Pesquisa aponta que mulheres venezuelanas enfrentam mais dificuldade de integração socioeconômica no Brasil do que homens
Pesquisa aponta que mulheres venezuelanas enfrentam mais dificuldade de integração socioeconômica no Brasil do que homens
Depois de viver em situação de rua com o filho pequeno, a venezuelana Rosa conseguiu ser interiorizada para o Rio de Janeiro (RJ) e hoje trabalha com carteira assinada © ONU Mulheres / Claudia Ferreira.
Ações de acolhimento e integração da população venezuelana no Brasil ainda necessitam de maior articulação com outras políticas públicas, em diferentes níveis de governo, com atenção a questões que envolvem mulheres e meninas, aponta pesquisa A estratégia de interiorização para refugiadas, refugiados e migrantes da Venezuela no Brasil: construindo evidências para informar a formulação de políticas responsivas ao gênero, conduzida pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), ONU Mulheres e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), com o apoio do Governo de Luxemburgo.
A apresentação dos dados será realizada na próxima segunda-feira (07/07), na Fundação Oswaldo Cruz, em Brasília, às 9h00. O evento é aberto para a imprensa, mediante cadastro prévio pelo e-mail [email protected] ou telefone (61) 99811-7461.
A pesquisa revela avanços importantes na integração das pessoas venezuelanas interiorizadas de forma voluntária de Boa Vista - desde abril de 2018, mais de 150 mil pessoas venezuelanas foram realocadas para mais de 1100 cidades brasileiras. Como resultado, destaca-se o aumento de 12% no rendimento médio mensal individual e de 8% no rendimento domiciliar per capita. Ao mesmo tempo, os dados mostram que, ainda que haja avanços, persistem as desigualdades entre homens e mulheres na inserção laboral e no acesso a serviços essenciais, especialmente para mulheres e famílias monoparentais.
Entre os principais resultados, destacam-se:
- Seletividade nos critérios: homens sem filhos e com maior nível educacional têm mais chances de conseguirem oportunidades para interiorização voluntária de Roraima para outros estados.
- Mulheres enfrentam mais vulnerabilidades: elas são maioria entre as chefes de famílias monoparentais e apresentam maiores taxas de
desemprego e informalidade. - Avanços no mercado de trabalho: houve redução no tempo médio sem trabalho (de 6,7 para 4,7 meses), com destaque para a melhora da inserção laboral das mulheres ao longo do tempo, ainda aquém quando comparado ao tempo médio dos homens.
- Educação e língua: apesar de avanços entre pessoas interiorizadas, crianças e adolescentes abrigados ainda enfrentam mais dificuldades de acesso à escola. A compreensão do idioma português melhorou, especialmente entre mulheres.
- Saúde reprodutiva: cresceu o uso de métodos contraceptivos, mas persistem barreiras no acesso ao pré-natal e à prevenção de câncer entre mulheres abrigadas.
- Insegurança alimentar e discriminação: aumentaram entre as mulheres abrigadas e entre as pessoas interiorizadas em geral.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que tualmente, a população venezuelana forma o maior grupo estrangeiro no Brasil, com 271,5 mil pessoas,. A maioria das pessoas que foram interiorizadas expressa o desejo de permanecer no Brasil, evidenciando o potencial da estratégia de interiorização, desde que acompanhada de políticas públicas robustas e sensíveis às desigualdades de gênero integradas e atentas para a inclusão social e laboral dessas pessoas.
Sobre a pesquisa – Iniciada em 2021, como um dos resultados do Programa Conjunto Moverse, iniciativa do ACNUR, da ONU Mulheres e do UNFPA, com o apoio do Governo de Luxemburgo, a pesquisa ocorreu em três fases de coleta de dados quantitativos: a primeira aconteceu entre maio e julho de 2021, a segunda ocorreu entre os meses de outubro e novembro de 2021 e a terceira entre agosto e novembro de 2023. Para fins de comparação, foram entrevistadas pessoas de origem venezuelana interiorizadas e pessoas residentes em abrigos em Boa Vista (RR).
Os estudos foram executados pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas (CEDEPLAR) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas Administrativas e Contábeis de Minas Gerais, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A mais recente edição da pesquisa destaca a necessidade urgente de articulação entre a estratégia de interiorização e políticas sociais, de saúde, moradia, educação e trabalho em nível nacional e local, com foco especial na igualdade de gênero.
O conteúdo completo da pesquisa pode ser consultado no site: www.onumulheres.org.br/pesquisa-moverse.
Curso de Lançamento - A apresentação dos dados da pesquisa ocorrerá durante uma oficina técnica voltada a servidoras e servidores públicos de diferentes ministérios e órgãos federais, com o objetivo de aprofundar a compreensão das dimensões de gênero na formulação e implementação de políticas públicas direcionadas a pessoas refugiadas e migrantes. A iniciativa busca fortalecer a atuação interinstitucional e promover abordagens mais inclusivas e sensíveis às especificidades, reconhecendo os múltiplos desafios enfrentados por mulheres e meninas no contexto do deslocamento forçado.
Serviço:
Apresentação de dados da pesquisa “A estratégia de interiorização para refugiadas, refugiados e migrantes da Venezuela no Brasil: construindo evidências para informar a formulação de políticas responsivas ao gênero”
Data: 07 de julho de 2025
Local: Fundação Oswaldo Cruz (Avenida L3 Norte, s/n, Campus Universitário Darcy Ribeiro, Gleba A, Brasília - DF)
Horário: 9h
Para mais informações sobre o lançamento da pesquisa, fale com:
• Pedro Nogueira – Oficial de Comunicação da ONU Mulheres [email protected] / (61) 99811-7461
• Miguel Pachioni – Oficial de Comunicação do ACNUR Brasil [email protected] / (61) 99914-4049
• Mariana Tavares - Oficial de Comunicação e Advocacy do UNFPA Brasil [email protected] / (95) 98404-6100