ACNUR realiza formação com lideranças afegãs em São Paulo
ACNUR realiza formação com lideranças afegãs em São Paulo
Curso contou com a participação de 16 lideranças afegãs (oito homens e oito mulheres) que participaram de seis encontros presenciais
A atuação direta junto a lideranças e a organizações lideradas por pessoas refugiadas é uma das frentes de trabalho da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) no Brasil. Por meio do fortalecimento das redes comunitárias, é possível identificar as principais demandas da população refugiada, assim como disseminar informações seguras sobre a garantia e o acesso a direitos. Foi com esse objetivo que o ACNUR realizou curso voltado exclusivamente para lideranças afegãs em São Paulo.
A formação teve o total de 42 horas e foi realizada ao longo de seis semanas, em maio e junho. No total, 16 lideranças (oito homens e oito mulheres) participaram do curso que buscou fortalecer a proteção baseada na comunidade entre refugiados afegãos por meio do aprimoramento das capacidades das organizações lideradas por pessoas refugiadas para realizar análises participativas de proteção, identificar riscos e vulnerabilidades, mapear serviços locais e facilitar encaminhamentos seguros e confidenciais.
Entre os temas abordados estiveram legislação sobre refúgio e migração, metodologias participativas de análise de proteção, proteção baseada na comunidade, comunicação e projetos de iniciativa comunitária. O curso também trabalhou temas específicos ligados à área de proteção, como identificação e enfrentamento da exploração e abuso sexual, violência baseada em gênero, saúde e assistência social no Brasil, acesso à educação, à justiça e à moradia, entre outros.
Há dois anos e meio no Brasil, Masooma Hasanzada foi uma das participantes do curso. Atualmente, ela trabalha em uma organização que apoia a chegada e a integração de pessoas afegãs no Brasil. “Achei o curso muito importante e enriquecedor. Ele me ajudou a desenvolver habilidades de liderança, comunicação e organização. Também aprendi como apoiar melhor a comunidade de refugiados e trabalhar em equipe para encontrar soluções para os desafios que enfrentamos”, conta. “Eu já estou colocando em prática o que aprendi. Hoje consigo orientar melhor os refugiados afegãos que chegam a São Paulo, organizar as informações de forma mais clara, ouvir as pessoas com mais atenção e trabalhar em equipe para buscar soluções para os desafios da comunidade. Também aprendi a planejar melhor as atividades e a fortalecer a comunicação e a liderança”, completa.
Curso para fortalecimento de lideranças afegãs em São Paulo também contou com debate com o representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli
Nargis Mahmoodi também concluiu o curso e destaca a importância de conhecer melhor as leis brasileiras e os equipamentos públicos disponíveis. “Estou há quase cinco anos no Brasil e foi a primeira vez que participei de uma formação como essa. Ela foi muito importante porque, às vezes, a gente fica confuso sobre qual organização buscar nos momentos que precisamos de atendimento”, explica. “Ter esse conhecimento é fundamental para as lideranças, que têm uma responsabilidade muito grande de passar as informações corretas para as pessoas, que nem sempre compreendem o português.”
“O fortalecimento de lideranças locais é fundamental para que a população refugiada e migrante tenha acesso a informações de confiança e a direitos fundamentais nos países de acolhida. No Brasil, a barreira linguística é um dos principais desafios no acesso a direitos por parte da população afegã. Quando oferecemos formações direcionadas e trabalhamos em conjunto com as lideranças, conseguimos apoiar a integração local e garantir que as próprias comunidades identifiquem suas principais demandas e às enderecem de maneira adequada”, reforça o assistente sênior de campo do ACNUR, Felipe Santoro.
O curso fez parte das ações previstas na parceria firmada entre ACNUR e IRUSA, em fase de finalização. Anunciada em setembro de 2025, a parceria buscou, ao longo de um ano, beneficiar diretamente cerca de 2 mil pessoas afegãs em todo o Brasil, por meio de ações voltadas à integração local e ao fortalecimento de meios de vida, além de alcançar indiretamente outras 10 mil pessoas, incluindo comunidades brasileiras de acolhida.