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Da lona aos tijolos: com apoio do ACNUR e da LONGi, comunidade indígena ergue casas em Roraima

Histórias

Da lona aos tijolos: com apoio do ACNUR e da LONGi, comunidade indígena ergue casas em Roraima

Graças a uma parceria entre a Agência da ONU para Refugiados e a empresa de tecnologia solar, famílias venezuelanas estão construindo as próprias moradias. A primeira delas abriga a família de Eduardo e Yennis
1 May 2026
Casa construída com família na frente

Eduardo e Yennis, os quatro filhos e dois irmãos de Yennis são os moradores da primeira casa já construída: moradia será pintada depois das chuvas

Na comunidade indígena Warao a Janoko, no município de Cantá, em Roraima, uma casa de tijolos simboliza não apenas abrigo, mas a reconstrução de uma vida com mais segurança, saúde e esperança para a família de Eduardo José Silva, 36 anos, e Yennis del Valle Valenzuela Gonzalez, 27. É o início de uma rotina com mais dignidade para o casal, os quatro filhos e dois irmãos da Yennis que vivem com eles.

Há cinco anos, Eduardo e Yennis moram na comunidade indígena do Cantá, onde agora construíram não apenas uma casa, mas novas esperanças. Mesmo ainda em fase de acabamento, é motivo de grande alegria. Antes disso, a família vivia em uma barraca improvisada e não sentia que tinha um lar de verdade. “Antes, não dormíamos em uma casa, dormíamos embaixo de lona. Quando chovia, tudo molhava”, relembra Yennis. À noite, o ambiente ficava ainda mais vulnerável. As condições precárias afetavam a saúde das crianças, com episódios frequentes de doenças.

“Dou graças a Deus, agora, temos nossa própria casa.”

Yennis del Valle Valenzuela Gonzalez, 27 anos, indígena venezuelana

Esta família é apenas a primeira beneficiada por uma parceria entre o ACNUR e a empresa de tecnologia solar LONGi que permitiu o desenvolvimento de um projeto na comunidade indígena no Cantá que, ao longo de 12 meses, prevê a autoconstrução de 20 casas, inclusão socioeconômica com iniciativas de turismo na comunidade e o fortalecimento da organização indígena local (Cinamo).

Natural de Tucupita, na Venezuela, a família da etnia Warao chegou ao Brasil há seis anos, fugindo de dificuldades econômicas que enfrentavam no país de origem, onde já não conseguiam garantir o básico, como a alimentação dos filhos. Para Yennis, a mudança é motivo de gratidão e alívio. “Dou graças a Deus, agora temos nossa própria casa”, diz. “O apoio do ACNUR e da LONGi foi importante para que nós conseguíssemos alcançar uma casa mais segura para nossos filhos”, comenta Eduardo. A parceria é um exemplo de como o setor privado pode se juntar ao ACNUR para beneficiar pessoas refugiadas de maneira sustentável.

A construção começou com a viabilização de materiais e treinamentos. Tijolos, madeira, artigos para o piso e o teto chegaram com capacitações básicas, permitindo que os próprios moradores participassem das obras. Sem experiência prévia na construção civil, Eduardo aprendeu na prática e agora faz diárias como ajudante de pedreiro. “Aprendemos bastante com o restante do pessoal da comunidade”, conta. O esforço coletivo é uma marca do projeto: famílias que já concluíram suas casas agora ajudam outras a construir as delas.

“Faltam ainda 19 casas para terminar a construção. As outras famílias nos ajudaram e, agora, nós estamos ajudando na construção das outras casas.”

Eduardo José Silva, 36 anos, indígena venezuelano

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Colaboração de impacto

A iniciativa que viabilizou a nova casa da família de Eduardo e Yennis, fruto de parceria entre o ACNUR e a empresa de tecnologia solar LONGi, faz parte de um projeto mais amplo, com duração de 12 meses, desenvolvido na comunidade indígena Warao a Janoko, no Cantá, em Roraima. A localidade reúne cerca de 180 moradores, pertencentes a duas etnias indígenas venezuelanas: Warao e Kariña.

Estruturado em três eixos principais, o projeto busca ir além da resposta emergencial. O primeiro foca no fortalecimento da organização indígena local (Cinamo). O segundo promove a inclusão socioeconômica por meio do turismo de base comunitária como estratégia de geração de renda e valorização dos saberes tradicionais. Já o terceiro é o projeto de autoconstrução das moradias, que prevê a construção de 20 unidades habitacinais com participação direta da comunidade.

O financiamento das três frentes é realizado pela LONGi, responsável por viabilizar os recursos necessários para a execução das atividades, incluindo a construção das casas. Já o ACNUR atua na concepção e implementação do projeto em conjunto com os moradores, oferecendo capacitações técnicas e acompanhamento contínuo. A proposta é garantir não apenas a entrega das casas, mas também a transferência de conhecimento, fortalecendo a autonomia da comunidade e assegurando padrões adequados de segurança e qualidade.

A primeira unidade habitacional — onde vive a família de Eduardo e Yennis — foi concluída, enquanto outras cinco estão em fase de fundação e estrutura. A expectativa é que, até junho, metade das casas esteja finalizada, com a conclusão das 20 unidades prevista até o fim do ano.

O modelo colaborativo segue como um dos pilares da iniciativa. Hoje, cerca de 15 integrantes da comunidade — homens e mulheres — participam ativamente das obras, organizados em um comitê de construção. A dinâmica reforça o senso de pertencimento e solidariedade, além de ampliar as habilidades técnicas dos participantes.

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*Com informações de Larissa Okada e Tanner Novaes