Empreendedores refugiados participam de mentoria em São Paulo
Empreendedores refugiados participam de mentoria em São Paulo
Mentoria sobre marketing digital e finanças foi oferecida a pessoas refugiadas que já possuem o próprio negócio no Brasil ou que desejam empreender
Como vender no Brasil, noções básicas de marketing digital e planejamento financeiro. Esses foram alguns dos temas abordados durante a capacitação voltada para empreendedores refugiados em São Paulo nesta terça-feira, dia 31. Cerca de 40 pessoas de diferentes nacionalidades participaram das mentorias gratuitas em empreendedorismo ministradas pela Aliança Empreendedora. A ação foi promovida pela plataforma Refugiados Empreendedores, iniciativa da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e do Pacto Global da ONU - Rede Brasil, com apoio da Accor Solidarity.
O afegão Esmatullah Mohsini foi um dos participantes. Ele fabrica bolsas e mochilas, e tem ganhado destaque no segmento nos últimos anos, com a marca Esmat Wear. Mesmo já fazendo sucesso, destaca que recebeu dicas preciosas que irá aplicar na empresa. “É muito importante para mim, como refugiado, ter uma empresa no Brasil. Aqui temos muitas oportunidades e, com um negócio, também tenho direitos. Hoje aprendi muitas coisas legais sobre redes sociais, conversa com seguidores, compartilhar sobre produtos, postar como criamos cada produto. Aprendi muitas coisas que vão me ajudar a deixar a minha marca mais forte”, afirma.
Para o afegão Mohammad Hesaby, o tema mais importante da capacitação foi gestão financeira. Ele trabalha com culinária típica do Afeganistão em eventos e ressalta que, para a maioria dos novos empreendedores, gerenciar as finanças é um desafio. “A nossa maior dificuldade ainda é a financeira. Hoje fiquei muito feliz porque aprendemos sobre gestão, sobre custos e sobre como fazer propaganda nas redes sociais. São pontos muito importantes para desenvolvermos nossa estratégia de negócio”, afirma. “Como empreendedor, entendi que não basta vender. É essencial calcular custos, ter estratégia e uma mentalidade forte.”
Cerca de 40 pessoas de diferentes nacionalidades participaram da capacitação viabilizada por meio da plataforma Refugiados Empreendedores
A gestão financeira também é um desafio para a guianense Renée Londja. Ela fabrica bonecas com foco na representatividade negra entre as crianças. No mercado há quase uma década, ela conseguiu formalizar o próprio negócio apenas há poucos anos, quando passou também a integrar a plataforma Refugiados Empreendedores. “A educação financeira é um tema que precisamos trabalhar. O principal que aprendi hoje é ter esclarecimento e foco sobre minhas prioridades e meus sonhos para meu trabalho. Se cuido da parte financeira, meus objetivos no trabalho também ficam mais fortes”, afirma.
Fortalecimento e integração
“Ter uma fonte de renda é essencial para a integração socioeconômica de pessoas refugiadas”, destaca a associada de Soluções Duradouras do ACNUR Vivian Holzhacker. “No Brasil, além da mobilização de empresas para que contratem formalmente pessoas refugiadas, também trabalhamos para que essa população tenha acesso a meios e ambientes que favoreçam o empreendedorismo. Afinal, abrir o próprio negócio, mesmo que por necessidade, acaba sendo uma importante fonte de renda, inclusive entre pessoas refugiadas e migrantes. Ao mesmo tempo, as pessoas refugiadas enriquecem a nossa sociedade, trazem novas perspectivas e experiências diversas. Eventos como esse trazem conhecimento e favorecem a troca de experiências, para que essa população se integre e siga contribuindo com a economia nas comunidades de acolhida”,
"Essa parceria entre Pacto Global, ACNUR e Accor para capacitação de empreendedores refugiados é importante para apoiar essas pessoas a retomar sua autonomia e reconstruir suas vidas no Brasil. O conhecimento sobre gestão de negócios, incluindo marketing digital, planejamento financeiro, entre outros temas, é fundamental para que desenvolvam empreendimentos mais sustentáveis e de sucesso", afirma Gabriela Rozman, gerente de. Direitos Humanos e Trabalho do Pacto Global da ONU - Rede Brasil.
"É uma honra imensa sermos apoiadores e podermos participar mais ativamente deste projeto tão importante para a inserção socioeconômica para as pessoas migrantes e refugiadas. Na Accor acreditamos que nossos negócios devem partir da visão de uma Hospitalidade Responsável, que tem como objetivo devolver mais à sociedade e ao meio ambiente, elevando constantemente o nível do que define a atividade hoteleira sustentável do amanhã. Somos empresa mobilizadora no Fórum Empresas com Refugiados, pois sabemos da relevância do setor empresarial para o avanço da pauta de inclusão", destaca o vice-presidente de Pessoas e Cultura da Accor Américas, Fernando Viriato.
Além dos conteúdos teóricos, a capacitação contou com momentos de troca de experiência, networking e uma fala motivacional da empreendedora síria Joanna, que também faz parte da plataforma Refugiados Empreendedores. Os participantes também tiveram apoio para refletir sobre quais os maiores desafios nos seus negócios e como podem avançar.
Sobre a plataforma Refugiados Empreendedores
A plataforma Refugiados Empreendedores é uma iniciativa do ACNUR e do Pacto Global da ONU - Rede Brasil e tem como objetivo divulgar e dar visibilidade a empreendimentos liderados por pessoas refugiadas no país, além de apoiar capacitações e outras oportunidades de formação e de divulgação de seus negócios.
Criada em fevereiro de 2021, a plataforma atualmente conta com 194 negócios listados. São 19 nacionalidades que integram a plataforma, sendo que a maioria dos empreendimentos é liderado por mulheres (60%) e é de pessoas venezuelanas (71%). Há empreendimentos distribuídos em 48 cidades e 16 estados e no Distrito Federal.