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ACNUR e Ministério dos Povos Indígenas reforçam parceria em favor de indígenas refugiados

Notas informativas

ACNUR e Ministério dos Povos Indígenas reforçam parceria em favor de indígenas refugiados

ACNUR apresentou à equipe do Ministério de Povos Indígenas os resultados da consulta realizada com comunidades indígenas vindas da Venezuela em situação de deslocamento forçado no Brasil
2 Abril 2026
Reunião em uma sala de reunião com nove pessoas sentadas ao redor de uma mesa oval. A mesa está decorada com artesanatos indígenas coloridos. No fundo, há uma rede vermelha pendurada e objetos decorativos na parede. A pessoa ao centro da cabeceira fala com o grupo, enquanto os demais participantes a escutam. Livros, cadernos, copos de água e materiais de trabalho estão espalhados sobre a mesa.

No encontro, foram destacados os resultados do processo de consulta às comunidades indígenas em situação de deslocamento forçado, conduzido pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e pela FUNAI, com apoio do ACNUR 

Encontro realizado com a presença da então Ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, no dia 30 de março de 2026, representou uma oportunidade para reafirmar a parceria estratégica entre o ACNUR e o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), fortalecida pela assinatura do Memorando de Entendimento entre as duas instituições durante a COP30.

O instrumento assinado em novembro de 2025 consolidou bases de cooperação voltadas ao fortalecimento de políticas públicas culturalmente adequadas, à ampliação da capacidade institucional de estados e municípios, à promoção da convivência pacífica entre comunidades indígenas anfitriãs e indígenas refugiadas, e ao apoio à liderança, participação e organização comunitária.

Durante a reunião, foram destacados os resultados do processo de consulta às comunidades indígenas vindas da Venezuela em situação de deslocamento forçado, conduzido pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e pela FUNAI, com apoio do ACNUR e no contexto do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, financiado pelo Governo do Canadá. As consultas têm identificado prioridades, barreiras e recomendações construídas com participação direta das comunidades, contribuindo para o desenvolvimento de políticas públicas mais participativas, baseadas em evidências e sensíveis às especificidades socioculturais dessa população.

Homem de terno cinza e mulher indígena blusa estampada preta e branca posam sorrindo em um escritório decorado com elementos indígenas. O homem segura uma sacola do ACNUR, enquanto a mulher segura três livros coloridos. Atrás deles, há lanças, artesanatos de parede e objetos decorativos sobre uma mesa lateral.

Davide Torzilli, representante do ACNUR no Brasil e a então Ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara

Até o momento, o processo de consulta já foi realizado em seis municípios: Pacaraima (RR), Cantá (RR), Boa Vista (RR), Manaus (AM), Belém (PA) e Brasília (DF). Como próximo passo, está prevista a ampliação dessa escuta para outros dois estados, Mato Grosso e Maranhão, com o objetivo de aprofundar o diagnóstico e ampliar a base territorial das recomendações produzidas no âmbito da parceria.

Atualmente, o Brasil acolhe cerca de 13,8 mil indígenas refugiados vindos da Venezuela, pertencentes, majoritariamente, aos povos Warao . Embora a maior concentração esteja na região Amazônica, há presença dessa população em todas as regiões do país. O contexto continua marcado por desafios relevantes, incluindo barreiras culturais e linguísticas, racismo estrutural e dificuldades de acesso a políticas setoriais e programas de proteção social, o que reforça a importância de estratégias de inclusão social culturalmente adequadas.

Entre os próximos passos discutidos, esteve a importância de avançar na elaboração de instrumentos orientadores que apoiem a inclusão de indígenas refugiados em programas e políticas voltados a povos indígenas, especialmente em contextos urbanos e em marcos setoriais relevantes.

O ACNUR reiterou sua disponibilidade para seguir oferecendo apoio técnico ao MPI no desenvolvimento de diretrizes, metodologias e outros instrumentos de política pública, com vistas a consolidar os avanços já alcançados e promover sua incorporação em marcos institucionais e políticas nacionais.

No dia 31 de março de 2026, Luiz Eloy Terena, advogado indígena do povo Terena, assumiu o cargo de ministro dos Povos Indígenas (MPI), sucedendo Sonia Guajajara. Até então, ele ocupava o cargo de secretário-executivo do ministério.