Pessoas refugiadas na COP 30: comunidades deslocadas são fundamentais para mitigar a crise climática
Pessoas refugiadas na COP 30: comunidades deslocadas são fundamentais para mitigar a crise climática
Gardenia Cooper representou a comunidade indígena refugiada na COP30, especial seu povo da etnia Warao
Na abertura da Cúpula dos Líderes, momento marcante que antecede a COP30, o Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, em seu discurso de abertura, citou o deslocamento e a fome como as mais severas consequências da crise climática.
“Cada fração de grau significa mais fome, deslocamento e perda – especialmente para as pessoas menos responsáveis.”
Incluir pessoas deslocadas à força nas discussões e formulações de estratégias de mitigação das mudanças climáticas é fundamental, já que elas estão entre as que mais sofrem com o agravamento da crise. Por este motivo, a Agência da ONU para Refugiados participou da COP 30 em Belém com uma delegação composta também por pessoas refugiadas e deslocadas internas, que participaram de eventos de alto nível e painéis para levar as necessidades de suas comunidades e apresentar suas soluções.
Dentre as pessoas deslocadas que vivem no Brasil, participaram da delegação do ACNUR na COP30 a indígena da etnia Warao, Gardenia Cooper, o haitiano Robert Montinard (Bob) e o etíope Mekebib Tadasse Assef. Os três são gestores de organizações lideradas por pessoas refugiadas no Pará, Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente. Conheça seus perfis aqui.
Para impulsionar as vozes de pessoas deslocadas à força na maior conferência de negociações sobre as mudanças do clima, a delegação contou ainda com a participação de Filippo Grandi, Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, e Alfonso Herrera, Embaixador da Boa Vontade do ACNUR.
A delegação de refugiados do ACNUR composta por Bob, Gardenia e Ayoo encontrou-se com o Alto Comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi e com o embaixador da Boa Vontade do ACNUR, Alfonso Herrera, para um bate-papo antes das agendas da COP30.
Principais contribuições das pessoas refugiadas à COP30
No primeiro dia da COP30, o ACNUR lançou, em conferência de imprensa, o relatório Sem Escapatória II: o caminho a seguir. O Alto Comissário, Filippo Grandi, apresentou os principais destaques do relatório e o haitiano Bob contribuiu com as perspectivas de pessoas deslocadas sobre o tema. Foi ressaltado que:
- Três em cada quatro pessoas deslocadas por conflitos vivem atualmente em países que enfrentam exposição de alta a extrema aos riscos climáticos.
- 250 milhões de deslocamentos internos foram causados por desastres relacionados ao clima na última década – cerca de 70 mil por dia.
- 1,2 milhão de refugiados retornaram para casa no início de 2025, metade deles para áreas vulneráveis ao clima.
- Até 2040, o número de países que enfrentam riscos climáticos extremos poderá aumentar de 3 para 65.
Saiba mais sobre o relatório Sem Escapatória II: o caminho a seguir aqui.
O Alto Comissário do ACNUR, Filippo Grandi apresentou os principais destaques do relatório Sem Escapatória e o haitiano Bob contribuiu com as perspectivas de pessoas deslocadas sobre o tema.
Ainda no primeiro dia de COP30, o ACNUR aderiu à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, unindo-se no compromisso de fortalecer ações urgentes e estruturantes para garantir alimentação adequada e dignidade a populações vulneráveis em todo o mundo.
A agenda do dia 10 se encerrou com o evento paralelo de alto nível “Liderando na linha de frente: soluções com refugiados, deslocados internos e migrantes”. Contou com a participação de Gardenia Cooper; Naira Santa Rita, representante de deslocamento interno; Ayoo Irene Hellen, refugiada sul sudanesa que vive em Uganda; Filippo Grandi, Ugochi Daniels, Diretora Geral Adjunta da OIM; e Abdirasak Ahmed Ali, do Ministério de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas da Somália. A mediação foi feita por Alfonso Herrera.
Evento paralelo de alto nível “Liderando na linha de frente: soluções com refugiados, deslocados internos e migrantes” encheu a sala na Zona Azul na COP30.
Vozes refugiadas no Balanço Ético Global
Se já acordamos o que deve ser feito para o enfrentamento da crise climática, por que não cumprimos?
Essa é a pergunta central do Balanço Ético Global (BEG) que propõe uma escuta ética e planetária sobre a crise climática, reunindo lideranças sociais, culturais, espirituais, empresariais, científicas e políticas em diálogos intercontinentais e em eventos independentes organizados pela sociedade. O ACNUR realizou três BEG em Belém, São Paulo e Porto Alegre, além de apoiar uma edição realizada por Mekebib, um dos refugiados da delegação.
Durante a COP 30, foram realizados outros diálogos no contexto do Balanço Ético Global. A convite da organização Mandí, Gardenia abriu o diálogo que propôs um debate sobre a preservação dos rios. Já Bob, Mekebib e Naira participaram do painel “Vozes em movimento: reflexões éticas de comunidades deslocadas”, moderado por Alfonso Herrera. Os principais destaques das falas dos painelistas estão disponíveis aqui. O painel foi realizado no pavilhão do Balanço Ético Global onde Bob pode apresentar o Mural do Clima, projeto desenvolvido pela Mawon, para a primeira dama Janja Silva e para a ministra do meio ambiente, Marina Silva.
As vozes das pessoas refugiadas estiveram representadas também no evento de alto nível “Balanço Ético Global: um mutirão ético pela ação climática" no qual participaram a ministra Marina Silva, a CEO da COP30, Ana Toni, o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, Maurício Lyrio, e a ex-presidente da Irlanda e colíder do Diálogo Regional da Europa, Mary Robinson. O ACNUR foi representado pela Oficial de Proteção Silvia Sander. Os diálogos do Balanço Ético Global realizados pelo ACNUR estão compilados neste vídeo. Os resultados das discussões do Balanço Ético Global foram consolidados em um relatório entregue à Presidência da COP30 e à UNFCCC.
Bob, Naira e Mekebib compartilham suas experiências liderando diálogos do Balanço Ético Global