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Com apoio do ACNUR, organizações lideradas por refugiados realizam censo no RS

Notas informativas

Com apoio do ACNUR, organizações lideradas por refugiados realizam censo no RS

Censo comunitário participativo está sendo realizado em ao menos seis municípios e busca traçar perfil da população refugiada e migrante para construção de políticas públicas
19 Agosto 2025
Censo com população refugiada e migrante no RS

População refugiada e migrante de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, participaram de censo no último dia 9 de agosto

Durante todo o mês de agosto, organizações lideradas por pessoas refugiadas estão realizando um censo comunitário participativo em ao menos seis cidades do Rio Grande do Sul. Além de saber o perfil demográfico da população, o levantamento busca entender as principais demandas para acesso a direitos fundamentais e, assim, melhor embasar a construção de políticas públicas que atendam a essa população. A ação conta com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

A expectativa é que 10 mil pessoas respondam às perguntas do levantamento, que incluem o acesso a serviços como educação, saúde, moradia e trabalho formal, além do perfil demográfico, como idade, gênero e composição familiar. A aplicação dos questionários quantitativos e qualitativos está sendo realizada por lideranças de cinco organizações que compõem a rede Migrantes e Refugiados Unidos do RS.

“Esse censo é muito importante para nós porque, assim, conhecemos a população e as demandas das localidades – se estão precisando fazer documentação, se precisam de acesso a alimentação, serviços de saúde, entre outros”, ressalta o presidente da rede, Gabriel Lizarraga. “A partir desse levantamento, conseguimos endereçar a construção de políticas públicas na região e no Brasi”, completa.

O venezuelano Jimmy Milano está há um ano no Brasil e fez questão de participar do censo. Ele chegou ao país por Pacaraima, no extremo Norte, e foi para Canoas por meio da Operação Acolhida, no processo de realocação voluntária conhecida como interiorização. Atualmente, ele trabalha como encanador, com carteira assinada, e reforça a importância de conhecer os direitos no Brasil. “Com esse censo, vai ser possível saber quantos refugiados e migrantes vivem aqui na comunidade, e também conseguir mais ajuda para os que precisam”, afirma.

O ACNUR tem oferecido apoio logístico para a aplicação dos questionários e também tem apoiado tecnicamente na coleta e análise de dados. “Esta iniciativa visa produzir dados baseados na comunidade para informar políticas públicas, fortalecer a defesa de direitos e melhor adaptar as respostas às necessidades dos refugiados e migrantes em todo o estado”, destaca a chefe do escritório do ACNUR no Rio Grande do Sul, Pollyana de Lima.

A aplicação dos questionários iniciou em Porto Alegre e já alcançou também comunidades de Esteio e Canoas. Para os próximos dias, estão previstas ações nos municípios de Cachoeirinha, São Leopoldo e Venancio Aires. Novo Hamburgo e Sapucaia do Sul aguardam confirmação. A expectativa é que, ainda em 2025, os resultados sejam compilados e apresentados publicamente às autoridades locais.