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Indígenas refugiados e migrantes apresentam suas pautas no Acampamento Terra Livre

Notas informativas

Indígenas refugiados e migrantes apresentam suas pautas no Acampamento Terra Livre

Lideranças Taurepang, Warao e Kari’ña representam suas etnias e comunidades na maior mobilização dos povos indígenas do Brasil
14 Abril 2026
Homem indígena em primeiro plano usa camiseta vinho com o texto ‘INE WARAO’ e uma pequena bandeira estampada, caminhando em meio a um grupo em marcha. Ao redor, várias pessoas vestem camisetas verdes, seguram instrumentos e adornos, com prédios altos ao fundo em uma área urbana.

Jesus, liderança indígena Warao, veio de Pacaraima (RR) para se juntar à marcha do 22º ATL em Brasília

A 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL) reuniu em Brasília cerca de sete mil indígenas de mais de 200 povos pela defesa do reconhecimento de seus territórios e direitos. O Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia marcou presença com ações integradas de diferentes agências das Nações Unidas no Brasil, fortalecendo a participação e diálogo com os povos indígenas refugidos e migrantes, na maior mobilização do país.

Em articulação conjunta, a Agência da ONU para Refugiados e a Agência da ONU para Migrações apoiaram a vinda de uma comitiva composta por 16 pessoas indígenas refugiadas e migrantes. Representantes das etnias Kari’ña, Taurepang e Warao vieram dos municípios de Pacaraima e Cantá (RR), Manaus (AM), Belém e Ananindeua (PA), Teresina (PI) e Maceió (AL). Outras lideranças indígenas que já se encontravam no Distrito Federal também participaram das atividades.

“As lutas indígenas são lutas de todos. Estamos tendo a oportunidade de estar em reuniões muito importantes sobre direitos humanos, educação, que é nosso lema de futuro. Esperamos que o governo e as organizações indígenas nos incluam”, afirma Alida Gómez, vice-presidenta do Conselho Indígena Najakara Moorü (Cinamo) e liderança da comunidade Warao a Janoko, no Cantá (RR).

Duas mulheres em pé em área aberta de evento, em frente a uma entrada com estrutura metálica e banner do ‘Acampamento Terra Livre 2026’. Ao fundo, tendas brancas, pessoas circulando e ilustrações coloridas no painel principal.

Alida, a esquerda, participou do ATL pela segunda vez. Na foto, posa com Ana Carolina, liderança indígena Warao que hoje reside em Manaus.

As pautas das lideranças indígenas levadas ao Acampamento Terra Livre estão mencionadas na carta de abertura do ATL 2026 “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”.

A chegada da comitiva ocorreu no dia 5 de abril, data do início do acampamento. A agenda começou com a participação de mulheres indígenas Warao e Kari’ña no encontro Diálogos Fundo Brasil ONU: Rede Brasileira dos Povos Originários das Reservas da Biosfera e Sociobiodiversidade. Organizado pela Unesco no Memorial dos Povos Indígenas, a atividade focou na valorização cultural e linguística a partir da produção de materiais educativos em dialetos indígenas.

Na terça-feira, foi a vez da primeira marcha do Acampamento Terra Livre 2026. Parte da comitiva participou da mobilização junto às delegações estaduais, como nos casos dos grupos vindos do Piauí e de Alagoas, e outros se juntaram a demais indígenas vindos da Venezuela.

Na quarta-feira, a comitiva participou de um encontro na tenda da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), com foco em educação. Durante a tarde, o grupo esteve no Ministério dos Povos Indígenas reunido com representantes da Coordenação de Indígenas em Contexto Urbano, da Coordenação de Saúde Indígena e da assessoria internacional do gabinete. Foram apresentadas demandas relacionadas à educação, moradia e acesso a direitos, com ênfase na necessidade de reconhecimento das etnias enquanto povos indígenas no Brasil.

Grupo numeroso de pessoas posando para foto em ambiente interno, em frente a uma parede com a identificação ‘Ministério dos Povos Indígenas – Galeria dos Ministros (as)’. As pessoas estão dispostas em pé e agachadas, com um bebê ao centro da primeira fila, em um espaço com piso de madeira e iluminação artificial.

Durante encontro com a comitiva, na presença de ACNUR e OIM, a equipe do Ministério dos Povos Indígenas reafirmou atenção às pautas apresentadas.

Já a reunião com a Coordenação Geral de Promoção de Direitos de Pessoas Refugiadas, Apátridas e Migrantes do Ministério dos Direitos Humanos aconteceu na quinta-feira no espaço do ATL. As demandas dos diferentes estados representados foram compartilhadas com o objetivo de fortalecer o diálogo institucional. As lideranças indígenas foram convidadas a participar do Fórum Nacional de Pessoas Refugiadas, Apátridas e Migrantes (Fomigra). Saiba mais aqui.

Grupo de pessoas reunidas em um espaço coberto com cadeiras dispostas em semicírculo, durante uma atividade coletiva. Duas pessoas estão em pé ao centro, uma delas segurando papéis, enquanto as demais acompanham sentadas e aplaudem. Ao fundo, faixas com textos sobre justiça de transição, memória e direitos dos povos indígenas.

No encontro, as falar apontaram dificuldades no acesso a políticas públicas e a necessidade de estratégias que considerem as especificidades culturais e territoriais

O encerramento da programação ocorreu em reunião na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), com a equipe da Coordenação de Promoção de Cidadania e Justiça. A comitiva entregou uma carta coletiva e compartilhou boas práticas, dificuldades e vulnerabilidades enfrentadas pelas pessoas indígenas refugiadas e migrantes no Brasil.

Todas as agendas se conectam a propósitos comuns: fortalecer o protagonismo e os direitos indígenas, a biodiversidade e apoiar a pluralidade de vozes e territórios presentes no ATL.

Três pessoas em ambiente interno posam lado a lado diante de uma parede com fotografias emolduradas. As três seguram documentos impressos nas mãos, voltados para a câmera, em uma sala com cadeiras azuis e iluminação artificial.

Representando a comitiva presente no encontro com a Funai, Omar entrega a carta conjunta para Maike Terena, Coordenador de Promoção de Políticas para Indígenas em Situação de Contexto Urbano-COPSU do MPI, e Daniela Brasileiro, Coordenadora-geral de acesso à justiça e participação social da Funai

“Para pessoas indígenas refugiadas e migrantes, a participação em um espaço emblemático como o Acampamento Terra Livre representa muito mais do que um encontro: é uma oportunidade estratégica de articulação com outras etnias, de fortalecimento de suas próprias pautas, de afirmação de identidades e de diálogo direto com organizações indigenistas e instituições governamentais. Como agências das Nações Unidas, temos o compromisso de criar e ampliar esses espaços, assegurando que essas pessoas possam participar ativamente, serem ouvidas, reconhecidas como sujeitos de direitos e protagonistas na construção das políticas que afetam suas vidas.” destaca Maria Eliana Barona, representante adjunta do ACNUR no Brasil.

Grupo de pessoas reunidas em área externa, posando em frente a uma tenda com a faixa ‘Memória, Verdade e Justiça – Povos Indígenas’. As pessoas estão alinhadas em pé e agachadas sobre um gramado, com mesas, materiais informativos e a estrutura da tenda visíveis ao fundo.

Maria Eliana Barona, representante adjunta do ACNUR no Brasil, e Michelle Barron, Chefe de Programas da OIM, se reuniram com representantes da comitiva no para um balanço da experiência no Acampamento Terra Livre

“A participação de lideranças migrantes e refugiadas no principal espaço de articulação da política indígena e indigenista no Brasil demonstra que os povos indígenas oriundos da Venezuela estão presentes, organizados e participando ativamente do debate sobre direitos e políticas. Sua presença evidencia o protagonismo dos povos Warao, Kariña e Taurepang no diálogo intercultural e estratégico para posicionar a mobilidade indígena no centro do debate sobre políticas públicas voltadas para povos indígenas migrantes e refugiados no Brasil", relata a Chefe de Programas da OIM, Michelle Barron.

As ações realizadas no Acampamento Terra Livre contam com o apoio do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia - uma iniciativa das Nações Unidas no Brasil, Consórcio Amazônia Legal, Governo do Brasil e financiamento do Governo do Canadá - entre outros fundos.