de capacitação das artesãs Warao, somada ao apoio para o acesso sustentável à matéria-prima por meio de cooperativas locais, fortalece a cadeia produtiva do artesanato e abre caminhos para geração de renda e inclusão socioeconômica. Seguimos comprometidos com ações que promovam dignidade, protagonismo e oportunidades para todas as comunidades que acolhemos”, destacou Janaina Galvão, chefe do escritório do ACNUR em Belém.

Grupo de pessoas, majoritariamente mulheres indígenas, reunidas em torno de uma mesa coberta com artesanatos coloridos feitos com miçangas, como colares, pulseiras e enfeites. O ambiente é coberto e iluminado pela luz natural. Ao fundo, palmeiras e um muro amarelo. Uma mulher de cabelo longo com penas está à esquerda, usando celular.

A atuação do Sebrae/PA no projeto envolve curadoria de metodologias e oferta de capacitações presenciais e híbridas. Já o ACNUR contribui com a mobilização e identificação das famílias beneficiadas.

“O Sebrae trouxe não só capacitação, mas uma oportunidade real de transformar conhecimento tradicional em renda, com respeito à cultura dessas mulheres indígenas da Venezuela. A ideia é oferecer abertura de mercado e novos negócios para essas mulheres, que são artesãs e possuem peças belíssimas que traduzem a cultura do seu povo”, ressaltou Luciano Andrade, analista técnico do Sebrae/PA.

De forma prática, o termo de cooperação assinado entre ACNUR e Sebrae/PA de três anos prevê ações de capacitação empreendedora para os indígenas, com foco na geração de renda, valorização de saberes tradicionais e fortalecimento da autonomia econômica dos refugiados, que tem origem na Venezuela.