SONGS: As coisas mais importantes que pessoas forçadas a fugir não deixaram para trás
SONGS: As coisas mais importantes que pessoas forçadas a fugir não deixaram para trás
A exposição itinerante "SONGS: As coisas mais importantes que pessoas forçadas a fugir não deixaram para trás" foi inaugurada em abril no porto de Takamatsu e percorrerá vários locais do Japão até novembro de 2025.
A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) apresenta no Japão "SONGS: As coisas mais importantes que pessoas forçadas a fugir não deixaram para trás", uma exposição que presta homenagem às histórias de pessoas deslocadas à força no Japão, Bangladesh e Colômbia. Essas histórias foram documentadas pelo renomado artista japonês Takashi Homma, que viajou às comunidades que acolhem essa população e visitou as pessoas retratadas em suas casas, apresentando seu cotidiano através de uma lente intimista e poética.
Por meio de melodias, histórias e fotografias, SONGS retrata a coragem daqueles que, apesar de perderem tudo, guardam em suas casas os elementos mais representativos de sua identidade, como objetos que evocam músicas de sua terra natal ou aqueles que relembram momentos especiais. Um violão, uma canção de ninar ou uma canção compartilhada em momentos de dor e esperança são exemplos do que a violência não conseguiu tirar.
© Takashi Homma para SONGS
“Queriam me matar. Não me sobrou mais nada, apenas uma carteira pequena, que era tudo o que eu tinha naquele dia.” Depoimento de Erika, mulher deslocada que hoje vive em Medellín, Colômbia. |
Na Colômbia, Homma visitou comunidades em Medellín e Soacha para conhecer de perto essas experiências. “Todas as pessoas que fotografei deixaram uma impressão duradoura. Cada uma tinha sua própria história, e todas me marcaram”, observa ele. “Como vocês podem ver nas fotos, esses objetos são sua identidade, suas memórias e suas esperanças.”
Durante sua jornada, o artista não capturou apenas imagens, mas também memórias e emoções. Ele visitou lares marcados pela adversidade, onde foi generosamente acolhido por pessoas dispostas a compartilhar suas experiências.
Nos retratos, cada pessoa segura o objeto mais significativo que conseguiu levar consigo e que, hoje, segue lhe dando força para continuar. “Tentei capturar as coisas como elas eram: de forma direta e sem filtros”, explica Homma.
Suas imagens não retratam apenas indivíduos, mas também destacam a força coletiva de comunidades que encontraram maneiras de resistir, se curar e seguir em frente.
© Takashi Homma para SONGS
“Deixamos quase tudo para trás: nossas raízes e nossa cultura. Tentamos mantê-las vivas. Trouxemos o violão que nosso pai costumava usar para cantar para nós. Ninguém mais o toca, mas sua música continua viva” Depoimento de Luz Marina Becerra, líder afro-colombiana deslocada por violência que hoje vive em Bogotá, Colômbia |
A exposição SONGS é uma ponte visual e emocional entre o Japão e a Colômbia, um lembrete de que a solidariedade não conhece fronteiras. Graças ao apoio do povo japonês e a iniciativas como esta, é possível continuar a conscientizar sobre o deslocamento forçado e fortalecer a resposta humanitária. SONGS nos lembra que por trás de cada número há uma história de desenraizamento e força que merece ser ouvida.
© Takashi Homma para SONGS
“Uma manta que tenho desde que minha primeira filha nasceu. Usei para proteger meus filhos em todo o caminho.” Depoimento de Joselin Véliz, mulher venezolana que hoje vive em Soacha, Colômbia. |
SONGS está em turnê pelo Japão até novembro de 2025. A exposição foi inaugurada em abril no Porto de Takamatsu como parte do Festival Internacional de Arte de Setouchi, que atrai quase um milhão de visitantes.
Como parte da comemoração do Dia Mundial do Refugiado, Takashi Homma e o ACNUR organizaram um debate em 15 de junho em Tóquio para compartilhar reflexões sobre o processo de documentação de pessoas deslocadas à força e as histórias retratadas na exposição.