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Mulheres refugiadas participam de ações especiais do ACNUR em março

Notas informativas

Mulheres refugiadas participam de ações especiais do ACNUR em março

No marco do Dia Internacional da Mulher, atividades focam na inclusão de refugiadas e na mitigação de desigualdades de gênero
31 Março 2026
Mulher refugiada empreendedora sorri enquanto exibe seus produtos alimentícios sobre uma mesa. Ela segura um pote de pasta artesanal em uma mão e um pacote de chips de banana na outra, com várias outras embalagens semelhantes dispostas à sua frente. Ao fundo, há um banner rosa com o texto ‘Refugiadas Empreendedoras’ e ilustrações, além de um mural colorido.

A haitiana Judith é uma das 19 alunas do Refugiadas Empreendedoras, em Porto Alegre (RS)

No começo de março, mês marcado pelo Dia Internacional da Mulher, publicamos um conteúdo sobre a desigualdade enfrentada por mulheres e meninas refugiadas. Elas estão expostas a maiores riscos de exploração, tráfico e discriminação, especialmente em contextos de conflito. Mais de 60 milhões de mulheres e meninas deslocadas ou apátridas estão sob risco elevado de violência baseada em gênero. Enfrentam também discriminações interseccionais, limitando ainda mais seu acesso a direitos, justiça, segurança, serviços e trabalho.

Para combater as desigualdades e mitigar as barreiras vividas por mulheres e meninas deslocadas à força, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) desempenha um papel catalisador e de articulador. Junto a governos, atores de desenvolvimento, doadores, setor privado e organizações não-governamentais, busca soluções para que elas tenham pleno acesso à educação, saúde, inclusão socioeconômica e cultural, e possam se adaptar da melhor forma possível ao Brasil.

O mês de março se encerra com registros de ações de impacto na vida de milhares de mulheres refugiadas que estão nas mais diferentes regiões do Brasil. Mas, o trabalho não para. Estas e tantas outras iniciativas voltadas às mulheres seguirão fazendo parte da agenda prioritária do ACNUR, até que as lacunas da desigualdade sejam fechadas, para não deixar ninguém pra trás.

Confira as principais atividades do mês da mulher

* Belém (PA)

O Seminário para Mulheres Indígenas abriu portas para a participação de Waraos, que tiveram a oportunidade de se expressar sobre o que significa ser uma mulher indígena refugiada e os desafios que elas enfrentam. O evento que durou três dias também ofereceu espaço para que elas pudessem expor e vender produtos artesanais. A participação dessas mulheres foi apoiada pelo ACNUR. O seminário foi realizado pela Secretaria Estadual dos Povos Indígenas do Pará (SEPI), juntamente com a Secretaria Municipal/Estadual de Políticas para as Mulheres (SEMU) e a Federação dos Povos Indígenas (FEPIPA).

* Boa Vista (RR)

Educação foi a pauta da vez! O ACNUR facilitou um treinamento de Liderança para Mulheres na Universidade Federal de Roraima (UFRR) com o objetivo de fortalecer as capacidades de 25 refugiadas empreendedoras. Focada em gestão, desenvolvimento de autoconfiança e habilidades de empreendedorismo, a atividade recebeu apoio complementar da Receita Federal por meio do programa Receita Cidadã, que forneceu kits de higiene e 6 quilos de alimentos não perecíveis para cada participante.

Selfie de uma facilitadora sorrindo à frente de um grupo de mulheres refugiadas reunidas em uma sala de aula. Todas usam camisetas brancas do curso ‘Eu Sou Uma Mulher Empreendedora’ e posam juntas, algumas segurando balões rosa. À esquerda, há um banner azul do ACNUR. O ambiente é simples, com mesas e quadro branco ao fundo

Quanto às finanças, o ACNUR conduziu uma sessão de educação financeira para mulheres e famílias participantes do voo de interiorização do Dia Internacional da Mulher, realizado pela Operação Acolhida. A atividade incluiu a distribuição de bolsas de viagem e do livro Planejando Minhas Finanças. A iniciativa fortalece a tomada de decisão financeira no âmbito familiar durante a fase inicial e crítica do processo de integração.

* Brasília (DF)

Refugiadas venezuelanas e haitianas juntamente a brasileiras estiveram no escritório do ACNUR em Brasília para uma atividade focada no fortalecimento comunitário e no apoio psicossocial em grupo. A atividade contou também com a participação de mulheres da organização Associação de Venezuelanos no Brasil.

Grupo de mulheres participantes de uma atividade no escritório do ACNUR em Brasília posa reunido para uma foto em uma sala de reuniões. Elas estão sorrindo e ocupam o espaço ao redor de mesas brancas. Ao fundo, há retratos oficiais e o emblema das Nações Unidas na parede, além de estantes com livros. Algumas seguram lembranças e materiais distribuídos durante o encontro

Em parceria com a Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), foi realizada também uma oficina de pintura em tecido com mulheres indígenas refugiadas da comunidade Warao em São Sebastião. Além de artística, a experiência proporcionou um espaço de escuta, troca e apoio mútuo, fortalecendo o empoderamento econômico das participantes.

* Manaus (AM)

A história da jovem venezuelana Sherli, que se formou no projeto Chicas Digitais foi destaque nas redes e site do ACNUR no mês de março. Realizada pelo Instituto Hermanitos em parceria com o ACNUR, a iniciativa promove uma imersão em informática, programação e inteligência artificial para jovens refugiadas e migrantes. Saiba mais sobre a história de Sherli. Saiba mais sobre a história de Sherli e do projeto Chicas Digitais aqui.

* Pacaraima (RR)

Mulheres que estão na fronteira norte do Brasil participaram de um workshop de rádio comunitária. A atividade valorizou as habilidades de comunicação de refugiadas e migrantes recém‑chegadas e tinha como objetivo apoiar a criação de mensagens simples e acessíveis sobre direitos, segurança e serviços disponíveis na fronteira. A atividade, organizada pelo ACNUR, AVSI-Brasil e o Fundo das Nações Unidas para Populações (UNFPA), foi realizada no Alojamento de Trânsito BV‑8, um espaço de acolhimento gerido pela AVSI-Brasil e a Força-Tarefa Logística e Humanitária, sob coordenação do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

As mensagens criadas na oficina foram posteriormente exibidas em áreas comuns do alojamento, incluindo o refeitório, que recebe cerca de 400 pessoas por dia. Dado o constante fluxo de chegada e saída da população em Pacaraima, atividades como esta visam contribuir para que mulheres tenham acesso rápido a informações essenciais sobre mecanismos de denúncia, serviços disponíveis e seus direitos básicos durante os primeiros dias no Brasil.

Grupo de mulheres refugiadas e membros de organizações parceiras posam em frente a uma estrutura decorada com flores e pinturas coloridas durante uma atividade do Dia Internacional da Mulher. As participantes usam viseiras roxas e sorriem para a foto; ao centro, há um carrinho de bebê. A cena ocorre em área externa, com murais pintados à mão ao fundo e clima de celebração comunitária.

* Porto Alegre (RS)

A conscientização sobre direitos entre mulheres refugiadas e migrantes foi o foco das sessões informativas realizadas na capital gaúcha pelo ACNUR e o CIBAI Migrações. O evento reuniu mulheres haitianas e venezuelanas e ofereceu um espaço seguro para informação, diálogo e escuta. A sessão foi facilitada pela Coordenação Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID) do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, representada pela juíza Taís Culau de Barros, que tratou especialmente em casos de violência doméstica e familiar. As participantes também receberam a Cartilha para Combater a Violência Doméstica e de Gênero, desenvolvida conjuntamente pelo ACNUR e Prefeitura de Porto Alegre em 2025.

Foi lançado o curso para Mulheres Refugiadas Empreendedoras, realizado pela Besouro Agência de Fomento Social em parceria com o Serviço Jesuítas para Migrantes e Refugiados. O evento reuniu formandas de 2025, majoritariamente venezuelanas, e a nova turma de 2026, composta principalmente por haitianas. Durante a sessão, mulheres que concluíram ciclos anteriores compartilharam experiências de negócios apoiados por capital semente do ACNUR. A iniciativa integra a estratégia de fortalecimento da autonomia financeira, a geração de renda sustentável e a integração econômica de mulheres refugiadas que enfrentam barreiras no acesso ao emprego formal.

Grupo diverso de mulheres refugiadas e facilitadores reunidos em uma sala de formação, posando para uma foto coletiva. Elas sorriem e vestem camisetas do curso ‘Eu Sou Uma Mulher Empreendedora’. O ambiente é colorido, com mural artístico ao fundo e mesas de trabalho, indicando um espaço de capacitação e convivência.

* São Paulo (SP)

A exposição Empoderando Refugiadas, que comemora dez anos do programa de capacitação e empregabilidade de mulheres refugiadas no Brasil, começa a série de exibições no marco do Dia Internacional da Mulher. A sede corporativa do grupo Accor, empresa apoiadora do projeto, recebe a exposição até 6 de abril, quando ela seguirá para o hotel Mercure de Pinheiros, em São Paulo. Ainda no mês de março, foi lançada a nova edição do projeto Empoderando Refugiadas realizado pelo ACNUR, Pacto Global e ONU Mulheres.

Visitantes observam uma exposição fotográfica instalada no hall de um prédio, com painéis que mostram mulheres refugiadas em atividades de capacitação e integração. As fotos estão dispostas em suportes metálicos alinhados, enquanto pessoas passam e leem as legendas. O ambiente é claro e moderno, com piso claro e luz natural entrando pelas janelas.

Pessoas refugiadas do Afeganistão participaram de sessões de conscientização Questões de Gênero e Direitos no Brasil – Direitos das Mulheres e Combate à Violência Doméstica. As conversas foram facilitadas pela Cáritas Arquidiocesana de São Paulo para a comunidade afegã que está acolhida nas organizações Panahgah e Estou Refugiado. As sessões abordaram temas essenciais, como a definição de violência baseada em gênero e violência doméstica, formas de identificar casos e compreender os diferentes tipos de violência, além das barreiras que muitas vezes impedem sobreviventes de deixarem situações abusivas. Enfatizaram também os benefícios de buscar apoio, destacando como, quando e onde acessar ajuda, ao mesmo tempo em que forneceram informações essenciais sobre a legislação brasileira e os serviços de proteção disponíveis. As atividades foram realizadas no âmbito do projeto financiado pela IRUSA.