Com apoio do ACNUR, organizações lideradas por refugiados realizam censo no RS
Com apoio do ACNUR, organizações lideradas por refugiados realizam censo no RS
População refugiada e migrante de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, participaram de censo no último dia 9 de agosto
Durante todo o mês de agosto, organizações lideradas por pessoas refugiadas estão realizando um censo comunitário participativo em ao menos seis cidades do Rio Grande do Sul. Além de saber o perfil demográfico da população, o levantamento busca entender as principais demandas para acesso a direitos fundamentais e, assim, melhor embasar a construção de políticas públicas que atendam a essa população. A ação conta com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
A expectativa é que 10 mil pessoas respondam às perguntas do levantamento, que incluem o acesso a serviços como educação, saúde, moradia e trabalho formal, além do perfil demográfico, como idade, gênero e composição familiar. A aplicação dos questionários quantitativos e qualitativos está sendo realizada por lideranças de cinco organizações que compõem a rede Migrantes e Refugiados Unidos do RS.
“Esse censo é muito importante para nós porque, assim, conhecemos a população e as demandas das localidades – se estão precisando fazer documentação, se precisam de acesso a alimentação, serviços de saúde, entre outros”, ressalta o presidente da rede, Gabriel Lizarraga. “A partir desse levantamento, conseguimos endereçar a construção de políticas públicas na região e no Brasi”, completa.
O venezuelano Jimmy Milano está há um ano no Brasil e fez questão de participar do censo. Ele chegou ao país por Pacaraima, no extremo Norte, e foi para Canoas por meio da Operação Acolhida, no processo de realocação voluntária conhecida como interiorização. Atualmente, ele trabalha como encanador, com carteira assinada, e reforça a importância de conhecer os direitos no Brasil. “Com esse censo, vai ser possível saber quantos refugiados e migrantes vivem aqui na comunidade, e também conseguir mais ajuda para os que precisam”, afirma.
O ACNUR tem oferecido apoio logístico para a aplicação dos questionários e também tem apoiado tecnicamente na coleta e análise de dados. “Esta iniciativa visa produzir dados baseados na comunidade para informar políticas públicas, fortalecer a defesa de direitos e melhor adaptar as respostas às necessidades dos refugiados e migrantes em todo o estado”, destaca a chefe do escritório do ACNUR no Rio Grande do Sul, Pollyana de Lima.
A aplicação dos questionários iniciou em Porto Alegre e já alcançou também comunidades de Esteio e Canoas. Para os próximos dias, estão previstas ações nos municípios de Cachoeirinha, São Leopoldo e Venancio Aires. Novo Hamburgo e Sapucaia do Sul aguardam confirmação. A expectativa é que, ainda em 2025, os resultados sejam compilados e apresentados publicamente às autoridades locais.